27.1.07

Variações de uma Harmónica no Cacimbo


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Há aqui uma solidão líquida como em certas estações de caminho de ferro em noites de Inverno e eu sinto-me um passageiro solitário à espera de um comboio de que não sei o horário.
A harmónica flutua no cacimbo como um desgosto ou um remorso, em ondas imprecisas como se fosse um improviso casual de alguém que tem o pensamento noutro lado, bem longe daqui. Pouco mais do que uma respiração sonora.
O furriel enfermeiro sai agora a caminho da batota nocturna com a sua permanente mordacidade. "Pensei que os vampiros precisavam de lua cheia" e eu com um sorriso complacente "estou a apanhar um banho de cacimbo antes de ir dormir".
O aerograma no bolso. Sinto-o na mão, fala-me de coisas que entretanto se tornaram estranhas. Parece impossível que para o meu amigo Zé os problemas estejam relacionados com futebol e mulheres; copos e festas. Depois no fim recomenda-me cuidado, como se eu estivesse em risco de apanhar um resfriado.
[...]

3 comentários:

seilá disse...

leio os seus textos com muito apreço até me esqueço que estou aler no monitor! sério!

gotaelbr disse...

Caro Companheiro,
Seu "Aerograma" está sendo transcrito esta noite no ForEver PEMBA - http://foreverpemba.blogspot.com/

Abraço e continue.

Adamastor disse...

Meu caro amigo!

A emoção atraiçoa-me a escrita!!!

Para quem pisou Cabo Delgado...Cruz Alta-Serra do Mapé -Macomia-Chai
Monte das Oliveiras...Mucojo...Quiterajo, etc à distância e 30 e muitos anos, é a melhor terapia(*) para afungentar uns "demónios" que me assolam!!!


(*)ou será masoquismo!!! Não sei!
Parabéns!

José D´Abranches Leitão