17.5.07

Não me Atirem Flores

Alguns vieram. Felizmente muitos. De certo modo os que vieram foram os que sofreram mais, ou pelo menos mais tempo. É por isso que as palavras se recusam por vezes a sair. As palavras explícitas, aquelas que ao serem ditas ferem tanto como aquilo que nomeiam. Mas há coisas que não têm nome. É isso que fica no espaço entre as palavras. Foi para isso que o Homem inventou a poesia e a música: para dizer o que ainda não tem nome mas que se sente tão bem. Não procurem tratados ou obras-primas para sentirem a dor dos que sofreram, procurem antes entre as palavras e entre as linhas o que ainda não tem nome para ser dito.

O Caseiro veio. Esteve lá e veio. Deram-lhe um império inteiro para defender e ele defendeu a parte que lhe coube, como todos nós. Talvez o Caseiro não mereça flores por ter cumprido o seu dever; flores decerto não, mas merece, o Caseiro e todos nós, que um dia tivemos uma arma na mão, o respeito por termos posto a nossa juventude nas mãos de quem nos convenceu que era nosso dever lutar.


As palavras possíveis do Caseiro, que eu publico hoje, são para ser lidas devagar. Para se entenderem bem os silêncios.


===§§§===



Não me atirem flores
Tenho uma arma na mão
Estou com muitas dores
E um aperto no coração
[...]
© J. Caseiro

5 comentários:

MAH-TRETAS disse...

Todos os textos fazem-me viajar no tempo e recordar final dos anos 60 principios de 70 em Angola ,dos blog,s relacionado com a guerra colonial ,que visito sem duvida -Cacimbo- é o que me diz mais, sente-se o passado quase que se revive.

Obrigado

Henriques

MAH-TRETAS disse...

Todos os textos fazem-me viajar no tempo e recordar final dos anos 60 principios de 70 em Angola ,dos blog,s relacionado com a guerra colonial ,que visito sem duvida -Cacimbo- é o que me diz mais, sente-se o passado quase que se revive.

Obrigado

Henriques

Carla disse...

Talvez seja a primeira mulher a deixar um comentário no blog!!! O blog interessou - me, pq desde criança q ouço falar nesta companhia,(sou filha de um dos companheiros) e, em tudo o passaram...
Um beja hajam a todos!

Carla disse...

bem hajam a todos!

Manuel Bastos disse...

Carla,
Obrigado pela visita. Gostaria de saber quem é o seu pai. Escreva-me p. f. para mcbastos@netvisao.pt