6.8.06

Do Tejo ao Rovuma

No cais de Alcântara uma onda teimosa batia no casco sujo do Niassa. Batia, batia, não sei bem se como um castigo ou se como uma carícia e eu a pensar que daria uma bela foto: a onda a aproximar-se de longe e depois a rebentar de encontro ao navio; de seguida parecia ir tomar balanço lá atrás e lá voltava ela novamente a bater, naquela teimosia sem fim.
O Niassa parece mais um cargueiro adaptado a transporte de tropas do que um paquete e ao entrarmos pela escada íngreme e acrobaticamente oscilante que lhe dava acesso a partir do cais não nos apercebemos logo do que isso significa. Mas um mês de viagem haveria certamente de chegar para nos esclarecer sobre isso e também para ficarmos a saber a consideração que os nossos governantes têm pelos seus soldados.
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A história de ir ao outro lado do rio não tem nada que contar: uma entre milhares nesta guerra; o que tem que contar, é aquela ondinha obsessiva de que não consigo esquecer-me – tal qual o soluço na voz do meu avô "Quero voltar a ver-te". Onde estava centrada a dúvida daquele soluço? Em mim, por me ser difícil superar o perigo em que ia meter-me ou nele, por lhe ser difícil superar a simples passagem do tempo?
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4 comentários:

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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João Azevedo disse...

Tive a sorte de viajar no "Infante D. Henrique", mas já ouvi muita história sobre o "O Niassa", o navia mais emblemático duma guerra que não procurámos. Falo como ex-Combatente. Ouvi falar no absurdo do transporte nesse barco, mais talhado para transportes de outros animais que não racionais.
Esta narrativa é uma realidade para quem viajou neste paquete e conhecida de milhares de mancebos atirados para uma outra realidade.
João Azevedo