<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460</id><updated>2012-01-31T22:36:56.004Z</updated><category term='Aguim; Grande Guerra'/><category term='PEC'/><category term='pão'/><category term='Literatura'/><category term='Amputação'/><category term='Sexo'/><category term='Ficção'/><category term='Manifestação'/><category term='Cacimbados'/><category term='feridos'/><category term='perfume'/><category term='CGTP Intersindical'/><category term='mina'/><category term='Poesia'/><category term='Filhos da Guerra'/><category term='Enfermeiras pára-quedistas'/><category term='Tropa'/><category term='Flamingos'/><category term='Tetraplegia'/><category term='Vinho'/><category term='erotismo'/><category term='Stress Pós-traumático'/><category term='Patriotismo'/><category term='Religião'/><category term='Aguim; Música'/><category term='Niassa'/><category term='Edonismo'/><category term='Árvores'/><category term='Stress de Guerra'/><category term='Movimento Nacional Feminino'/><category term='guerra'/><category term='Viagem'/><category term='Prostituta'/><category term='PIDE'/><category term='Grande Guerra'/><category term='Perturbação Pós-Stress Traumático'/><category term='Ilha de Moçambique'/><category term='Vítimas'/><category term='Mueda hoje'/><category term='mueda'/><category term='Mobilização'/><category term='PTSD'/><category term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category term='checas'/><category term='Coimbra'/><category term='Aguim; Regresso a casa; Religião'/><category term='Sé Velha'/><category term='Deficientes'/><category term='Família'/><category term='cegueira'/><category term='Moçambique'/><category term='Memórias'/><category term='Carteiro'/><category term='Regresso a casa'/><category term='Aguim; As estações do ano'/><category term='Amor'/><category term='Cacimbado'/><category term='Escrita'/><category term='Salazar'/><category term='Curia'/><category term='Política'/><category term='Telecomunicações'/><category term='Ostras'/><category term='Fome'/><category term='Fim de Ano'/><category term='Nazaré'/><category term='Dor fantasma'/><category term='25 de Abril'/><category term='ADFA'/><category term='Natal'/><category term='Gripe'/><category term='Flores'/><category term='luz'/><category term='Teatro'/><category term='Parquímetro'/><category term='Estupidez'/><category term='Aguim'/><category term='Crise'/><category term='Dia de Reis'/><category term='Colonialismo'/><category term='passagem de ano'/><category term='Sr. Luís da Loja'/><category term='Guerra Colonial'/><category term='Ex-combatentes'/><title type='text'>Cacimbo</title><subtitle type='html'>A todos os homens com coragem para lutar. A todos os homens com coragem para desertar. A todas as mulheres com coragem para perdoar a ambos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>129</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-4801225460460797304</id><published>2012-01-28T00:45:00.000Z</published><updated>2012-01-28T02:39:15.804Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ilha de Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Flamingos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ostras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Pássaros como que de fogo</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;iframe height="480" src="http://www.youtube.com/embed/EwOfDXz9AlU" frameborder="0" width="640" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Soon, oh soon the light&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pass within and sooth this endless night"&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se eu pudesse levar algo de África, levava esta praia.&lt;br /&gt;Quero levar, pelo menos, a memória de cá ter estado.&lt;br /&gt;Daqui a pouco vai nascer o Sol. Um pouco antes, um homem chegará de bicicleta, abrirá aquele barraco e acenderá o fogo num destes bidões, e eu sentar-me-ei numa daquelas pedras e tomarei aqui o pequeno-almoço pela segunda vez. E será essa a minha despedida de África.&lt;br /&gt;No momento de virar as costas o que pesa mais? A antecipação da saudade ou o receio de virmos a ser esquecidos? Partirei com o absurdo desejo de que as madrugadas da Praia das Chocas guardem uma boa memória de mim.&lt;br /&gt;Eu encherei os olhos de luz e de mar e depois partirei. Atravessarei dois oceanos e jamais voltarei aqui.&lt;br /&gt;Entristece-me pensar que um dia me terei esquecido disto, que tudo isto se desvanecerá como uma aguarela à chuva, e que por fim, ficará apenas uma memória duvidosa, como se não tivesse passado de algo com que sonhei.&lt;br /&gt;As ostras não me sabem tão bem como da primeira vez; os prazeres premeditados perdem sempre sabor.&lt;br /&gt;Quase, quase nasce o sol. Um bando de aves aproxima-se. Tão grande e denso que parece uma nuvem.&lt;br /&gt;O sol demora a nascer e as ostras estão a acabar. É difícil viver segundo um guião. Queria apenas despedir-me de África, repetindo um dos melhores momentos que vivi aqui, mas parece que estou a posar para uma fotografia, a representar para um filme. Um prazer premeditado é como um crime premeditado, não tem a atenuante da paixão.&lt;br /&gt;Parece que estou a decalcar um desenho para que fique bem marcado na minha memória. Para levar comigo. Para impedir que o tempo o apague facilmente. Porém sabe-me a falso; não é possível ser feliz seguindo um plano.&lt;br /&gt;É possível estar distraído a desfrutar do prazer, é possível deslumbrarmo-nos com uma beleza inesperada, é possível a antecipação do prazer na imaginação, mas a felicidade é a acumulação do prazer na memória; só é possível em diferido.&lt;br /&gt;O Sol parece estar a demorar a aparecer. Eu a poupar as ostras…&lt;br /&gt;A nuvem de aves é enorme. Enormes as aves também. Flamingos!&lt;br /&gt;Flamingos, numa fragilidade de esculturas de vidro soprado, numa delicadeza de branco e rosa, pousando com as suas pernas longas de inseto, na franja ondulante do Índico.&lt;br /&gt;Continuam a chegar. A maré rasa da praia das Chocas entra em ebulição. Um rebuliço de vida.&lt;br /&gt;Não dezenas, não centenas; muitos milhares de aves. Flamingos com o seu bico de colher a coar a tona da água. Muitos milhares de flamingos. Muitos milhares de colheres coando a água do mar. Eles com a cabeça de lado e depois com a colher do bico a retirar não sei o quê da água. E o Sol a prometer luz, ainda não o Sol, ainda não a luz, apenas uma promessa no azul quase prateado do céu, lá muito ao longe.&lt;br /&gt;E finalmente o Sol!&lt;br /&gt;Primeiro uma borbulha luminosa na linha da água, depois, em câmara lenta, uma explosão de ouro incandescente, incendiando os flamingos, ruborizando o cor-de-rosa em todos os cambiantes até ao carmim, até se tornarem chamas vivas à beira da praia, e transformando o mundo visível no que de mais glorioso me foi presenteado na vida.&lt;br /&gt;Não voltarei aqui. Nunca mais voltarei aqui. Quero levar esta imagem comigo para usar num dia triste. Tenho a certeza que nunca mais verei nada assim. Só um dia o teu rosto. Num outro nascer do sol. Um nascer do sol sem mar, que na minha terra o sol nasce na serra. Sem flamingos. Sem pássaros de fogo.&lt;br /&gt;Se a felicidade total fosse possível, estarias aqui comigo, estarias aqui e agora; mas nem te conheço ainda. Não sei se te encontrarei um dia para achar que faltam flamingos nesse outro nascer do Sol que há de vir.&lt;br /&gt;Há quem se satisfaça por atribuir a autoria de momentos como este à inspiração artística de um criador magnífico, mas o meu êxtase, a minha epifania consiste em ter a certeza que a Natureza é como é, sem emoção nem beleza, sem memória nem criatividade, e somos nós que possuímos esses atributos. O humano milagre de criar e recriar o belo.&lt;br /&gt;Não inventamos o belo apenas, olhando os ocasionais incidentes naturais, damos-lhe um propósito e uma persistência para além do momento corrente.&lt;br /&gt;Nada disto seria mais do que um bando de pássaros a pousar na baixa-mar da praia das Chocas da Ilha de Moçambique se eu não sentisse já uma saudade a haver desta madrugada, se eu não sentisse já o prazer futuro da evocação deste momento, como um relâmpago vindo do passado, um sonho que a imaginação tornará vígil e lúcido como se tivesse acabado de acontecer. A memória da minha despedida de África tão vívida que parecerá uma invenção minha.&lt;br /&gt;Há uns cinco meses atrás, à minha chegada a Lourenço Marques, fiquei deslumbrado com um nascer do sol nesta praia, enquanto comia ostras cruas com lima, mas entretanto fui acumulando os pesadelos de uma guerra. Uma guerra sem objetivo nem prazo. Uma guerra em ciclo vicioso. Uma guerra que não parece ser feita para ganhar nem para perder, apenas para aguentar o país em estado vegetativo. Um estado comatoso que mantém a morte em lume brando. A indústria nacional da matança, sem a desculpa sequer de um falso motivo. A matança como meio de vida. Como desígnio nacional.&lt;br /&gt;E o que há cinco meses me pareceu deslumbrante não passaria hoje de uma pobre representação, sem a capacidade humana para a poesia e o deslumbramento que transforma as simples ocorrências, aleatórias e insignificativas, na gloriosa exuberância da Natureza.&lt;br /&gt;De que é feita a poesia? De que são feitos os flamingos?&lt;br /&gt;Aves transfiguradas pela imaginação. Como um sonho vivido em África, unindo para sempre este momento a todos os outros momentos em que a memória os evoque, e em que serei feliz hoje de novo amanhã e sempre que me recordar desta madrugada, como se o tempo decorrido não importasse. Um prazer diacrónico a que chamarei saudade se me faltar inspiração.&lt;br /&gt;Um momento guardado em mim, que África me ofereceu depois de me ter tirado quase tudo, para me servir de alento enquanto não te conhecer e tiver que alimentar a esperança de vir a ser feliz, porque a felicidade é como uma conta corrente em que é preciso fazer créditos para levantar em dias de penúria.&lt;br /&gt;Pássaros como que de vidro. Se os não tivesse visto modelar na feira da Moita de Anadia – o meu avô a contas com o cavalo enquanto a minha avó regateava um avental com uma freguesa – não os reconheceria agora. Eu maravilhado com a delicadeza daquelas mãos rudes ali ao lado a criarem beleza com vidro e fogo. E entre dois sopros de vida que davam alma ao vidro: "100 mil réis, ó freguês!"&lt;br /&gt;Agora reconheço-os pousando na fímbria do mar com os seus passos desengonçados de inseto.&lt;br /&gt;Pássaros como que de fogo. O teu rosto ao nascer do dia incendiará em mim de novo o rosa flamejante destas aves, e nos meus olhos, a luz dos teus terá a emoção desta praia de África no momento de partir, no momento de regressar a casa. E África para mim permanecerá para sempre feita de extremos: o terror e a exultação.&lt;br /&gt;Pássaros como que de sonho. Enfeitando cada nascer do Sol de hoje em diante. O prazer de hoje de novo amanhã e o prazer de amanhã antecipado hoje.&lt;br /&gt;E a beleza maior de todas, a alegria maior: o êxtase de ver a beleza noutro ser humano. Um ser como um reflexo de nós, mas já outro e sublimado, como se fossemos, eu Narciso perante o lago e tu a imagem divinizada no lago perante mim; mas sem a insipidez da solidão, sem a monotonia da clonagem. Com a diferença no outro; com o fascínio da alteridade. E tudo sem bom senso, sem parcimónia; na exuberância exultante da felicidade.&lt;br /&gt;Em mim, já, o teu rosto a haver, a tua beleza ainda não conhecida. Apenas um prenúncio da felicidade futura. Esta madrugada sem ti, ganha por antecipação o prazer de te ver sorrir para mim, quando já tiver esquecido tudo isto, a não ser pelo que em mim permaneça na memória de te ter amado antecipadamente, quando um bando de aves pousou num assombro de beleza no meu último nascer do sol em África.&lt;br /&gt;Vivemos permanentemente a dois tempos, recordando o passado e projetando o futuro, numa ubiquidade cronológica; onde estamos menos é no presente, que quando pensamos nele é fugidio, e ao tentar retê-lo, não fazemos mais do que vivê-lo em função do que dele nos haveremos de lembrar um dia, ou do que a nossa experiência passada nos habilitou a ver nele. Nós vivemos na nossa memória e na nossa imaginação, não nos nossos atos.&lt;br /&gt;Mas sinto hoje intensamente que tudo se reunirá num êxtase – memória e imaginação, sonho e ato – quando sorrires para mim como o Sol pela madrugada. O sol a prometer luz, ainda não a luz, só a promessa da luz, como se a felicidade estivesse sempre a espreitar na linha do horizonte.&lt;br /&gt;O momento corrente pode dar prazer, pode fazer-nos tombar de plenitude, mas não passará nunca de uma etapa para a felicidade. E a soma de todos esses momentos será a felicidade? Pelo menos foi o caminho.&lt;br /&gt;E chegados ao último êxtase, virando a cabeça para trás, que vemos? Vemos que percorremos um longo caminho de busca. E que, afinal, caminhando chegámos a casa. E que, afinal, era isto que buscávamos, era sempre isto: a nossa casa.&lt;br /&gt;Enquanto a não encontrámos procurámos sempre, e agora iremos habitar aqui. Podemos dizer sustendo as lágrimas: – Eras sempre tu. Tu és a minha casa e sempre que amei foi a ti.&lt;br /&gt;E nessa altura seremos mais felizes, porque eu levo daqui, já um lastro de beleza ao teu encontro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-4801225460460797304?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/4801225460460797304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=4801225460460797304&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4801225460460797304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4801225460460797304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2012/01/passaros-como-que-de-fogo.html' title='Pássaros como que de fogo'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/EwOfDXz9AlU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8186449845070557973</id><published>2012-01-20T22:57:00.007Z</published><updated>2012-01-21T00:46:59.342Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fim de Ano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Bananeiras</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-kjLHIHHN7Cc/Txn1jLDvtMI/AAAAAAAAAl4/CpwkoCyB6H4/s1600/%25C3%2581guas%2Bde%2BMueda%2B%2528e%2529.jpg"&gt;&lt;img style="text-align: center;margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; width: 400px; height: 292px; display: block; cursor: pointer; " id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699856788026799298" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-kjLHIHHN7Cc/Txn1jLDvtMI/AAAAAAAAAl4/CpwkoCyB6H4/s400/%25C3%2581guas%2Bde%2BMueda%2B%2528e%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;As Águas - Mueda&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Foto retirada &lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://ultramar.terraweb.biz/Imagens/mocambique_LuisPintoCoelho_01EstadiaemMueda.htm"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; e posteriormente editada&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;Texto de António Almeida&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Relativamente perto das Bananeiras deu-se o reencontro com os homens vindos de Nancatary. Assim, suspendemos a picagem, já que a picada acabara de ser passada pelos recém-chegados de Nancatary, e mais aceleradamente, já todos quantos iriam assegurar a construção da ponte, rolamos para o local determinado que uma vez atingido, e porque naquelas paragens anoitecia muito cedo, toca a derrubar umas quantas árvores, de modo a melhor instalar o acampamento, atentos todos os dispositivos de segurança.&lt;br /&gt;A queda de uma das árvores acabou por despoletar um enxame de abelhas, que rapidamente se espalhou pelo local tomado pelos militares e começou a atacá-los. O alvoroço de todos e o pânico de muitos, recorrendo a granadas de fumo, às próprias viaturas com os canos de escape a exalar fumos, fugindo para as respectivas cabines ou lançando-se para debaixo das mesmas, foi a forma encontrada para combater um tal “ataque”.&lt;br /&gt;Entre os vários militares picados pelas abelhas um teve mesmo de ser evacuado, atenta a gravidade do seu estado de saúde.&lt;br /&gt;Socorrido por um heli que logo foi chamado de Mueda, o ferido foi evacuado. Logo à chegada, a primeira baixa.&lt;br /&gt;Terminado o ataque das abelhas, que trouxera à memória uma situação semelhante aquando da passagem, exactamente, pelo mesmo local, da coluna que trouxera, em 1972, muitos daqueles homens para Mueda e onde sofreram logo, num ataque, também de abelhas, a evacuação do seu primeiro elemento, um dos alferes, que não voltou mais à companhia. Mau agoiro, pensaram muitos.&lt;br /&gt;Agora, todos ao trabalho, na montagem e organização do acampamento, com especial incidência na manutenção da segurança, porque a tarde apressadamente ia desaparecendo e a noite, a “noite de fim de ano”, rapidamente se aproximava.&lt;br /&gt;Instalados, caída a noite, foi impossível não recordar passagens de ano anteriores, sobretudo algures &lt;st1:personname st="on" productid="em Portugal. Os"&gt;em Portugal. Os&lt;/st1:personname&gt; homens da 3503 que haviam carregado algumas bebidas recolhidas na árvore de Natal que tinham “plantado” na sua camarata, por todos fizeram uma distribuição para que ninguém ficasse sem brindar ao ano que nasceria à meia-noite.&lt;br /&gt;Chovia torrencialmente quando bateu a meia-noite e, desde gritos e vivas, a tiros para o ar, enfim, um barulho em pleno mato, impossível de controlar, foi a forma que os militares estacionados nas Bananeiras encontraram para festejar a chegada do novo ano, aliás, que seria o último para os homens da duas companhias de atiradores ali presentes, as Cart´s 3501 e 3503, tirando um ou outro homem que havia chegado em rendição individual, caso do capitão e que ainda estava no princípio da sua comissão, enquanto os demais, sem contar com o mata-bicho, isto é, mais uns três meses, terminariam a comissão nos primeiros dias, exactamente, do mês de Janeiro que estava a nascer.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Texto de António de Almeida&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ler texto completo &lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2012/01/bananeiras.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8186449845070557973?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8186449845070557973/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8186449845070557973&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8186449845070557973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8186449845070557973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2012/01/bananeiras.html' title='Bananeiras'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-kjLHIHHN7Cc/Txn1jLDvtMI/AAAAAAAAAl4/CpwkoCyB6H4/s72-c/%25C3%2581guas%2Bde%2BMueda%2B%2528e%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8501060442495796923</id><published>2012-01-08T03:14:00.014Z</published><updated>2012-01-08T19:49:15.816Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress de Guerra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filhos da Guerra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vítimas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PTSD'/><title type='text'>Ana, vítima de guerra</title><content type='html'>&lt;iframe height="360" src="http://www.youtube.com/embed/S09luZpSdFc" frameborder="0" width="480" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;"And I am not frightened of dying, any time will do, I Don't mind. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;Why should I be frightened of dying?&lt;br /&gt;There's no reason for it, you've gotta go sometime."&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;na Rute disse-me que não é feliz.&lt;br /&gt;A primeira reação íntima que tive foi a de não acreditar no&lt;br /&gt;que me disse.&lt;br /&gt;Uma jovem mulher de 26 anos, com um curso de enfermagem,&lt;br /&gt;senhora de uma vivacidade a que o seu belo rosto empresta um inegável encanto,&lt;br /&gt;olhando-me de frente e como se estivesse a falar de algo que toda a gente&lt;br /&gt;deveria saber, diz-me que não é feliz.&lt;br /&gt;Ana Rute é vítima da Guerra Colonial.&lt;br /&gt;Quando a Ana nasceu já a guerra tinha acabado há muito, e&lt;br /&gt;por isso, nenhum tiro, nenhum estilhaço, nenhum horror da guerra a pode ter&lt;br /&gt;atingido, e no entanto a Ana é infeliz por causa da guerra.&lt;br /&gt;Mas ela sabe o que são tiros, ela sabe o que são estilhaços,&lt;br /&gt;e o que ela mais sabe é o que são os horrores da guerra.&lt;br /&gt;Já sentiu o medo, já sentiu a ansiedade, já ouviu os gritos,&lt;br /&gt;já acordou a meio da noite em sobressalto, já teve que se proteger para não ser&lt;br /&gt;abatida, mas nunca fugiu. A Ana continua no seu posto tão contrariada como&lt;br /&gt;todos os soldados que se veem obrigados a ficar no seu posto quanto todos&lt;br /&gt;fogem.&lt;br /&gt;Foi-lhe roubada a juventude como a todos os combatentes. Foi&lt;br /&gt;adiando um relacionamento sério, porque um dever que lhe foi imposto não lhe&lt;br /&gt;deixa espaço para os afetos. E hoje ao falar disso, parece um veterano a&lt;br /&gt;queixar-se que às vezes a chamavam de maluca por deixar transparecer os seus&lt;br /&gt;traumas.&lt;br /&gt;Sim, a Ana Rute tem traumas de guerra. Traumas a que nenhuma&lt;br /&gt;junta médica reconhecerá qualquer nexo de causalidade com o serviço militar e&lt;br /&gt;muito menos com o teatro de guerra.&lt;br /&gt;O estado, que tem dificuldade em aceitar que os seus&lt;br /&gt;combatentes, que foram recrutados, mobilizados e massacrados no açougue da&lt;br /&gt;guerra, sejam condignamente reconhecidos como vítimas desse processo todo e portadores de sequelas geradoras&lt;br /&gt;de sofrimento, concedendo-lhes o estatuto de DFA, jamais aceitaria sequer a&lt;br /&gt;hipótese de olhar a Ana como uma vítima também.&lt;br /&gt;E no entanto, a Ana fez durante anos o que o estado deveria&lt;br /&gt;ter feito. O que alguém deveria ter feito, mas ninguém fez: tratar do seu pai.&lt;br /&gt;O seu pai tem 16 dos 17 sintomas que se usam para&lt;br /&gt;diagnosticar a Perturbação Pós-Stress Traumático, em que 5 seriam suficientes&lt;br /&gt;para um diagnóstico seguro, e a Ana tem sido vítima de todos esses sintomas.&lt;br /&gt;A violência verbal e física em torno de si, a deserção, um a&lt;br /&gt;um de todos os familiares, primeiro a mãe e depois os irmãos; e por fim,&lt;br /&gt;indefesa, sozinha, convivendo dia e noite com a Guerra Colonial debaixo do&lt;br /&gt;mesmo teto.&lt;br /&gt;Os colegas da escola que lhe diziam que ela era maluca como&lt;br /&gt;o pai e se afastavam. Uma professora que lhe disse em frente de todos que ela&lt;br /&gt;não deveria poder frequentar a sua aula porque era filha de um combatente&lt;br /&gt;maluco e era maluca também; a quem a Ana moveu um processo que resultou numa&lt;br /&gt;simples chamada de atenção à professora e numa&lt;br /&gt;reprovação para si, conforme tinha sido ameaçada. Os rapazes que se afastavam&lt;br /&gt;dela com medo do pai. As festas a que não foi. O atraso na conclusão do curso&lt;br /&gt;de enfermagem, o que&lt;br /&gt;contribuiu para que agora não arranje colocação. E uma vida afetiva que foi&lt;br /&gt;impossível paginar com este verdadeiro serviço de campanha numa missão pouco&lt;br /&gt;menos que impossível.&lt;br /&gt;Quando ela saiu do gabinete onde a recebi vieram-me à cabeça&lt;br /&gt;as palavras que uma visitante do Facebook me enviou. "Não vives demasiado&lt;br /&gt;no passado? Não devias procurar coisas alegres e esquecer a guerra?"&lt;br /&gt;Ana Rute, uma jovem mulher que deveria viver nesse meu&lt;br /&gt;futuro, onde supostamente haveria coisas alegres para procurar. E que me diz&lt;br /&gt;que não é feliz, como eu digo que não sou alentejano: um facto indiscutível,&lt;br /&gt;que toda a gente já sabe. Uma coisa que se diz embora se saiba que é óbvia e&lt;br /&gt;consensual.&lt;br /&gt;Mas a Ana não anda em busca de piedade ou de comiseração,&lt;br /&gt;anda em busca de justiça e reconhecimento. Para o seu pai. Que ela, como todos&lt;br /&gt;os lutadores, sabe que se se fizer justiça sairá recompensada.&lt;br /&gt;O pai precisa de cuidados médicos especializados que não tem&lt;br /&gt;por falta de dinheiro. Precisa de medicamentos que às vezes não compra por&lt;br /&gt;falta de dinheiro, precisa de algum conforto para si&lt;br /&gt;e para ela, que não obtém por falta de&lt;br /&gt;dinheiro. É isso mesmo: tudo por falta de dinheiro.&lt;br /&gt;E há coisas que a Ana não entende: se os médicos são&lt;br /&gt;unânimes em afirmar que o pai sofre de uma doença que se apanha na guerra, como&lt;br /&gt;podem as autoridades médicas militares dizerem que essa doença não tem relação&lt;br /&gt;nenhuma, nem com a guerra onde ele combateu e que trouxe para casa, nem sequer&lt;br /&gt;com o serviço militar? Eu bem tento explicar que se trata de um problema&lt;br /&gt;processual, uma coisa burocrática, que o que é preciso é delinear uma&lt;br /&gt;estratégia para tentar desenovelar isto tudo, mas a verdade é que também não&lt;br /&gt;entendo.&lt;br /&gt;Ana Rute é vítima da Guerra Colonial. Um dano colateral, um&lt;br /&gt;dano diferido, mas uma vítima. E eu que deveria olhar mais para o presente do&lt;br /&gt;que para o passado, em busca de coisas alegres, segundo a minha visitante do&lt;br /&gt;Facebook, fico com a impressão que ganhei o dia, porque alguém me olhou nos&lt;br /&gt;olhos com a coragem dos heróis e me disse: "Não sou feliz." Não como&lt;br /&gt;um lamento, também não como se fosse eu a dizer que não sou alentejano. Não.&lt;br /&gt;Foi uma declaração de quem se conhece e sabe o que quer. De quem está em guerra&lt;br /&gt;e não vai baixar as armas. De quem está habituada a deixar pelo caminho os&lt;br /&gt;desertores e os cobardes e que olha de frente as pessoas com quem lida para&lt;br /&gt;saber se pode contar com elas.&lt;br /&gt;Ana Rute, nós somos uma associação de combatentes, de sobreviventes,&lt;br /&gt;de camaradas que depois da guerra ter acabado escolhemos continuar nela, porque&lt;br /&gt;outros não conseguem sair dela; que conseguimos ainda assim ser felizes, pelo&lt;br /&gt;menos alguns de nós, e continuar combatendo.&lt;br /&gt;Enquanto houver uma jovem que nos diga que não é feliz por causa da&lt;br /&gt;Guerra Colonial, nós também não esqueceremos esse passado de pesadelo, para ir em busca da fácil alegria do presente, e também não baixaremos as armas. Cada drama de um só de nós será um drama de todos. E a Ana Rute é um de nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Publicado no jornal &lt;a href="http://www.adfa-portugal.com/pdf/0112/06.pdf"&gt;Elo da ADFA&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8501060442495796923?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8501060442495796923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8501060442495796923&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8501060442495796923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8501060442495796923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2012/01/ana-vitima-de-guerra.html' title='Ana, vítima de guerra'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/S09luZpSdFc/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-70954839783862335</id><published>2011-12-20T16:09:00.006Z</published><updated>2011-12-24T02:20:59.315Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PTSD'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perturbação Pós-Stress Traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Nunca se regressa de África</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/y4aqsxj0WSY" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;Os soldados baixaram-se todos, o furriel Bastos começou a espreitar pela máquina fotográfica e o cabo Bento sozinho lá à frente na picada a tentar levantar a mina anticarro.&lt;br /&gt;Parece um filme na minha cabeça. Sempre a repetir a mesma coisa: o palerma do furriel a tirar fotos a tudo, os soldados alapados e o Bento ajoelhado como se estivesse a rezar.&lt;br /&gt;A minha G3 cheirava à máquina de costura da minha mãe.&lt;br /&gt;Não ouvi o rebentamento da mina. Não me lembro. Dizem que andei à procura dos restos do Bento, mas também não me lembro. Dizem de tudo. Cada um a sua versão, mas eu que estava a olhar para o Bento, não me lembro de mais nada. Só mais tarde, um poncho enrolado com qualquer coisa lá dentro, e o enfermeiro Costa desfigurado, abanando a cabeça.&lt;br /&gt;Será que Deus apaga da nossa memória aquilo que acha que é demais para nós? Parece que estou a ouvir o furriel a dizer "Ó Sousa, se Deus pode fazer alguma coisa, que acabe a Guerra de uma vez e pronto!" Às vezes parece parvo, para que quer ele as fotos daquelas desgraças?&lt;br /&gt;A minha G3 depois de oleada cheirava tal e qual a máquina de costura da minha mãe.&lt;br /&gt;Se calhar é melhor assim, se Deus não pôde acabar com a guerra ao menos que apague as lembranças que nós trouxemos.&lt;br /&gt;Mas às vezes parece-me muito estranho que não me lembre de certas coisas, como quando te vi a falar com o Adelino. Tenho a certeza que vi qualquer coisa: uma mão, um sorriso, um gesto. Fiquei para morrer. Tu ali, de frente para ele, debaixo do alpendre.&lt;br /&gt;- Estavas a falar com quem?&lt;br /&gt;E tu: - Ninguém, era o Adelino.&lt;br /&gt;Eu fiquei em silêncio uma data de tempo, e tu: - Qual é o problema? Ele parou para saber se estava tudo bem comigo, e eu disse-lhe que sim.&lt;br /&gt;E eu, nada.&lt;br /&gt;E passou mais uma data de tempo, e tu: - Isso não te passa nunca, é?&lt;br /&gt;E foste embora para o trabalho.&lt;br /&gt;Não passa não, Zulmira. Parece que são borboletas no meu peito. Borboletas a gritar. Sei que nunca entenderias. Elas gritam batendo as asas. Milhões de borboletas dentro do meu peito.&lt;br /&gt;Parece que os pesadelos nunca passam. Que foi que eu vi, Zulmira? O que vi eu na picada em África, que me plantou um cardo no peito que me faz sangrar, sem eu saber porquê, e que vi eu no alpendre que me faz sentir as asas das borboletas a ferver, a ferver sem descanso? Não sei, mas é como acordarmos de um pesadelo. Não sabemos bem com que sonhamos, mas sabemos que foi um pesadelo porque sentimos o coração aflito e falta de ar. Mas não passa, não desaparece. É como se fosse uma memória encravada, que não anda nem desanda. Uma tatuagem feita com um ferro em brasa não sei onde, mas que me queima a alma. Uma alma tatuada. Tatuada com uma memória invisível que dói.&lt;br /&gt;A minha G3 era uma máquina de costura.&lt;br /&gt;Sinto-me cansado. Tão cansado. Queria abrir uma janela no peito e tirar os cardos e deixar sair as borboletas.&lt;br /&gt;Que pena não me teres amado antes, Zulmira. Que pena não me teres amado quando viajávamos sem este fardo e estávamos no princípio da viagem.&lt;br /&gt;Tu chegavas devagar, sempre tão devagar, que parecia uma aparição, e abria-se uma janela algures quando tu chegavas. Quando eu olhava para ti, parecia dia de festa, e ficava quedo e mudo, porque eu não estava preparado para a tua beleza.&lt;br /&gt;Se eu dizia "Ó Zulmira, uma mulher linda como tu não tem o direito de estar triste", tu zangavas-te. É que era estranho que a tua beleza fizesse os outros felizes e a ti não.&lt;br /&gt;O furriel um dia viu a tua foto e disse que tinhas um ar de mulher fatal.&lt;br /&gt;E depois disse: - Coitada!&lt;br /&gt;E eu: - Coitada, porquê?&lt;br /&gt;E ele: - As mulheres fatais matam de amor e morrem de solidão.&lt;br /&gt;Falava de mais o furriel.&lt;br /&gt;A nossa história é só um desencontro Zulmira, nunca deu certo. Quando eu te amava, tu até troçavas de mim; agora que me procuras de noite na cama, eu sinto um frio tão grande como se o meu corpo fosse um cadáver e tu tivesses vindo chorar sobre o meu caixão.&lt;br /&gt;Gostaria de contar a nossa história a alguém, gostaria de escrever a nossa história para fazer chorar alguém com ela, de maneira a não me sentir tão só, mas como não serei capaz de a escrever, hei de plantar uma árvore que dure quinhentos anos, e hei de pôr-lhe o teu nome; sempre que o vento passar por entre os seus ramos ficará a saber um pouco de nós.&lt;br /&gt;Já não te amo, Zulmira, mas lembro-me bem de te ter amado, e por baixo das borboletas e dos cardos, trago no peito um grande amor por ti. Um amor que ainda tenho dentro de mim, mas já não sinto, como uma dor de cabeça que deixou de doer por causa do remédio, mas que a gente sente que ainda está lá.&lt;br /&gt;A minha G3 era uma máquina de costura, não era mais do que uma máquina de costura.&lt;br /&gt;O furriel a tirar fotografias àquela desgraça. A cara do enfermeiro Costa desfigurada. Toda a gente aterrorizada. Às vezes penso que tudo aquilo foi um pesadelo que tive. Um pesadelo como os que ainda tenho, onde vejo tudo sempre a repetir-se, mesmo a meio do dia. Mas nunca vejo os rostos nem ouço os gritos. Como não me lembro da mina a explodir.&lt;br /&gt;Depois deu-me uma vontade de destruir. Não era vontade de matar, Zulmira, era uma vontade de destruir. Destruir a guerra, se fosse possível.&lt;br /&gt;O Bento desapareceu. Não morreu, desapareceu. Só encontraram uma bota com um pé lá dentro e um fio de ouro com a Nossa Senhora de Fátima.&lt;br /&gt;- Se Deus existe, anda a gozar connosco. - Disse o furriel.&lt;br /&gt;E eu olhei para o poncho a embrulhar a bota do Bento e depois virei-me prá malta ali à volta e disse que queria ser enterrado na minha terra, como devia ser.&lt;br /&gt;E ele: - Não achas que deves morrer primeiro?&lt;br /&gt;Porque precisava ele de dizer aquelas coisas?&lt;br /&gt;Que se vê naquelas fotos? Floresta, soldados, mortos e feridos. Coisas paradas como se não tivessem alma. Uma foto não apanha o cheiro da minha G3, não apanha a dor, não apanha o último pensamento do soldado que vai morrer.&lt;br /&gt;Em que pensou o Bento, quando estava debruçado sobre a mina como se estivesse a rezar? Que foto pode guardar isso? Será que o furriel vai mostrar essa foto a alguém e depois vai dizer "Este gajo morreu logo", como fazem os caçadores com os troféus de caça?&lt;br /&gt;Depois rebentou a emboscada e eu descarreguei a G3 para o capim. Não sei se matei alguém. Só apertei o gatilho.&lt;br /&gt;Eu disparava a G3, e ela trabalhava afinadinha como uma máquina de costura. Ta-ta-ta-ta. Era tão fácil. Ta-ta-ta-ta. Costurava o medo.&lt;br /&gt;Depois: silêncio. Quando penso nisso, fico com a ideia que desde então não se passou nem se disse nada, só silêncio. Alguns vultos a passar à frente da luz, mas eu encandeado, não distingo mais nada. Não sei se me estou a lembrar da guerra ou do pesadelo da guerra. Há luz a mais, não vejo bem o que se passa. Ficou um vazio cheio de uma luz que cega. E esse vazio tem vozes e gritos tão dolorosos que eu não os ouço. Tem dores e medos tão assustadores que eu não vejo os rostos das pessoas assustadas.&lt;br /&gt;Às vezes eu sei que é um pesadelo, um pesadelo apenas, mas quero acordar e não sou capaz. Quero sair dali, quero vir embora e não é possível; a gente vai à guerra e nunca mais sai de lá. Nunca se regressa de África. Nunca se regressa da guerra, Zulmira.&lt;br /&gt;Que medo é este? Que dor é esta que Deus, por piedade de mim, me impede de conhecer? Sinto que não é um medo meu. Sinto que é o medo de todos os mortos da guerra, todos juntos, a sentirem medo de si próprios.&lt;br /&gt;Só me lembro do furriel a tirar fotos, o Bento ajoelhado, a cara do Costa desfigurada, eu a disparar a minha G3 para o capim, tal e qual a máquina da minha mãe. A costurar o medo. E enquanto disparava não sentia medo, nem raiva, nem nada. Será que morreu alguém por causa disso? Será que matei alguém?&lt;br /&gt;E depois o silêncio. Um silêncio como uma luz que encandeia. É esse silêncio que me mata.&lt;br /&gt;Não matei ninguém, os turras eram fantasmas, estavam lá apenas para nos meterem medo a nós, e nós estávamos lá também só para assustarmos esses fantasmas.&lt;br /&gt;Ta-ta-ta-ta!&lt;br /&gt;Era só a máquina de costura da minha mãe. Ta-ta-ta-ta.&lt;br /&gt;Ninguém morria com uma máquina de costura, pois não mãe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-70954839783862335?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/70954839783862335/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=70954839783862335&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/70954839783862335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/70954839783862335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/12/nunca-se-regressa-de-africa.html' title='Nunca se regressa de África'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/y4aqsxj0WSY/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-1032968842989567504</id><published>2011-11-10T03:12:00.002Z</published><updated>2011-11-10T03:27:58.832Z</updated><title type='text'>Encontros e desencontros</title><content type='html'>&lt;iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/9BDY1dWvzJA" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;Neve&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não hei de amar a neve que há de cair amanhã. Haveria de amar vê-la cair contigo a meu lado. Nada neste mundo é belo ou feio, é apenas mundo. A beleza está em eu poder dizer-te isto enquanto a neve cai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Janela&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Passo à tua porta.&lt;br /&gt;A tua janela entreaberta. A luz coada pela cortina. Entre a janela e a parede um risco nítido de luz. Às vezes, a luz quase se apaga porque a tua sombra se projeta na janela.&lt;br /&gt;Passo à tua porta.&lt;br /&gt;A solidão é uma noite com a tua janela inacessível e a tua sombra nela. Entre essa sombra e eu há um espaço vazio, um infinito sideral, a irreversibilidade de um momento já passado.&lt;br /&gt;Passo à tua porta…&lt;br /&gt;Agora que conheço o teu quarto, a tua janela já não tem mistério nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Miragem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não há um tempo para nós. Não há um lugar para nós. Somos duas metades de duas peças diferentes que nenhuma oportunidade unirá. Cada um de nós é o sonho do outro, mas na vigília é que sabemos o quanto dói entender a impossibilidade de ser feliz e ter imaginação.&lt;br /&gt;Mas é por isso que o nosso amor é perfeito. Nada pode pôr fim de facto ao que ainda não começou senão em desejo.&lt;br /&gt;Se nos tivéssemos amado livremente e saciado os nossos corpos famintos, que fome nos restaria para nos continuarmos amando? Que outros caminhos tomaríamos nesta busca incessante pela miragem a que pusemos o nome de felicidade?&lt;br /&gt;Os amores bem sucedidos morrem lentamente, como a tarde morre no crepúsculo, sofrendo em cinzento com a saudade do dia colorido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Despojos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sinto claramente que cheguei tarde. Tens um ar de fim de festa, como se já tivesses gasto todo o champanhe e agora estivesses a água mineral para a ressaca.&lt;br /&gt;As tuas palavras são de náufraga e as tuas roupas, pousadas no corpo com negligência, criam em mim a imagem de despojos de uma batalha abandonados à pilhagem.&lt;br /&gt;Tentas um sorriso que morre antes de se ver, e não te ocorre uma única palavra que possa salvar este encontro.&lt;br /&gt;Há, no entanto, nesse teu desalinho, uma poesia crepuscular, uma beleza sobreviva que comove, como o sol em certas tardes dramáticas de outono a oferecer a última reserva de calor.&lt;br /&gt;Sinto claramente que cheguei tarde, ou então, não soubeste esperar por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Bipolaridade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Tudo é uma coisa e o seu contrário. Tudo vale pela sua presença, tanto quanto pela sua ausência. Crescemos sucumbindo ao prazer, mas é superando a dor que somos grandes.&lt;br /&gt;Desgraça e fortuna, amor e ódio, derrota e vitória fazem-nos de igual modo viver intensamente, e, nesse ganho de intensidade, é que crescemos para além da mera cápsula de gozo a que nos reduz a monótona fiada de prazeres que parece ser a promessa de felicidade.&lt;br /&gt;É por isso, percebes? …que distante, estás às vezes mais perto que as pessoas que chocam comigo no passeio.&lt;br /&gt;É por isso, percebes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ternura&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ele ajeitou duas farripas de cabelo sobre a calvície, e constatou o insucesso no espelho da pala do carro, enquanto um vulto volumoso de mulher atravessava a rua na sua direção.&lt;br /&gt;Ela olhou de relance a sua própria imagem na parede de vidro do Hotel, conformada com a sua silhueta elefantíaca.&lt;br /&gt;Da esplanada do café alguns olhares medem-lhe o volume do corpo e nem sonham a menina frágil que ali vai. Um coração delicado em busca de um pouco de ternura e prazer.&lt;br /&gt;Ele sai do carro, numa agilidade precária. O coração bate a descompasso, mas não é uma arritmia, é um coração de adolescente antecipando a aventura.&lt;br /&gt;Sorriem.&lt;br /&gt;Que pintor conceberia um quadro onde aqueles dois corpos fossem o símbolo da paixão? E no entanto daqui a pouco, no quarto do hotel, esgrimirão todos os gestos do prazer. Mas depois, exaustos, vão olhar a descompostura dos seus corpos nus sobre a roupa em desalinho, sem o adorno da beleza, e um enjoo tomará conta do resto da tarde.&lt;br /&gt;Ao separarem-se de novo, um relance de ternura promete uma futura redenção do prazer. Mas ela passa junto à parede de vidro do Hotel olhando para o outro lado, e ele recolhe a pala do sol antes de entrar no carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Poesia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A minha avó vinha aqui à travessa da rua da loja consultar o Sr. Augusto enfermeiro. O Sr. Augusto enfermeiro era na verdade o médico da aldeia. Eu esperava sentado no chão empedrado da travessa da rua da loja, que fazia as vezes de sala de espera, e achei o livro. Não era grande o livro. Parecia um pequeno taco de madeira suja, de folhas grossas.&lt;br /&gt;"Não faças teu o que não é teu" era o aforismo da minha mãe para que procurasse sempre o dono das coisas que encontrasse e assim perdesse o prazer da descoberta e os favores da fortuna.&lt;br /&gt;Guardei o livro com o gozo de quem lança mão de um furto e todas as noites o olhava secretamente, tentando interpretar as manchas de tinta que sabia chamarem-se letras.&lt;br /&gt;Fui entendendo o que estava escrito à velocidade com que fui aprendendo a ler. Letra a letra, palavra a palavra.&lt;br /&gt;Mas um conjunto de palavras não é um texto, como um conjunto de ramos não é uma árvore. Tem sempre que haver um tronco comum para que as palavras façam sentido. Esse tronco demorou tanto a aparecer que as palavras ficaram soltas na minha memória antes de lhes ter captado o sentido.&lt;br /&gt;As palavras bailavam na minha mente. Não eram uma história, eram um bailado de palavras.&lt;br /&gt;Tenho hoje a certeza: a poesia nasceu em mim, muito antes de eu saber ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Vazio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nunca vi partir um vapor de um cais pela neblina da manhã, onde viajasses, para ir ter com o homem da tua vida enquanto eu ficasse, de cabelo escorrido pela morrinha matinal, olhando as insignificâncias do ancoradouro para não sentir o vácuo que o vapor ia deixando no meu peito, à medida que se afastava.&lt;br /&gt;Nunca vi partir um vapor, porque deixaram de existir antes de eu ter nascido, sinto apenas esta saudade, como se tivesse a memória de ter visto partir um, contigo lá dentro. Partires de uma estação de caminho de ferro no TGV, não seria a mesma coisa; a rapidez tira drama à vida. E até os amores impossíveis precisam de um tempo certo, e, vermos afastar-se um vapor numa manhã de nevoeiro, enquanto a morrinha matinal nos escorra o cabelo, a acentuar o desgosto, é ainda mais doloroso que ver-te partir, porque partires é algo teoricamente reversível; e uma esperança, embora tão ténue e efémera como o fumo do vapor que a morrinha dissolve antes de chegar a mim, ficaria a unir-nos; porém, ver um vapor afastar-se lentamente, quando já não existem a não ser no nosso imaginário, é mais do que doloroso, é simbolicamente doloroso, o que quer dizer que será a conjunção de todas as dores dentro de mim e não apenas a dor de te perder.&lt;br /&gt;A dor de ver-te partir teria ao menos o conforto de ser o reverso de um momento hipoteticamente feliz que, pelo menos na minha memória, ainda persistiria para preencher o vazio que iria crescendo com o tempo e com a distância.&lt;br /&gt;Mas para preencher este vazio não há anverso desta dor, porque não há vapor, nem partida...&lt;br /&gt;Nem tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Indignados&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ganhaste direito a escolher, mas não a escolher os que te tiram esse direito; que ao tirarem-to, no-lo tiram a todos. A liberdade é um conceito biunívoco, sistémico e inalienável; quem a use para a destruir perde-lhe o direito, ainda que constitua a maioria.&lt;br /&gt;Chegou a altura de te dizer isto, porque a tua desistência da liberdade começa a ameaçar a nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Metáforas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O que quer que haja de corsa em cada passo que dás, o que quer que haja de gaivota no modo como dizes "Vamos?", o que quer que haja no que quer que seja em ti, não explica nada do que sinto.&lt;br /&gt;Não há uma boa metáfora para o teu encanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Milagre&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Era de vagar que falávamos:&lt;br /&gt;– Desde quando, mãe?&lt;br /&gt;– Desde que senti o teu coração bater pela primeira vez.&lt;br /&gt;– E como era isso?&lt;br /&gt;– Era um milagre.&lt;br /&gt;– E nunca perdeste a esperança?&lt;br /&gt;– Muita vez.&lt;br /&gt;– E depois?&lt;br /&gt;– E depois a esperança nascia de novo, como quando senti o teu coração pela primeira vez.&lt;br /&gt;(Era de amor que falávamos.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-1032968842989567504?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/1032968842989567504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=1032968842989567504&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1032968842989567504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1032968842989567504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/11/neve-nao-hei-de-amar-neve-que-ha-de.html' title='Encontros e desencontros'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/9BDY1dWvzJA/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8407534682517851126</id><published>2011-09-11T22:05:00.005+01:00</published><updated>2011-09-11T22:14:42.762+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mueda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Crónica de uma operação falhada</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Texto de José Raimundo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-Vha7fESerYM/Tm0iwtSx8YI/AAAAAAAAAlw/c_Q8FtbYGtk/s400/1-25_Mueda%2B-%2BOp.%2BRel.-a%2Bmata1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651211327607271810" style="float: left; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; cursor: pointer; width: 400px; height: 262px; " /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[...] A manhã estava fresquinha e o orvalho existente na vegetação ia penetrando pelo camuflado, mas o sol começava a raiar tornando aquela caminhada silenciosa em algo surreal, pois ninguém dizia fosse o que fosse, e a coluna movimenta-se como sombras ora mais rápida em campo aberto ora mais lenta em zona densamente arborizada ou com muito capim. Cerca das sete da manhã a coluna parou. Que aconteceu, perguntam lá de trás, nada, responde-se da cabeça da coluna, apenas temos um milheiral pela frente. O Tubarão, elemento que seguia na cabeça da coluna ao sair de uma zona arborizada depa&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;ra-se com uma plantação de milho de grande extensão e parou. Chamou o Raimundo à frente o qual observou o milheiral que teria forçosamente mais de dois metros de altura e concluiu que o melhor para seguir em frente era atravessar a plantação, solução que foi aprovada pelo Capitão e a marcha seguiu. A companhia esteve toda dentro do milheiral e cerca de 100 homens em fila indiana ainda representam uns bons metros podendo-se aquilatar por aqui a extensão daquela plantação. À medida que iamos avançando no atravessamento do milheiral começamos a distinguir uns sons os quais estavam cada vez mais próximos e que eram nada mais nada menos do que vozes de homens conversando animadamente. Feita a respectiva transmissão para a traseira da coluna, no sentido de haver o máximo cuidado e evitar todo e qualquer barulho fomo-nos aproximando do fim do milheiral. Quando a cabeça da coluna aí chegou, Raimundo e Tubarão pararam, agacharam e mediram a envolvência. A mata desenrolava-se novamente a cerca de cinco-dez metros do fim da plantação do milho, pelo que haveria de se ter o maior cuidado na travessia do campo descoberto. À esquerda do local onde atingimos a orla do milheiral havia uma espécie de banca, com alguma dimensão, repleta de abóboras e outros produtos agrícolas que certamente estavam ali a secar. As vozes ouviam-se mais para a esquerda dessa banca, mas deveriam estar a uma distância relativamente curta tal a nitidez com que se chegavam até nós. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com o máximo cuidado mas também com a rapidez possível numa situação daquelas embrenhamo-nos na mata tendo toda a coluna feito a transposição sem qualquer problema. As vozes iam agora desaparecendo aos poucos e poucos. E também pouco a pouco a companhia foi avançando na mata rumo ao objectivo. O sol começa  a apertar e o ritmo da marcha abrandava um pouco. Perto da oito da manhã chegamos ao local onde em tempos, por altura da operação Nó Górdio, tinha estado estacionada uma bateria de artilharia, pelo que aproveitando o local, foi dada ordem de paragem para descansar. O pessoal espalhou-se pelo terreno, aproveitando os “buracos” dos obuses ou estendendo-se ao longo de um trilho que ali passava, e enquanto uns apenas descansavam outros comiam, outros dormiam ou pelo menos tentavam e outros ainda, escondendo-se nas traseiras de qualquer árvore ou arbusto ali existente satisfaziam as suas necessidades fisiológicas. O local onde tinham estacionado os obuses era, como não podia deixar de ser, uma clareira, onde apenas alguns arbustos e capim tinham crescido naquele espaço, pelo que dada a sua largueza foi aproveitado pelo Capitão e pelos furriéis para fazer uma breve “reunião” tendo em vista o ponto de situação, finda a qual cada um voltou à sua posição.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Escrito 39 anos depois dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Texto de José Raimundo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2011/09/cronica-de-uma-operacao-falhada_11.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8407534682517851126?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8407534682517851126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8407534682517851126&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8407534682517851126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8407534682517851126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/09/cronica-de-uma-operacao-falhada.html' title='Crónica de uma operação falhada'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Vha7fESerYM/Tm0iwtSx8YI/AAAAAAAAAlw/c_Q8FtbYGtk/s72-c/1-25_Mueda%2B-%2BOp.%2BRel.-a%2Bmata1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-1007088127455998283</id><published>2011-09-04T19:07:00.016+01:00</published><updated>2011-09-21T19:11:20.918+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enfermeiras pára-quedistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>A Enfermeira que vinha do céu – Final</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tvQwK0t04UA/TmPAMDCNq2I/AAAAAAAAAlM/PJVE4YhUlHw/s1600/Enf.%2BParaq.%2BPiedade%2BGouveia.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 261px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-tvQwK0t04UA/TmPAMDCNq2I/AAAAAAAAAlM/PJVE4YhUlHw/s400/Enf.%2BParaq.%2BPiedade%2BGouveia.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5648569670858287970" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-3L0nrlN3in4/TmgRmKe-KCI/AAAAAAAAAlc/nwDTH05ZF88/s1600/Mueda%2B-%2BHospital%2B-%2BEvacua%25C3%25A7%25C3%25A3o.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="width: 400px; height: 261px; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649785079883245602" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-3L0nrlN3in4/TmgRmKe-KCI/AAAAAAAAAlc/nwDTH05ZF88/s400/Mueda%2B-%2BHospital%2B-%2BEvacua%25C3%25A7%25C3%25A3o.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Custam-me a sair as palavras. Era assim que acontecia sempre que morria um dos nossos. Uma coisa sem sossego no peito e nós todos calados de os olhos postos no chão.&lt;br /&gt;Mas se nos calarmos, que seja por pouco tempo, o minuto cerimonial e mais nada, depois falemos, contemos a toda a gente quem foi a enfermeira paraquedista Piedade Gouveia. Ela merece ser recordada de cabeça levantada e em continência, como só os verdadeiros heróis merecem.&lt;br /&gt;Chamei-lhe "A enfermeira que vinha do céu" e todos os soldados que um dia combateram perceberam logo porquê.&lt;br /&gt;Um dia foi-lhe confiada a minha vida, e na meia hora mais dramática que vivi até hoje, a Piedade cuidou dela com desvelo.&lt;br /&gt;Eram dias dramáticos, tinha-se um sentimento de vida à beira do abismo, de experiência limite, e todos nós, os que combatíamos, obrigados ou não, sentíamos, pelo menos durante algum tempo, que cumpríamos um dever inelutável.&lt;br /&gt;Outros momentos dramáticos se sucederam neste país limítrofe, sempre à beira de um abismo qualquer; mas ser combatente não é só ter capacidade para pegar em armas, e o exemplo das enfermeiras paraquedistas, as únicas mulheres combatentes na guerra colonial, ensina-nos como a coragem para enfrentar o perigo e o medo, e a generosidade e a disponibilidade para com os outros, podem salvar-nos a todos do recorrente abismo. Nós que as conhecemos, não deixemos que os portugueses se esqueçam disso.&lt;br /&gt;Hoje partiu a enfermeira que vinha do céu. Vai só.&lt;br /&gt;O héli que a leva não regressará com ela para nos salvar quando tombarmos de novo. Ficámos mais sós também.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Leia também sobre esta enfermeira paraquedista:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://cacimbo.blogspot.com/2006/02/o-cndido-sorriso-de-gioconda.html"&gt;&lt;b&gt;Um Sorriso de Mulher&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/07/enfermeira-que-vinha-do-ceu.html"&gt;&lt;b&gt;A Enfermeira que vinha do Céu&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-1007088127455998283?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/1007088127455998283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=1007088127455998283&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1007088127455998283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1007088127455998283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/09/enfermeira-que-vinha-do-ceu-final.html' title='A Enfermeira que vinha do céu – Final'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-tvQwK0t04UA/TmPAMDCNq2I/AAAAAAAAAlM/PJVE4YhUlHw/s72-c/Enf.%2BParaq.%2BPiedade%2BGouveia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-900347737170766596</id><published>2011-09-02T01:47:00.001+01:00</published><updated>2011-09-02T01:50:27.341+01:00</updated><title type='text'>A Mulher na Praia</title><content type='html'>&lt;b&gt;Texto de José Caseiro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;A notícia de que havia mortos preocupou-me, pelo algo estranho que senti quando os hélis estavam a passar por mim, minutos antes. Tendo um bom relacionamento com o 1º sargento do hospital, na primeira oportunidade que tive fui pedir-lhe que me deixasse ver os nomes dos feridos e dos mortos que tinham dado entrada naquele dia, na esperança de não encontrar lá o nome do meu amigo.&lt;br /&gt;Foi um choque enorme, um nó na garganta, uma raiva. Foram mil e um pensamentos e palavrões que dirigi naquele momento aos autores da morte daquele meu amigo de infância, quando li o seu nome na lista dos mortos.&lt;br /&gt;Pedi para ir ver o corpo mas não foi possível, porque tinha ido para a casa mortuária e esta já se encontrava fechada.&lt;br /&gt;Bastante abalado fui para a flat escrever um aerograma a uma pessoa amiga e vizinha dos pais do falecido, aerograma que levaria, em média, quatro a cinco dias a chegar ao destino, pensando eu, que quando o aerograma chegasse, os pais já eram conhecedores da morte do filho, e aquele aerograma seria a explicação de como aconteceu, o que, segundo a informação que me deram, com a explosão, foi projectado, e ao cair, bateu com a cabeça numa pedra e teve morte imediata. Só que o aerograma chegou no mesmo dia que os dois telegramas que foram enviados aos pais, o primeiro da parte da manhã a dizer que o filho tinha sido gravemente ferido e o segundo da parte da tarde a dizer que não tinha resistido aos ferimentos e tinha falecido.&lt;br /&gt;A pessoa amiga a quem escrevi, quando chegou a casa depois de um dia de trabalho, deparou com os vizinhos aos gritos e com os pais em pranto pela morte do filho, esteve um pouco junto deles e foi depois para casa, onde só então viu na caixa do correio o meu aerograma. Diz-se que as más notícias correm velozes, mas quando chegam todas ao mesmo tempo, fazem pensar que o destino é demasiado cruel.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Texto de José Caseiro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2011/09/mulher-na-praia.html"&gt;Leia o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-900347737170766596?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/900347737170766596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=900347737170766596&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/900347737170766596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/900347737170766596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/09/mulher-na-praia.html' title='A Mulher na Praia'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6821191194621251081</id><published>2011-08-07T16:28:00.006+01:00</published><updated>2011-08-08T01:26:45.232+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gripe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim; As estações do ano'/><title type='text'>O Recobro da Primavera</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/g8RuXsrqumQ" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;A chuva a atormentar as folhas da laranjeira, e dentro de casa a ideia que o mundo é diferente: um conforto de mantas e escalfetas e a ausência do vento, só a chuva impotente de encontro às vidraças. O Inverno acaba por passar para os corpos. Os pés e as mãos a escaldarem em frente do lume e um frio cá dentro ainda. O rádio a crepitar estalidos com uma música de piano lá no fundo, tão no fundo, que parecem dois mundos também, o dos ruídos e o da música.&lt;br /&gt;A minha mãe de termómetro na mão a ler o tamanho da minha gripe. O meu pai à porta, à espera de ler nos olhos dela o que ela lê no tubinho de vidro. E depois eu a ler nos olhos dele o que ele leu nos dela.&lt;br /&gt;A minha mãe sacode a minha gripe do tubinho. Sacode, sacode e olha desanimada para o meu pai.&lt;br /&gt;– 39!&lt;br /&gt;– 39?!&lt;br /&gt;– 39.&lt;br /&gt;Esta casa é tão alegre quando não chove. Na sala, os retratos de antepassados defuntos não me tiram os olhos de cima, mas quando não chove nascem flores no cachepô da mesa.&lt;br /&gt;Agora a chuva lá fora a criar bolor nas paredes cá dentro, a humidade a desenhar figuras nas paredes.&lt;br /&gt;Olhando de certa maneira:&lt;br /&gt;– Um cão, mãe.&lt;br /&gt;De outra:&lt;br /&gt;– Uma pomba.&lt;br /&gt;– É a febre, meu filho.&lt;br /&gt;Devia faltar pouco para o Carnaval, porque chegada a noite, lá fora, alguém usava um funil de almude como megafone para lançar pulhas ao namorado de uma vizinha, enquanto um coro ao lado uivava a cada provocação:&lt;br /&gt;– É verdade! É verdade!&lt;br /&gt;E na sala, os defuntos pendurados nas paredes sem tirarem os olhos de mim.&lt;br /&gt;Muitos anos mais tarde, haveria de substituir os retratos todos por telas sujas de tinta com títulos inteligentes para serem tomados por obras de arte. E a minha mãe dividida entre a saudade dos olhos dos defuntos e o afeto pelas minhas manchas de tinta.&lt;br /&gt;Mas nessa altura, ainda, os olhos da minha bisavó, pendurada na parede acima da cómoda, a olharem-me pela frincha da porta. E a aflição das folhas da laranjeira. E os dedos esqueléticos da figueira a lutarem com o vento. E o inverno no interior do corpo, embora tanto calor no rosto. E a minha avó a insultar a gripe:&lt;br /&gt;– Aquela cadela que não o larga!&lt;br /&gt;O sono era um delírio com as cores da vigília em negativo. Só que o quarto não tinha paredes e a mesma imagem teimosa a repetir-se vezes sem conta: um rio de tintas escuras e eu a afogar-me, a afogar-me. Depois desapareceu tudo e passou uma eternidade. Ou um instante, tanto faz; quando se perde a noção do tempo, tanto faz.&lt;br /&gt;Acordei.&lt;br /&gt;E quando acordei, a cabeça tão leve, uma dorzinha de fome tão boa, os sons da rua a enfeitarem o silêncio, uma voz que se aproxima lentamente, tão lentamente. Que passa e continua lentamente, tão lentamente.&lt;br /&gt;As pessoas vão-se levantando e os ruídos da casa repentinos, estremunhados.&lt;br /&gt;Alguma coisa mudou no mundo e não foi só a minha febre, a minha dor de cabeça, a preguiça que me dissolvia todos os músculos do corpo. Sinto uma lucidez que me vem de fora. Da luz que altera as cores do quarto, dos sons que parecem decididos.&lt;br /&gt;Tudo parece ter um propósito qualquer.&lt;br /&gt;Havia um ruído indeciso que desapareceu. Havia uma velatura amorfa que se dissolveu. Uma humidade pesada que enxugou, deixando a superfície das coisas nítida e sólida.&lt;br /&gt;Mas a luz ainda húmida.&lt;br /&gt;Um dedo da figueira toca na vidraça um código de morse a anunciar que algo alegre se aproxima.&lt;br /&gt;Não havia mais música que o som da bigorna do Ti Zé e o perfilar das vozes que vinham todas do lugar e se dirigiam todas para o campo. Primeiro só algumas madrugadoras sem pressa, depois em maior número como um coro no compasso certo, e por fim as tardias, que passavam quase a correr. Não havia mais música do que isso, e se houvesse seria de mais, porque uma alegria amanhecia no corpo, uma euforia de festa que entrava com a luz da janela e que tornaria toda a música desnecessária.&lt;br /&gt;A minha mãe à porta num júbilo de puérpera a ver-me despertar. A minha avó arrependida da imprecação da véspera:&lt;br /&gt;– Aquela cadela! Que deus me perdoe.&lt;br /&gt;O meu pai a aliviar da memória o agouro da pneumónica e a lutar com uma lágrima embaraçosa.&lt;br /&gt;Em breve eu livre dos abafos e das portas fechadas. Em breve a corrida por entre as vozes dos meus pares como um coelho entre coelhos, como um pardal entre pardais.&lt;br /&gt;Será que só retive o essencial ou era tudo verde? Recordo quando muito uns pingos de amarelo sobre o trevo, e umas erupções de púrpura na bungavília que enfeitava com as suas flores de papel o muro do Senhor Afonso Bandarra. Ali, eu sabia um ninho de pintassilgo. Sabia eu e o gato da Ti Maria Adôa.&lt;br /&gt;Uma madrugada, os gravetos e a penugem no chão e uma pintassilga quieta num ramo. Uma comoção de pólen no nariz e lágrimas de alergia nos olhos; ou então, eu a entender o júbilo de puérpera da minha mãe.&lt;br /&gt;Nada acontecia de especial em Aguim quando chegava a Primavera. Tirando o arraial do São José. Uma festa meio cristã meio pagã. As bandas a tocarem ao despique e uma parelha de cavadores a desenterrarem a Pedra-da-sesta.&lt;br /&gt;Mas quando a Pedra-da-sesta ficava ali à espera da festa do Castro para ser enterrada de novo e os coretos, desfeitos no chão em despojos de palmas e açucenas, davam a ideia de que se travara ali um combate, regressava o sentimento de que todo o som era quase música, e que mais música seria de mais; a não ser, às vezes em dias muito especiais, quando o Sr. Manuel da Leonarda decidia acompanhar ao violino o concerto do Ti Zé na bigorna.&lt;br /&gt;Nada acontecia de especial porque o Sol fazia a festa sozinho. Que tinha o Sol da minha infância que nunca mais o vi assim? Nascia mesmo por detrás do Monte Grande e já vinha em festa, e punha-se ainda alegre atrás da torre da capela.&lt;br /&gt;À noite apetecia dormir e de manhã apetecia acordar. Tudo estava certo na Primavera.&lt;br /&gt;Na verdade, tudo me parece ter estado certo nesse tempo. É costume, quando se olha o que já aconteceu, porque as coisas más já não podem fazer-nos mal; como quando olhamos pelo retrovisor desvalorizando as derrapagens perigosas que fizemos e amando já a estrada percorrida.&lt;br /&gt;E nesta viagem em que parei algumas vezes para corporizar esse amor, as cidades foram as minhas verdadeiras amantes: Coimbra, a mulher tricana de todos os meus dias. Lisboa, a promíscua, tão fiel de dia e tão infiel de noite. Hamburgo, a altiva, com as suas cicatrizes de guerra a ensinar-me que há vida depois da morte. Mueda, a grande prostituta, onde desci ao mais baixo patamar da humanidade, que me levou quase tudo e que apesar disso me deixou, não sei em que parte de mim, um amor fatal e doloroso. E Aguim. Aguim trigueira, tisnada do sol, elevada sobre uma colina para parecer mais alta, onde tudo o que há em mim nasceu.&lt;br /&gt;Nasceram as palavras na sua pronúncia um tanto abrupta no início das frases e cantada nas vogais finais, e, onde não havia vogais, a acrescentar um i.&lt;br /&gt;Nasceu a música. O violino velho do meu pai de onde só saía o som dorido da única corda sobreviva, e o milagre da metamorfose do ruído em música, quando em dias especiais o violino do Sr. Manuel da Leonarda transformava a bigorna do Ti Zé Sécio no mais glorioso timbale que se pode conceber.&lt;br /&gt;Nasceu esta minha fidelidade de rafeiro doméstico pelos meus amigos, que julgava tão poucos, e afinal muitos; tanto que, vão morrendo já e continuam meus amigos.&lt;br /&gt;E nasceu esta minha paixão de gato vadio pelos becos e pelos telhados, pela tessitura prolixa das cidades e pelo deslumbramento da Natureza; tanto quanto me lembro, desde que via o Sol a erguer-se por detrás do Monte Grande já em festa e ainda convalescente do Inverno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;in a="" href="http://aguimemmim.blogspot.com/2011/08/as-cinco-estacoes-do-ano-em-aguim.html"&gt;In "&lt;a href="http://aguimemmim.blogspot.com/2011/08/as-cinco-estacoes-do-ano-em-aguim.html"&gt;As Cinco Estações do Ano em Aguim&lt;/a&gt;"&lt;/in&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6821191194621251081?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6821191194621251081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6821191194621251081&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6821191194621251081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6821191194621251081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/08/o-recobro-da-primavera.html' title='O Recobro da Primavera'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/g8RuXsrqumQ/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-213171865733954722</id><published>2011-07-08T01:12:00.006+01:00</published><updated>2011-07-08T02:29:11.568+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dia de Reis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ex-combatentes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prostituta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Diário inconstante – 2011</title><content type='html'>&lt;iframe width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/3jd8px4WLSk" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Janeiro, 6&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Da fundura do tempo a memória do Dia de Reis, na época em que me cabia a tarefa de desmanchar o presépio. O presépio era uma versão íntima de uma cascata S. Joanina, e o Menino Jesus ainda não tinha envelhecido ao ponto de parecer um pantomineiro de feira com a sua cara de bêbado e barbas de franja de reposteiro, e para cúmulo do mau gosto, envergando um pijama garrido oferecido pela Coca-Cola.&lt;br /&gt;Um dia, lá em casa, por alturas do início da minha escola primária, substituímos as figuras da Natividade por um profano píncaro de pinheiro, esgrouviado e meio torto, enfeitado com neve de algodão e uns penduricalhos de plástico, e rendemo-nos modestamente ao consumismo capitalista. E o Menino Jesus envelheceu subitamente e tornou-se no Pai Natal, com aquela cara de avô gaiteiro. Que mão é esta que reduz todas as coisas que nos enfeitam a vida a objetos sem alma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fevereiro, 6&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;– Os soldados, os homens que um dia combaterem, têm dias assim, em que ficam de olhos parados procurando a distância…&lt;br /&gt;– Vocês fazem isso por terem saudade dos combates?&lt;br /&gt;– Não minha filha, os combatentes não têm saudade dos combates, têm saudade de si mesmos enquanto combatiam.&lt;br /&gt;– Então não deviam procurar a distância com o olhar, deviam procurar dentro de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fevereiro, 10&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Há anos que não vinha aqui. Parei o carro e subi a vereda do Monte Grande. Tudo parece pequeno, como acontece com as árvores de Natal: nós crescemos e elas ficaram com o tamanho da infância.&lt;br /&gt;Caminho, ouvindo as pedras a gemerem debaixo dos ténis. Conheço esta música. Sorrio, porque não tenho medo agora.&lt;br /&gt;No outono de 74 vim aqui um dia só para cheirar a urze, ouvir o sussurro do pinhal e fumar um cigarro, e entrei em pânico. As pedras a gemerem debaixo dos pés, e eu ali num trilho deserto, sem arma, sem companhia.&lt;br /&gt;O chão era o nosso inimigo e as picadas de Cabo Delgado traiçoeiras. Não se pode lutar contra o chão, cada passo era um ato heroico de sobrevivência.&lt;br /&gt;Levei anos a reconciliar-me com os caminhos e as veredas.&lt;br /&gt;Só de longe em longe, quando me apanha distraído, ainda a visão das goelas carnívoras da Terra abocanhando-me uma perna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Março, 8&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os dedos que o cigarro alonga. Uma história que deve vir de tão longe, e de há tanto tempo que são mais as fantasias que as memórias. Uma história que passa por aquela mesa da pastelaria da Avenida e vai continuar até a vida ser um cansaço insuportável.&lt;br /&gt;Um fio de fumo soprado quase na vertical e uma perna esticada devagar, numa provocação um pouco menos que elegante, atraindo os olhares dos homens.&lt;br /&gt;Os olhares dos homens fazem parte da sua forma de vida.&lt;br /&gt;Um dedo negligente no bordo do copo dá a impressão que o resto está ausente: corpo e mente. E um olhar de loba sobre o rebanho. Uma loba olhando os cabritos como se avaliasse o valor nutritivo de cada um deles.&lt;br /&gt;Quando o olhar passou por mim, senti-me reduzido a um almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Março, 28&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;– As fotos são momentos que ficam presos no papel para sempre. Uma ínfima parte da vida de uma pessoa a desafiar a eternidade…&lt;br /&gt;– Mas nessa foto não se vê ninguém, para que serve então?&lt;br /&gt;– Serve, minha filha, para lembrar o local onde morreram soldados numa guerra.&lt;br /&gt;– É um local triste, achas que ficou assim por causa dos soldados que morreram?&lt;br /&gt;– Não é o que acontece num local que o torna triste, minha filha, é a tristeza que fica em nós que nos faz vê-lo assim.&lt;br /&gt;– Então não devias tirar fotos a lugares onde morreram soldados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Abril, 13&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Paúl de Santa Cristina. A serra sobranceira torna a aldeia mais pequena. Ali há uma casa que tem uma nesga de terreno a servir de pátio. Ao canto do pátio um limonete encosta-se à parede da casa e lança pela janela de um quarto o seu perfume eternamente fresco.&lt;br /&gt;Ninguém vive há muitos anos nessa casa, ninguém dorme já naquele quarto. Será que ainda lá está sobre a cama o colchão de farpelas de milho e a travesseira de sumaúma?&lt;br /&gt;Acordar com o suavíssimo cheiro a erva seca da sumaúma, o odor intenso a aparas de madeira das farpelas de milho e o perfume cítrico do limonete e ter pela frente as Férias Grandes, convidava a não fazer nada.&lt;br /&gt;Pobres dos que nunca aprenderam a amar a vida por terem sempre que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Abril, 18&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Era mais ou menos aqui que estava a bomba do arco de ferro. O corpo cilíndrico da cobertura do poço escondia um mundo misterioso e subterrâneo. Ainda se sente a calma das tardes de verão, em que a vida à superfície do mundo, na sua aparente inconsequência, de vez em quando alterava levemente a substância das coisas. Tenho a certeza que a luz era mais doce. Tenho a certeza que o relógio do tempo tinha outros vagares. Tenho a certeza que se vivia mais; não porque os anos fossem mais numerosos, mas porque os segundos eram mais longos, muito mais longos.&lt;br /&gt;O Tempo anda à velocidade por que passamos pelas coisas, e, no tempo em que havia aqui uma bomba de arco de ferro, eu não passava; vivia aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Junho, 4&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;– Não há a menor equidade neste mundo, por isso é que as desgraças não estão melhor distribuídas.&lt;br /&gt;– Mas nós já tivemos bem a nossa conta, Manel. Dizias tu, parecendo não te conformar com a teoria.&lt;br /&gt;E eu sempre pessimista: – Quando ultrapassamos uma desgraça o contador volta ao zero e tudo começa de novo, sem respeito nenhum pela equidade.&lt;br /&gt;Depois olhámos meio pasmados o casario, naquela arquitetura de mau gosto da Solum e ficamos ambos com pena de eu ter razão.&lt;br /&gt;Finalmente remataste com aquele teu jeito impaciente: – Pois, anda!&lt;br /&gt;Agora veio a notícia. Como o som sinistro de uma mina antipessoal. Ouvi a notícia e baixei-me um pouco como quando isso acontecia na guerra e um dos nossos era ferido.&lt;br /&gt;Passado o choque inicial a que a razão recusa habituar-se, ficou a sensação de que algo ficou a meio, uma conversa adiada, um lugar vazio à mesa. Porque me lembro só de coisas insignificantes? Parte um amigo e só me ocorre que me esqueci de lhe contar a última anedota, que lhe fiquei a dever um almoço. Deve ser o sentimento que me ficou do tempo da guerra, de quando os amigos me eram tirados a meio de uma conversa. Mas nessa altura não havia tempo para o luto, a guerra não respeita sobretudo os que caem. E a esta enorme distância dá a impressão que todos fomos abatidos na guerra, todos morremos um pouco. Mas a verdade, Padilha, é que nós sobrevivemos para podermos ser vítimas de novo, para morrermos de novo.&lt;br /&gt;– Também ganhámos alguma coisa na guerra. Dizias tu, com o teu otimismo teimoso.&lt;br /&gt;Eu torcia o nariz sem argumentos. Hoje reconheço: pelo menos tu ganhaste. Ganhaste esse aprumo e essa dignidade genuínas, que eu sempre achei falsas na tropa. Ganhaste uma verticalidade que na tropa é apenas arrogância. Mas sobretudo aprendeste, por contraste, a ser feliz na vida e a partilhar essa felicidade com aqueles de quem gostas.&lt;br /&gt;Gostaria de te dizer como Cantanhede saiu à rua para te acompanhar, como foram solenes as honras militares que te prestaram, como a tua mulher estava digna, como as tuas filhas são corajosas, como a tua neta estava linda. Devias ter visto, ias gostar!&lt;br /&gt;Não devia recusar-se uma última visão das coisas a que um homem dá valor.&lt;br /&gt;Que pena, Padilha, tinha uma anedota porreira para te contar. Agora fiquei com ela atravessada aqui na garganta e parece-me estúpida.&lt;br /&gt;Se calhar tens razão. Se calhar já tivemos a nossa conta. Se houvesse compaixão neste mundo uma desgraça por pessoa já bastava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Junho, 6&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Na estrada de Vale-de-Cide, daquele lado, onde o muro do arvoredo criava uma cabeceira em que apetecia encostar a cabeça para dormir a sesta, havia um pó finíssimo, sobre o qual os camponeses deixavam uma nítida impressão plantar a cada passada.&lt;br /&gt;Nessa altura homem e planeta eram uma comunhão. No meu egoísmo bucólico ignoro toda a dor precisa para imprimir cada uma daquelas pegadas na poeira da estrada morna, como borralha aquecida na fornalha do Sol.&lt;br /&gt;Hoje ninguém passa a pé naquela estrada com o peso de um dia de lavoura às costas, e sobre o alcatrão não há uma só marca humana.&lt;br /&gt;Há de haver uma forma de sermos felizes sem desumanizarmos o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Junho, 7&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;– Onde caíram os soldados, onde tombaram, onde o seu sangue tornou a terra vermelha, nascem às vezes flores…&lt;br /&gt;– Então porque não há aqui flores? Ninguém amava os soldados que morreram?&lt;br /&gt;– Não é por falta de amor que as flores não nascem, minha filha, é por não ser primavera.&lt;br /&gt;– E porque nascem os soldados, por ser inverno?&lt;br /&gt;– Não minha filha, os soldados nascem todo o ano, por falta de amor.&lt;br /&gt;– Então porque não nascem flores todo o ano em vez de soldados?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-213171865733954722?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/213171865733954722/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=213171865733954722&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/213171865733954722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/213171865733954722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/07/diario-inconstante-2011.html' title='Diário inconstante – 2011'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/3jd8px4WLSk/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-5413214316287526176</id><published>2011-06-26T13:21:00.005+01:00</published><updated>2011-06-26T14:31:44.842+01:00</updated><title type='text'>Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-HM4q9WdSoko/TgclCZTUEsI/AAAAAAAAAkY/xiryqoNa9O8/s1600/AntologiaPo%25C3%25A9ticaGuerraColonial.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 396px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-HM4q9WdSoko/TgclCZTUEsI/AAAAAAAAAkY/xiryqoNa9O8/s400/AntologiaPo%25C3%25A9ticaGuerraColonial.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622503382877213378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Organizada por&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Margarida Calafate&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Ribeiro&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Roberto Vecchi&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Publicada pelas Edições Afrontamento&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Enquadramento da obra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Entre 1961-1974 Portugal manteve com as suas então colónias de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau uma guerra, mobilizando perto de um milhão de homens e tocando praticamente todas as famílias portuguesas. A experiência da participação portuguesa neste evento de indefinida colocação historiográfica, quer pela denegação que oficialmente o caracterizou, quer pela radical reformulação geopolítica do país que a partir dele se engendrou com a descolonização, tornou este acontecimento um dos mais complexos, mas também um dos mais trágicos eventos da contemporaneidade portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A experiência colectiva e individual da participação dos portugueses neste evento teve, e continua a ter, o seu registo de expressão narrativa e crítica, e o seu registo estético nas mais variadas formas de arte – da pintura e escultura à narrativa, do cinema ao teatro, da música à poesia. Foi sem dúvida na literatura que este registo de reelaboração colectiva e individual do evento se tornou mais marcante, dando origem a cerca de uma centena de romances e a milhares de poemas. Esta poesia, de autores directa ou indirectamente envolvidos na guerra, e elaborada, ou no momento da vivência do evento bélico, ou em seguida, enquanto espaço de memória e de elaboração pós-traumática, foi objecto de estudo do projecto&lt;em&gt; Poesia da Guerra Colonial: “ontologia” de um eu estilhaçado&lt;/em&gt;, que decorreu nos últimos anos no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, sob orientaçao científica dos dois organizadores da presente &lt;span class="Apple-style-span"&gt;antologia &lt;/span&gt;e o financiamento da Fundação da Ciência e Tecnologia. A &lt;em&gt;Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial&lt;/em&gt; é o resultado visível deste projecto, reunindo mais de centenas de poemas de cento e oitenta poetas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/www.ces.uc.pt/eventos/index.php?id=3987&amp;amp;id_lingua=1"&gt;In sítio do CES&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;... incluindo o autor deste blog, com dois poemas: &lt;a href="http://textocompleto.blogspot.com/2006/11/o-cacimbo.html"&gt;O Cacimbo&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://textocompleto.blogspot.com/2005/01/nunca-voltarei-mueda.html"&gt;Nunca Voltarei a Mueda&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-5413214316287526176?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/5413214316287526176/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=5413214316287526176&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5413214316287526176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5413214316287526176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/06/antologia-da-memoria-poetica-da-guerra.html' title='Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-HM4q9WdSoko/TgclCZTUEsI/AAAAAAAAAkY/xiryqoNa9O8/s72-c/AntologiaPo%25C3%25A9ticaGuerraColonial.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-9102016959025349985</id><published>2011-06-14T20:55:00.013+01:00</published><updated>2011-08-22T18:14:31.684+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Telecomunicações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parquímetro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PIDE'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tropa'/><title type='text'>Estupidário II</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/XYgf0HL_5mQ" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Telemóvel&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um casal passa por mim. Ambos falando ao telemóvel. Falam, ela apreensiva e comedida, ele autoritário e exuberante. Fazem sinais para comunicarem entre si. Ele aponta o relógio de pulso a dizer que já é tarde, ela bate levemente no telemóvel e abre a mão em sinal de impotência. Ele estica o queixo em direção ao telemóvel dela a perguntar quem é, e ela abre a mão na direção dele a pedir que espere. E falam sempre para os seus contactos; ele autoritário, ela comedida. Passam por mim e dirigem-se para o parque de estacionamento. Antes de entrarem, cada um em seu carro, ele ainda aponta o indicador para ela e depois estica o polegar e o mínimo como se medisse a distância entre o ouvido e a boca, a pedir-lhe que lhe telefone mais tarde, e ela levanta o polegar a concordar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Seguem cada um para seu lado, com a certeza que estarão sempre em contacto, porque é facílimo falar com as pessoas ausentes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando terão tempo para sentir o tempo compartilhado como a água quieta de uma lagoa, e as palavras trocadas com todas as frequências da voz humana?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Alguém lhes diga que a voz humana não cabe na largura de banda de um telemóvel. Que a frequência que não se ouve e cria a ereção de todos os pelos do corpo precisa da intimidade sem intermediação; que o que a boca não diz e os olhos mostram se percebe apenas por uma diferença de estado de alma; que há coisas que se têm de dizer com o corpo todo e que precisam do co&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="color:green"&gt;r&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;po todo para ser entendidas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Que alguém lhes diga que há um tempo para isso, e que depois esse tempo passa e fica um vazio que levamos para todo o lado; uma viuvez sem o conforto da saudade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Chaves&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sabia exatamente onde guardavas as chaves: saías, fechavas a porta, mexias no tapete com uma mão só para enganar, e com a outra deixavas cair a chave num vaso. Será que suspeitavas que eu te espiava? Fazias isso tão distraída que a mão que se via melhor era a que levava a chave. Será que era uma precaução extra despida de qualquer critério?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apetecia-me ir lá, pegar a chave, devassar a tua intimidade, deixar pegadas por todo o lado e depois deixar a chave debaixo do tapete. Irritam-me as diligências inúteis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Hoje vi-te passar, ainda és bonita. Entras no carro, observas o bilhete do estacionamento, conferes no relógio que ultrapassaste o tempo pago, vais repor a diferença no parquímetro e depois vais embora deixando o estacionamento pago para ninguém.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fico a ver-te ir embora, com a certeza de que te espiava no passado apenas com a curiosidade com que se olha um macaco numa jaula.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Chato&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tomo a minha bica tentando fingir que presto atenção ao que o meu interlocutor diz. Fala comigo de política, invariavelmente&lt;span style="color:#D9D9D9"&gt; &lt;/span&gt;com um tom pedagógico, como se algures no seu passado lhe tivessem atribuído a incumbência de me converter a um credo estranho&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="color:green"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color:red"&gt; &lt;/span&gt;usando uma língua que nenhum de nós fala. O mínimo que posso dizer dele é que é um chato.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-pagination:none;mso-layout-grid-align:none; text-autospace:none"&gt;Quando tem oportunidade de projetar a voz para um número de vítimas que se assemelhe a uma assembleia, é que ele dá largas ao seu gosto doentio pelo discurso inflamado – no registo da cólera; na aceção que se usa para designar de "bebés coléricos" os recém-nascidos insaciáveis de mimo e que levam por vezes os pais ao suicídio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O seu conceito de progresso que&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;,&lt;/b&gt; como uma interminável epifania&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;,&lt;/b&gt;&lt;span style="color:green"&gt; &lt;/span&gt;tomou conta de toda a sua atividade intelectual pela vida fora, é uma confusão mental que nunca o deixou viver tranquilo. E a aridez dos seus ideais alimentou-se dessa truculência verbal, sem que ele nunca tenha sentido a necessidade de maiores explicações do que a redução do raciocínio à negação primária.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como se a capacidade de dizer não a torto e a direito, acusando ao mesmo tempo os nossos pares de todas as infâmias,&lt;span style="color:#A6A6A6"&gt; &lt;/span&gt;exigisse alguma coragem, ainda que mínima, sobretudo quando sabemos de antemão que podemos contar com a compaixão daqueles que afrontamos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É óbvio que confunde coragem com desfaçatez; a coragem leva um homem a correr riscos e a aceitar a consequência dos seus atos, a desfaçatez é a pulhice que pode levar um homem a matar pai e mãe, e depois a comparecer em frente do juiz reclamando despudoradamente clemência por ser um pobre orfãozinho abandonado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É sempre possível dizer tudo de todas as coisas; é sempre possível pôr em palavras o que não realizámos em atos; é sempre possível sentirmo-nos felizes com o que podia ter acontecido se tivéssemos tido a coragem de termos sido&lt;span style="color:green"&gt;, &lt;/span&gt;de facto, o que apenas fomos em discurso. E é possível contar com a distração dos outros, de modo a convencê-los por via do sentimentalismo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se se der o improvável acaso de leres estas palavras, deixa-me usar a tua argumentação preferida:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Não!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não, não basta de vez em quando subires ao púlpito da tua presunção lançando pulhas sobre os que trabalham para ti, na vil ilusão de poderes desculpar a tua indigência, como fazes com a poeira filosófica do teu discurso político, esse patchwork de citações mal assimiladas, para encobrir o vazio que te vai cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Orgasmo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela quer ser feliz, ele quer sexo. Dos dois, só ele vai sentir-se realizado, porque o sexo é uma coisa que toda a gente sabe o que é, a felicidade não.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele adormece depois do orgasmo porque se sente farto, ela fica acordada porque apenas teve prazer e não sabe se era isto que queria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A felicidade é sempre algo que desconhecemos, algo que fica sempre um passo além do horizonte alcançável. Felizmente que nunca a encontramos, para que valha a pena ficarmos acordados a perguntar se era isto que queríamos. Nunca passará de uma lúcida dúvida pós orgástica enquanto ao nosso lado alguém mais estúpido adormece satisfeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Bestialidade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E no Palácio soaram de novo as nossas vozes. O nosso castelo – disse o Maia. Para ali, cobardemente, nos apontou as armas o Jaime, ou lá quem era ele; mais uma corja de escravos domesticados, fazendo instantaneamente de nós heróis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É esse o destino destes robertos caceteiros na sua pantomima patética de feira – matraquilhos fardados, teimosos bonecos de corda com alma de trapos, rancorosos derrotados dos verdadeiros combates, desertores de todas as nobres causas da vida, fraca imitação de gente, arreganhando a dentuça de rafeiros, a mostrarem a sanha por nos julgarem indefesos – é esse o seu destino: fazerem-nos sentir a que enorme altura a sublime humanidade nos eleva, muito, muito acima da sua torpe bestialidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Explosão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O cabo Bento era um vulto verde-sujo lá à frente. Um joelho no chão e dobrado sobre si, como um crente em oração. Olhou a mina anticarro por um instante antes de se mexer. O coração dele acelerou e as mãos abrandaram. Cada segundo continha um dia de vida, cada pequeno gesto consumia a atividade mental de uma obra ciclópica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não esperávamos ouvir aquela explosão, que aconteceu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nunca entendemos o que aconteceu quando morre um dos nossos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ficámos a olhar o lugar onde o cabo Bento devia estar, até a poeira assentar e ficar visível na picada, o buraco negro da sua ausência, marcando o nível zero da compaixão divina.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Fealdade&lt;span style="color:#0070C0"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na homenagem a Otelo ouve-se de repente alguém dizer de si próprio e da sua participação na Guerra Colonial: "Eu era da secreta", e depois com a voz embargada pela autocomiseração perguntar ao herói de abril qualquer coisa sobre o financiamento dos terroristas. Não param de me surpreender estes zombies erguidos do túmulo fascista para emporcalhar com o seu insuportável fedor os atos democráticos de gente asseada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Está bem, deixemo-los usar a liberdade que nos negaram, porque lhes somos superiores, mas não podíamos ao menos oferecer-lhes um espelho para que morressem de nojo com a sua letal fealdade?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Troika&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O que foi que nos escapou? Não estava previsto tudo isto? Não ouvimos nunca dizer que isto ia acontecer?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas os previsores económicos e os analistas políticos, cuja profissão é fabricarem as nossas opiniões, não continuam no seu poleiro mediático como se a crise não tivesse vindo provar que não nos servem para nada?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto nos preparam para pagar as dívidas que foram avalizadas pela sua incompetência, lá continuam eles cheios de cisma com o seu ar didático a explicarem-nos agora o que uma minoria de entre nós já assegurava antes, seguros de que lhes daremos novamente atenção e crédito, porque contam com a nossa comprovada estupidez.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se tivéssemos alguma inteligência&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;,&lt;/b&gt; deveríamos mandá-los todos para o desemprego.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E os nossos responsáveis políticos? E os nossos agentes económicos? Que deveríamos fazer com eles?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Garanto-vos que não iremos fazer nada, porque o mal dos nossos políticos e capitalistas não é serem políticos e capitalistas nem mentirosos e ladrões, é serem ainda mais incompetentes e estúpidos do que nós.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Felizmente que há sempre uma troika que vem ensiná-los a mentirem-nos e a roubarem-nos com competência e inteligência, poupando-nos à humilhação de aceitarmos o castigo por cobardia.&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 12pt; "&gt;Uff! Que alívio! Já podemos fingir que está tudo bem sem nos sentirmos ofendidos no nosso amor-próprio.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-9102016959025349985?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/9102016959025349985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=9102016959025349985&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/9102016959025349985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/9102016959025349985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/06/estupidiario-ii.html' title='Estupidário II'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/XYgf0HL_5mQ/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-9071105444157327706</id><published>2011-05-14T15:14:00.007+01:00</published><updated>2011-06-14T20:55:25.786+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='perfume'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sexo'/><title type='text'>Volúpia dos cinco sentidos</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/Z2VkhdW6Kqw" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;Olfato&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Não há uma palavra para o odor do teu corpo; não o teu perfume feito de modulações complexas como uma sinfonia de aldeídos florais, mas o odor do teu corpo por debaixo do teu perfume, com este vestindo-o, cobrindo-o, mas não completamente; deixando à transparência, que a nudez desse odor fresco, fresco mas não por uma questão de temperatura, antes por uma questão de viço, consiga perceber-se, embora apenas levemente, como a nudez de um corpo sob uma túnica de seda fina, ou como uma música que se ouvisse por conseguir atravessar o manto esparso, composto pela tessitura dos ruídos da rua, e viesse despertar em mim a sensação de que o dia voltou a amanhecer, e que algo de inesperado, como uma notícia há muito aguardada e já esquecida de todo, acabasse de ser anunciada, de tal modo, que despertasse em mim esta alegria infantil, e tão inocente que me apetece seguir-te por entre os cheiros dissonantes que emanam das casas e as fragrâncias harmoniosas que se soltam das flores, com o propósito de partilhar essa alegria contigo, só porque sinto que o teu odor é irmão do meu; irmão não: parceiro; algo que me falta e que sobra em ti, ou algo que em mim é convexo e é em ti côncavo, assim como duas mãos que se entrelaçam, como se dançassem, não que alguma vez tivéssemos dançado, não; mas o teu odor parece ter notas musicais que fazem balançar algo em mim, e no entanto há um silêncio no teu odor que me tira a lucidez e me atrai, como o abismo atrai o suicida, como a luz atrai o inseto; porém, agora que falo nisso, se o teu odor tem luz, é aquela luz irreal que existe nas praias frias do Norte, uma luz que não faz sombra, e onde as pessoas, ao imergirem da água, parecem só alma, mal interrompendo a bruma do mar, como o teu odor mal interrompe a torrente de cheiros da rua; mas está presente, ou antes: flui, e isso dá-me uma esperança infinita, como o caminho dá esperança ao caminheiro errante, quando, depois de cansado da lonjura, sente que chegou a hora de regressar a casa, porque nele se fará a viagem de regresso, como pelo teu odor se pode fazer a viagem para ti, sobretudo quando o banho ao fim do dia te despe do teu perfume e te deixa só com o teu odor, um odor que o banho não consegue tirar totalmente, apenas suaviza, deixando-te mais exposta aos meus sentidos; mal comparando, como se sobre ti apenas pousasse um desejo, e esse desejo é feito desse teu odor sem nome, esse odor que te aumenta a nudez, como uma praia matinal na maré-baixa, à mercê do vento, parece mais desamparada, sobretudo, se ainda emana da areia, quase impercetível, o hálito fresco do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Visão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Falavas, e a bem dizer eu não te ouvia, distraído pelos movimentos dos teus lábios e pela forma como sobre a fronte uma pregazinha de pele franzia e alisava, alisava e franzia; para além de estar intrigado pela humidade que se formava junto às têmporas, a fazer adivinhar que se formariam ali, muito em breve, algumas gotículas de suor que tornariam o teu rosto ainda mais sensual; porém, eram os teus lábios que me atraiam mais; embora me surpreendesse que os teus olhos parecessem mais claros agora sob o efeito da luz, assim, entre a cor de avelã e o pistáchio, isto é, um castanho que de tão doce ameaçava esverdear um pouco, a sugerir a tua remota origem celta, ou quem sabe a querer denunciar algum invasor napoleónico que tivesse impregnado a paleta dos teus genes quando se aboletou na casa de alguma distante trisavó tua durante a guerra peninsular, porque mais nenhuma feição nórdica se vislumbra nos teus traços gerais, a não ser talvez na tua tês demasiadamente clara, já que em tudo o mais são predominantes as características trigueiras dos povos mediterrânicos; e daí, talvez nem seja tanto assim, porque há qualquer coisa de oriental no amendoado dos teus olhos que agora me encararam mais, ao mesmo tempo que o teu rosto ganhou uma iridescência de malmequer em que tivesse incidido um raio de luz do sol, talvez porque eu tenha respondido a alguma pergunta tua com um disparate qualquer, por não ter prestado atenção ao que dizias, embevecido que estou pelo encanto do teu rosto, e agora ainda mais, que se acendeu essa luz nele, ao sorrires; que persiste, dado o meu embaraço ao constatar que não prestava atenção ao que dizias, porque estava lendo cada gesto teu, todas as cambiantes da luz nos teus olhos e a mínima mudança de volume sob a pele do teu colo, onde as carótidas pulsam a um ritmo cada vez mais acelerado, levando-me a pensar que o teu ritmo cardíaco aumentou por teres adivinhado que o meu também aumentara, só de nos olharmos um ao outro; o desejo &lt;i&gt;mise en abîm&lt;/i&gt;e, como dois espelhos frente a frente, que se multiplicam reciprocamente, ao infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Audição&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A tua voz à beira-sonho afaga-me, e embala-me, à medida que os meus olhos adormecem, enquanto a mente ainda lúcida apenas se solta um pouco do corpo e se liberta; um tudo-nada como o riso liberta a alma, e nem a censura do bom senso segura a imaginação, de tal maneira, que parece que estou em queda livre por dentro da tua voz; como se houvesse abismos e tentações em cada palavra, que tivessem o sortilégio de redimir em vez de condenar, fosse qual fosse o credo, fosse qual fosse o deus; isto é, ouço a tua voz quando estou neste meio transe, e não há perdões impossíveis: mouros e cruzados ajoelhados numa expiação de todos os crimes mutuamente cometidos ao longo dos séculos, numa comunhão ecuménica que convocasse todo o perdão, mas tudo por dentro da tua voz, tudo a viajar no som das tuas palavras, que chega até bem dentro de mim; não apenas como ondas acústicas, mas como uma vibração da alma, em todas as frequências possíveis, desde a ternura até ao gozo, desde o júbilo até à mágoa, mas tudo de uma forma serena, mais serena ainda que uma asa de ave na noite calma, riscando a pele virgem de um lago sob o rosto complacente da lua, e tudo na tua voz; tal como o apelo do mar, misterioso e antiquíssimo, desde os nossos egrégios avós, aumentando o conceito do longe e da aventura e a ânsia louca de chegar, de chegar seja onde for, só pelo prazer de chegar a algum lado, e tudo na tua voz; na tua voz como numa viagem, onde imagino navegantes seguindo as estrelas, pela noite do desconhecido; na tua voz como numa partida onde eu, perdido numa praia deserta, ouvisse o orgasmo do mar e ardesse com o ciúme de ver partir as caravelas, enquanto ficasse para trás, longe da ação e da aventura, triste e só, masturbando-me ao luar; e tudo, tudo, na tua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tato&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Conheço-te melhor desde o dia em que o teu braço roçou no meu, nem sei se roçou, mas imaginei que sim, pelo menos eu senti uma pequena corrente elétrica subindo até algures na coluna cervical; sim, logo abaixo da nuca, onde ainda hoje sinto prazer quando me tocas, embora depois percorra todo o corpo, mas é dali que emana, especialmente, se não estou a contar que uma mão tua me procure imitando uma gaivota pousando numa arriba como prenúncio de mar bravo, quando ainda a água está calma e os pensamentos distraídos não passam de albatrozes sentados no vento, e é aí que subitamente tudo se agita, porque as tempestades começam quando essa primeira gaivota poisa em terra, quando ainda ninguém espera que o dia se embrulhe todo como um turbilhão de corpos em luta, tal e qual como acaba por acontecer connosco algum tempo depois de nos tocarmos, e depois que um pequeno choque elétrico liga não sei que interruptor logo aqui abaixo da nuca, o que é estranho, porque quando sou eu a procurar a superfície da tua pele, tudo parece tão lúcido em mim, tão lúcido que cada milímetro quadrado é um continente inexplorado, tão lúcido que sinto os teus poros na polpa dos dedos ao percorrer os vãos e desvãos do teu corpo, mal te tocando, não te tocando mesmo, apenas cada mão minha imitando uma ave de rapina em voo rasante sobre a pradaria, não sentindo tu nada, senão por um movimento no ar, senão por uma diferença de temperatura; nem tanto: apenas por uma troca subtil de eletrões entre a minha pele e a tua; ou menos ainda: só pela atração universal da matéria, tão impercetível que nem dá para acreditar que arquitete o Universo todo, e a nós faça com que, perdidos no vácuo cósmico deste quarto, sintamos a gravidade da Terra em cada dedo; de tal forma, que todos os frutos já maduros do teu corpo anseiem por ser colhidos, e a minha fome de tocá-los, não ainda de colhe-los ou de comê-los, mas apenas de tocá-los, crie este magnetismo entre fome e fruto, o que me convence que nós somos um todo, apenas aguardado a conjunção dos nossos corpos, enquanto desde o interior de cada um de nós cresce esta vontade incontrolável de contacto, em mim de dentro para fora, e em ti de fora para dentro, como um vórtice que ora gira para um lado ora para o outro, conforme se encontre de um ou de outro lado do equador, e se alimenta a si próprio até todas as forças eólicas se equilibrarem, mas antes há a tempestade, antes há a agitação, e ainda antes de tudo isso há o toque quase inadvertido do teu braço no meu que desperta em mim a certeza de te conhecer desde sempre, e aciona a ignição de todo o desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Paladar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Acordei na tua boca como fruto intumescido e ardente.&lt;br /&gt;Eu indefeso, tu felina devorando a minha carne eminente.&lt;br /&gt;Tanto prazer até dói.&lt;br /&gt;A tua alma girou dentro do teu corpo como se a Terra invertesse a polaridade.&lt;br /&gt;Neste beijo excêntrico, o que em ti é sul, é norte em mim, cumprindo a lei da atração dos contrários.&lt;br /&gt;Flor carnívora, que esmagas em mim a corola rubra do teu corpo, a que me sabes tu?&lt;br /&gt;Ostra ou açafrão?&lt;br /&gt;E a que te saibo eu?&lt;br /&gt;Jasmim ou maçapão?&lt;br /&gt;Tu em equilíbrios de fogo e gelo. Eu tentando suster a espiral de uma galáxia.&lt;br /&gt;De um lado desfaleces desfolhada, do outro espirro desfeito.&lt;br /&gt;Acabamos, tu pétala a pétala sob o meu rosto, eu gota a gota no teu peito.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(Segundo a nova ortografia)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-9071105444157327706?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/9071105444157327706/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=9071105444157327706&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/9071105444157327706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/9071105444157327706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/05/volupia-dos-cinco-sentidos.html' title='Volúpia dos cinco sentidos'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/Z2VkhdW6Kqw/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3222345622895090651</id><published>2011-04-11T19:36:00.007+01:00</published><updated>2011-06-14T20:54:56.504+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim; As estações do ano'/><title type='text'>O Deslumbramento do inverno</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/nkvLq0TYiwI" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;O cavaco de cerne fumarento preso na pinça da candeia de lata nunca deixava a Ti Maria Adôa às escuras.&lt;br /&gt;As sombras assombrando as paredes.&lt;br /&gt;A imagem de uma família humilde a comer as batatas da ceia sentada na minha memória para sempre. Um dia reconheci-a num quadro de Van Gogh.&lt;br /&gt;Em minha casa a luz elétrica faltava sempre quando era mais precisa. Virá ainda hoje? Não virá? A incerteza à luz de uma vela é sempre mais vacilante, e as sombras do cavaco de cerne a mudarem-se para as paredes da minha cozinha.&lt;br /&gt;Se não chovesse eu dava uma corrida até ao Rebelho para ver o Ti Zé Quiaios a manejar os fusíveis da cabine elétrica como um organista a puxar os registos de um órgão de igreja. O Ti Zé Quiaios era quase cego, com os olhos dilatados pelas lentes de cu de garrafa, mas as suas mãos tinham uma precisão de milímetros. Ou era ele que conhecia a cabine elétrica, ou então era a cabine que o conhecia a ele.&lt;br /&gt;– Ai no auguentas? Espera aí que já cospes!&lt;br /&gt;A ferramenta e a mão, o nervo e a eletricidade, a cegueira e a luz. Tudo tão irmanado. Tão afeiçoados um ao outro homem e máquina. E Aguim iluminava-se por fases e apagava-se por fases, e os fusíveis a estourarem, e o Ti Zé Quiaios a reforçar os bornes. Uma luta; não uma luta: um jogo. Um jogo não: um namoro, uma sedução mútua entre a tecnologia e a humanidade; porque nesse tempo a tecnologia casava com a humanidade.&lt;br /&gt;Quando Aguim finalmente ganhava a cintilação dos presépios, o Ti Zé Quiaios regressava a casa dele vitorioso, e eu à minha deslumbrado.&lt;br /&gt;Os invernos eram eternos. E dava a ideia que começavam sempre antes do tempo. Eternos, porque quando ainda não conhecemos suficientemente o presente, ele parece não ter fim; a eternidade é apenas a ignorância dos limites. Habituámo-nos ao verão e de repente o tempo a tomar balanço no outono para a chuva nos apanhar desprevenidos.&lt;br /&gt;– Podia esperar que apanhássemos os cachos da Casqueira.&lt;br /&gt;O meu avô e o clima poucas vezes estavam de acordo, mas o meu avô já sabia de mais para se deixar surpreender; só os inocentes têm esse privilégio.&lt;br /&gt;O inverno, na verdade, começava muitas vezes a meio do outono, como a morte começa a meio da vida. Quando começamos a morrer? Sei lá! Mas há sempre uma primeira chuvada que nos estraga a vindima, uma chuvada que nos apanha sempre desprevenidos. Acho que era por isso que o meu avô não gostava do inverno.&lt;br /&gt;Vista do alpendre do pátio a vida na rua era um filme.&lt;br /&gt;O Ti F'lipe batendo com um maço na madeira e transformando uma molhada de aduelas numa pipa de vinho. O novo aprendiz de pé sobre um dos tampos a segurar as aduelas pelo interior como uma margarida de pétalas abertas, enquanto por fora o Ti F'lipe as ia fechando. Quando a margarida se fechava, nascia uma tulipa de madeira que surpreendia o aprendiz, preso lá dentro aos berros.&lt;br /&gt;O Ti Zé Sécio com uma enorme tenaz encaixava um aro em brasa numa roda de um carro de bois. Batia-lhe com o malho à vez com dois ajudantes. O fogo a dilatar o ferro, os malhos a domá-lo e a água a contraí-lo em torno da roda; tudo envolto em fumo, vapor e algazarra.&lt;br /&gt;O Ti Antóino Mateus dedilhando os vimes como um tocador de harpa, e quem havia de dizer que aquela harpa de vimes ia acabar num poceiro para a vindima!&lt;br /&gt;Tudo tão vivo, tudo tão animado. Uma coreografia que olhada assim de perto parecia não ter outro propósito que deslumbrar o meu olhar. Mas olhando de perto nunca se percebe bem o propósito da vida; só muitos anos mais tarde percebi tudo numa ópera de Verdi.&lt;br /&gt;No enquadramento do portão, Aguim desfilava num traveling rápido, com uma banda sonora ao vivo. O Ti Zé Sécio ferreiro nos metais, do Ti F'lipe tanoeiro nas madeiras e o Ti Antóino Mateus cesteiro nas cordas. E a voz de falsete da moça serrana a fazer as camas de lavado sob o olhar oblíquo do meu avô. – Andas-me muito delambida… – Enquanto passava a carda com vagares de barbeiro no lombo do cavalo.&lt;br /&gt;Aos primeiros pingos, a chuva fazia acelerar o filme do portão do pátio, com as pessoas a fugirem e a falarem mais alto, mas logo a abrandarem de novo conformadas. Um saco de estopa com um dos cantos encaixado para dentro do outro, e pronto, aí está um capote reforçado. A chuva molhava à mesma mas pelo menos dava-se-lhe luta.&lt;br /&gt;E nisto o assombro dos trovões. A minha avó a dizer uma ladainha elevando a voz à medida que a trovoada aumentava, não fosse Santa Bárbara não ouvir bem por causa do barulho, e a confirmar se a cruz de alecrim benzida no Dia de Ramos estava atrás da porta para afastar todos os agouros.&lt;br /&gt;E resultava, porque a trovoada afastava-se e ia fazer barulho para outro lado. E depois ficava a chuva apenas, e o som da chuva parecia silêncio.&lt;br /&gt;– Ela é cá precisa.&lt;br /&gt;– Podia esperar que apanhássemos os cachos da Casqueira.&lt;br /&gt;– Este ano vai ter menos grau.&lt;br /&gt;– Pró ano começamos mais cedo.&lt;br /&gt;As conversas à lareira da cozinha do forno só faziam sentido para os adultos. Falavam para si próprios como se estivessem sós, mas cientes de que se falassem todos a mesmo tempo, as várias solidões se uniriam para criar uma confraternidade. Mas eu acho que era o encantamento do lume na lareira que tornava aquelas sombras taciturnas nos rostos luminosos da minha família. O lume a fazer gemer as cavacas molhadas. Às vezes um estalido e os tições a aconchegarem-se uns aos outros. E a trovoada tão longe agora que a ladainha da minha avó era só por mera precaução um simples tremelicar dos lábios.&lt;br /&gt;Dias e dias, noites e noites, sem parar. A chuva era eterna também. Passada a surpresa, as coisas permaneciam para ficar, não davam um único indício de que teriam um fim. Havia lagos no Largo do Sobreirinho e rios que desaguavam na minha valeta. A água era uma constante à face da terra.&lt;br /&gt;Mas uma noite, todo aquele dilúvio acalmava como um pranto de viúva esgotada de mágoa e resignada ao vazio do corpo.&lt;br /&gt;Primeiro começava por nos surpreender o silêncio. O silêncio é o que ouvimos quando termina um ruído. Agora o silêncio era o xilofone das gotas grossas dos beirais a baterem nas latas à porta da oficina do Ti Zé Sécio. O vento norte foi-se embora desvairado pelo Caminho dos Poços abaixo e a noite sossegava finalmente. E logo mais, a madrugada acordava sem outro sobressalto que a brisa a trazer consigo os primeiros frios.&lt;br /&gt;Um vidro a cobrir a água do tanque, a bomba de alavanca que não deitava uma gota, o cavalo a resfolegar na cavalariça, os gatos em novelos pelos cantos e a minha mãe a enchouriçar-me de roupa. Eu tinha que caminhar de braços e pernas abertas por causa das várias camadas de pano que me transformavam numa cebola ambulante.&lt;br /&gt;– Cuidado com as correntes de ar.&lt;br /&gt;Em minha casa nunca havia duas portas abertas ao mesmo tempo. Para mudar de divisão tínhamos os cuidados de um mergulhador na câmara de descompressão de um submarino.&lt;br /&gt;Em breve o frio e a geada passavam a ser eternos também.&lt;br /&gt;E lá faltava a luz de novo.&lt;br /&gt;Logo aparecia uma vela acesa mas quase tudo ficava na escuridão, porém, as coisas importantes sobressaíam a esta luz. Acho que é daí que vem a crença que é mais romântica. Se foi esta incapacidade de ver para além de certos limites que nos permitiu criar a conceção de infinito, foi ela também que nos permitiu criar a da intimidade. Se não, de onde me vem esta ideia de que jantávamos abraçados uns aos outros?&lt;br /&gt;E a luz voltou. Apagávamos a vela e as baratas regressavam ao pátio. E quando nos preparávamos para continuar a ceia, voltava a falhar a luz e acendíamos a vela de novo.&lt;br /&gt;E eu imaginava o Ti Zé Quiaios quase cego enrolando e desenrolando fios nos bornes dos fusíveis, pontificando do seu púlpito da mais avançada tecnologia a eterna luta entre a luz e as trevas, e a dizer sentencioso: – Ai no auguentas? Espera aí que já cospes!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana; font-size: small; "&gt;&lt;em&gt;(Escrito segundo o acordo ortográfico)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3222345622895090651?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3222345622895090651/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3222345622895090651&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3222345622895090651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3222345622895090651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/04/o-deslumbramento-do-inverno.html' title='O Deslumbramento do inverno'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/nkvLq0TYiwI/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-4660701415884302583</id><published>2011-03-04T19:26:00.007Z</published><updated>2011-06-14T20:47:55.677+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coimbra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>A caminho do Norte</title><content type='html'>A tarde numa tristeza de pássaros pousados num fio elétrico. Pousados como uma fiada de farrapos abandonados, com o vento norte a levantar-lhes a ponta das penas. Um prenúncio de tempestade nos pingos de chuva esparsos. Grossos e tão esparsos que parece possível passar por entre eles sem nos molharmos. Mas não há pássaros nem chuva, de onde fui eu buscar isto agora?&lt;br /&gt;Porém, eu sinto a tristeza na tarde, sinto-a como se costuma sentir no quarto de um doente terminal – uma tristeza que se adivinha por ali pairando, um relento de moribundo que as visitas percebem como se fizesse parte da composição do ar.&lt;br /&gt;As pessoas passam umas pelas outras sem se verem. Estranhas. Ausentes. Apetece dar um grito ou partir qualquer coisa para as acordar da apatia.&lt;br /&gt;Um sem-abrigo cabisbaixo, sentado no passeio, com a mão semiaberta pousada no chão. Uma mão cansada da indiferença dos transeuntes, onde se vê uma moeda de 50 cêntimos a pedir companhia, embora a mão semiaberta pareça recear que lha roubem.&lt;br /&gt;Um dia em África senti essa tristeza do ar, essa dor impessoal, esse abandono das coisas a divorciarem-se das pessoas, como se as pessoas lhes metessem medo. Foi daí que me veio isso à ideia agora; porque havia um fio elétrico com pássaros pousados como farrapos, e um prenúncio de tempestade nos pingos grossos da chuva. Grossos e esparsos. &lt;br /&gt;E ao meu lado uma prostituta oferecia-me suruma. Ao longe um pequeno grupo de pessoas rodeavam uma fogueira embora fizesse um calor de sufocar. &lt;br /&gt;A prostituta ora me oferecia suruma, ora me perguntava se eu estava com medo de ir para o Norte. Não – respondo à prostituta 38 anos depois – não tenho medo. Talvez amanhã tenha medo no meio dos tiros, mas agora não. Agora sinto que estou no meio de um romance, e que o autor acabou um capítulo inesperadamente; deixou a história em suspenso e prepara-se para falar de outra coisa só para aumentar a expectativa.&lt;br /&gt;Mas o que é verdadeiramente estranho, é que, 38 anos depois, o que me resta disso tudo seja apenas uma raiva incontida, não bem uma raiva, mais uma vontade de lutar, uma vontade de partir qualquer coisa para fazer as pessoas acordarem da apatia. Roubar os 50 cêntimos ao sem-abrigo para o obrigar a acordar também. Procurar um fio elétrico onde haja pássaros pousados e espantá-los à pedrada.&lt;br /&gt;Na Fernão de Magalhães o trânsito flui como uma coisa automática. Os peões atravessam as passadeiras quase a correr, parecendo temer ser assassinados pelos automobilistas. Ao meu lado na mesa da esplanada uma mulher tem o braço esquerdo esticado e olha as costas da mão enquanto faz rodar no anelar uma aliança de ouro. Uma chávena de café esquecida ao lado. No braço direito várias marcas roxas denunciam violência doméstica. Roda a aliança. A bica arrefece. O trânsito automático. Eu a contas com a tristeza de uma tarde na minha memória. O eco de uma prostituta perguntando se tenho medo. Sim – respondo à prostituta de novo – um medo a haver. Quando chegar ao Norte; agora não. Agora sinto que algo ainda distante me atrai, algo perigoso e fatal; mas imperioso, como só imperioso assim é um dever a cumprir. &lt;br /&gt;Quando passei pelas pessoas em torno da fogueira pareciam fantasmas, olhei ainda para trás e vi a silhueta da prostituta na luz amarelada da rua; a prostituta fumando suruma. Eu a caminho do Norte. Um prenúncio de tempestade. Uma tristeza como um componente do ar, para além do oxigénio e dos restantes 16 gazes principais. Com o tempo, estas coisas parecem mentira.&lt;br /&gt;Pensei: será que um dia vou sentar-me ao sol no meio de gente que goste de mim e me vou lembrar desta tarde como um pesadelo do passado? Mas não. Nunca me lembro dessa tarde em África quando está sol e eu estou entre amigos. Agora sim. Agora que as pessoas passam com pressa, como se fugissem de uma tempestade que ameaça cair sobre a cidade, ou dos automobilistas que as parecem querer assassinar. E dá-me a ideia que algo imperioso me chama, e que estou de novo a ir para o Norte, e que o romance só parou um pouco para mudar de capítulo.&lt;br /&gt;Mas aqui, na Fernão de Magalhães, não há romance nenhum, nem há um miserável fio elétrico onde poisem pássaros a criarem na nossa imaginação a impressão de que é o ar da tarde que tem tristeza na sua composição química, nem pessoas à volta de uma fogueira apesar do calor sufocante, nem uma prostituta de subúrbio a tentar adivinhar o medo da guerra escondido no coração dos soldados. &lt;br /&gt;Na esplanada da Fernão de Magalhães a mulher puxa a aliança um pouco e esfrega o local onde ela deixou uma marca no dedo, como os escravos faziam com as marcas das grilhetas. Puxa a aliança mas a aliança não sai. Contenta-se em esfregar a marca no dedo. A bica já fria.&lt;br /&gt;Aqui há apenas gente que não se conhece. Pedintes com medo que lhes roubem a moeda que usam como isco para atrair uma caridade que não existe. Parecem todos órfãos de uma esperança fora de validade que ainda não acordaram para a realidade de uma vida sem opções.&lt;br /&gt;Uma apatia que gera em mim esta vontade visceral de lutar, de pegar novamente numa arma, puxar a culatra atrás, depois soltá-la e senti-la introduzir a primeira bala na câmara, e ir defender o Império. Ter ao menos a ilusão de um dever a cumprir. Olhar em volta e ter a sensação que quem escreveu este romance estúpido acabou abruptamente o capítulo da esperança só para criar uma falsa expectativa.&lt;br /&gt;Depois, abrir um capítulo novo, ganhar coragem, e partir finalmente para o Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/DflFG9mD2Pw" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Segundo o acordo ortográfico)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-4660701415884302583?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/4660701415884302583/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=4660701415884302583&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4660701415884302583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4660701415884302583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/03/caminho-do-norte.html' title='A caminho do Norte'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/DflFG9mD2Pw/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7455656420361455102</id><published>2011-02-15T20:00:00.000Z</published><updated>2011-02-15T20:04:19.455Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Niassa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>A Viagem</title><content type='html'>Texto de José Caseiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia menos desejado chegou, era por volta das cinco, seis horas da tarde que as Berlliet e as Peugeot começaram a chegar e a ficarem alinhadas umas ao lado das outras, lá na parada do Quartel da Barra, já com a frente virada para portão de saída.&lt;br /&gt;Todos sabíamos que ainda era cedo, mas elas já ali estavam esperando por nós, se alguns já tinham as malas e os sacos prontos outros acabaram por dar mais um jeito nas suas coisas, porque dentro de poucas horas iria dar-se o início da viagem para Moçambique.&lt;br /&gt;À hora de jantar, a vontade de comer era pouca mas tínhamos que comer, porque íamos ter uma viagem de comboio durante toda a noite, era longa a viagem, e era necessário levar o estômago cheio.&lt;br /&gt;Após o jantar e um pouco de descontracção, chegou a hora da formatura já com as casernas abandonadas porque as malas já se encontravam nos camiões. Lá fomos para a formatura para nos desejarem boa sorte. Após o destroçar, começámos a dirigir-nos para os camiões, mas com pouca vontade de para eles subir, porque todos tínhamos a consciência que a partir daquele momento se iria dar o início da viagem para o inferno.&lt;br /&gt;A viagem do Quartel da Barra em Viana do Castelo até á estação dos caminhos-de-ferro foi curta, porque ficam perto um da outra. Pouco a pouco fomos descendo das Berlliet e das Peugeot, e com as malas e os sacos pendurados nos ombros, lá fomos caminhando devagar para dentro da estação, para encararmos aquele comboio ali parado á horas, esperando por nós. Quase se podia imaginar nele um ar sínico, como quem gozasse connosco; mas para ele era-lhe indiferente porque a sua função era levar-nos para Lisboa, e desde que até lá nada de mal nos acontecesse, assim ele se livraria de responsabilidades.&lt;br /&gt;Já dentro do comboio e antes de este começar a andar, comecei a notar algo diferente em relação a outras viagens de comboio que tinha feito enquanto militar. Recordo-me que quando ia para a Estação de Campanhã no Porto, para apanhar o comboio da meia-noite, ou o das onze horas, que eram comboios militares, notava um ambiente descontraído, alguns bebiam bastante cerveja e tocavam viola – e a muito mais coisas se assistia naquela Estação de Campanhã – mas nesta viagem nada disso se passava; embora se compreenda, que o motivo da viagem era outro, os militares muito pensativos. Só Deus sabe se alguns até iriam a rezar naquele início de viagem, que sabíamos seria longa mas não sabíamos se teria regresso.&lt;br /&gt;Mas não só isso se notava; notava-se algo mais, mas mais pesado que não sei descrever… sei lá! Talvez fosse a morte a fazer a sua escolha já ali no comboio dos que iriam morrer e não fazer a viagem de regresso.&lt;br /&gt;Foi uma viagem feita de noite, uma noite muita escura. Foram horas de viagem que dariam para pensar em muitas coisas, mas naquelas horas não se deve ter pensado em muitas coisas, porque o que nos ocupava a mente era aquela viagem mesmo, e o que seria de nós depois que ela terminasse quando chegássemos a Moçambique. Foi uma viagem sempre pensando no mesmo. As horas foram passando, o comboio foi andando e lá chegamos a Lisboa.&lt;br /&gt;Fomos para o Cais do Sodré. Aí, foi mais um reviver a despedida dos nossos familiares que tínhamos deixado em casa e que se sabíamos que não estariam ali.&lt;br /&gt;Ao verem tantos militares com os seus familiares e a chorarem, os que não tinham ali as suas famílias fugiam para um lugar onde pudessem estar sós para dar livre curso a mais umas quantas lágrimas e fumarem mais um cigarro, desejando que a família também lá estivesse para mais um abraço, um beijo, um adeus. Em casa, quando da despedia da família, quantos disseram que não era necessário irem a Lisboa, imaginando que seria sofrer duas vezes, mas aqueles que estavam ali com a família mais uma vez, mais uma vez sofreram e mais uma vez fizeram sofrer.&lt;br /&gt;Depois dá-se aquela imagem a que já estávamos habituados a ver na televisão, que era a subida pelas escadas para o barco com as malas e os sacos às costas, que no nosso caso era para o navio Niassa, com a convicção que a viagem para o inferno não começava ali, pois que já tinha começado em Viana do Castelo, e que, quando iria acabar é que ali não se podia saber.&lt;br /&gt;Já dentro do navio e com as malas e os sacos guardados, lá nos juntamos todos para mais uma vez dizermos adeus, alguns aos seus familiares, outros como não tinham lá a sua família, diziam adeus ao cais, à terra firme, àquilo que fora a sua vida até ali, a que davam um nome só: Portugal.&lt;br /&gt;Depois, cada um como podia tentava mostrar aos outros que estava ali forte para enfrentar fosse o que fosse, mas só Deus sabe como cada um passou aquela primeira noite a bordo do Niassa.&lt;br /&gt;A primeira de vinte e oito noites nos porões do Niassa nas condições mais degradantes que se podiam dar a um ser humano, quando, mobilizado para a guerra em África, o que precisava no mínimo era de um pouco de bem-estar.&lt;br /&gt;Foram vinte e oito noites a sobreviver naquelas condições, e que noite após noite se iam agravando; uma viagem que para muitos teve regresso e para outros não, viagem igual a tantas outras que foram feitas durante o período da guerra colonial, que hoje recordo, talvez por saber as condições que hoje os nossos militares têm, quando naquela altura não éramos mais que carne para canhão.&lt;br /&gt; Quando passo por um camião com animais para o matadouro vem-me sempre á memória aquela viagem onde homens, filhos do povo feitos soldados, feitos militares do exército português a que nos orgulhámos de ter pertencido, foram tratados assim mesmo, como animais a caminho do matadouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Caseiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7455656420361455102?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7455656420361455102/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7455656420361455102&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7455656420361455102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7455656420361455102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/02/viagem.html' title='A Viagem'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-5466585408244067136</id><published>2011-02-06T02:48:00.006Z</published><updated>2011-06-14T20:46:27.999+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PTSD'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Flash-back</title><content type='html'>&lt;iframe title="YouTube video player" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/Fx07A8dZAPU" frameborder="0" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;De repente, do nada: saudades da guerra.&lt;br /&gt;Porco e malcheiroso, de mãos sebentas, de G3 nas unhas, fuçando a mata virgem, cheio de fome e de sede, com raiva não sei de quê.&lt;br /&gt;Mais vinte e tal tipos como eu, em fila por entre o capim, mal falando uns com os outros, sabendo que cada passo dado nos aproximava da morte.&lt;br /&gt;Porque tenho saudades disto às vezes? Porque passo dias e dias a escrever, tentando pôr nas palavras que me visitam a recusa de qualquer visão romântica da guerra e de repente a memória me deita tudo a perder?&lt;br /&gt;Os helicópteros a largarem soldados dando a impressão que se sacudiam e que eles caíam de ambos os lados para o chão. E depois, vultos a correrem para a orla da clareira, encurvados, numa coreografia rude de hienas em matilha. Os helicópteros a ganharem altura, um após outro, como insetos pré-históricos, e alguns minutos de seguida, o silêncio feito das batidas dos nossos corações.&lt;br /&gt;Só a massa imensa da floresta à nossa frente. Quem nunca sentiu assim a mata, feita de muitos corpos, uns vivos e outros mortos e outros já apodrecidos, convivendo num corpo só, não faz a menor ideia do que estou a falar. Um corpo enorme que nos reduzia a simples vermes.&lt;br /&gt;Agora assusta-me esta ideia de ter sido verme a esburacar um ser vivo procurando outros vermes como eu para os matar, mas mentiria se dissesse que, talvez por causa de um qualquer elemento químico fazendo parte de mim, não sentia um instinto de felino em busca da presa, não por fome, não por ódio, mas por um desejo desconhecido qualquer, que me impelia para a frente, onde eu próprio poderia encontrar o meu fim.&lt;br /&gt;Não sei de maior desafio que o da superação do medo: encarar a exiguidade da margem que existe entre a probabilidade de sobrevivência e a do aniquilamento, e ter a consciência de que o desespero diminui essa margem; sentir um resquício de amor-próprio a impedir a perda de uma, ainda que aparente, dignidade; como um ator que representasse a coragem, mas correndo mesmo perigo, recusando, por presunção, um duplo. Por assim dizer, um ator representando a própria vida. Ou ainda por outras palavras: a coragem é sempre a fingir, porque sem medo a coragem é apenas um duplo que não sabe que a cena contém perigo.&lt;br /&gt;É tentador aceitar esta saudade que de repente me assaltou. Deixo que a minha memória me conduza até esse tempo em que me sentia do lado da razão, combatendo os inimigos do Império. Como nas aventuras da minha infância: eu, colono e pistoleiro combatendo os índios que teimavam em não gostar de nós.&lt;br /&gt;Perguntei muitas vezes, durante as minhas leituras infantis, porque não gostavam os índios dos colonos. Respondeu-me um dia o Sousa, sentado a meu lado num Hunimog. "Estão cá há mais tempo do que nós, furriel." Não lhe dei crédito, porque eu não tinha o instinto territorial tão desenvolvido como ele.&lt;br /&gt;Continuei por algum tempo mais a experimentar esse sentimento de incompreensão para com a obstinação de alguns indígenas em não gostarem de nós, o que alimentava a minha coragem de ator sem duplo ao serviço de um dever que se tornava desconfortavelmente cada vez mais abstrato. Que ganhava o Sousa, quando voltasse para a Bairrada, com a permanência de Cabo Delgado no Império Colonial Português? "Ganho o mesmo que você, furriel." Que instinto me faltou ali, quando ele me respondeu assim, para não lhe dar crédito de novo?&lt;br /&gt;Será que todos e cada um dos soldados que combatiam em África deveriam saber exatamente porque arriscavam a vida? Ou ter em conta que migalha do Império lhes caberia como recompensa?&lt;br /&gt;Eu, aqui sentado numa cadeira da esplanada do Café Santa Cruz, olhando as pessoas distraídas a viver, sem procurarem razões para os seus atos, acho agora essa questão ingénua. É-me claro agora que a um soldado se pede que aceite dar a vida por uma razão que o transcende quase sempre. O que ainda verdadeiramente me intriga é a facilidade com que ele aceita, pois que os refratários e desertores são normalmente em número desprezível, mesmo tendo em conta que por vezes é mais perigoso desertar do que continuar combatendo.&lt;br /&gt;É certo que o soldado é sempre pouco mais do que uma criança, e que a ignorância do que o espera contribui para que ele se deixe mobilizar, mas mais ainda do que aceitar a mobilização, surpreende-me a facilidade como que ele se torna um matador.&lt;br /&gt;Ali em baixo passam inúmeros jovens de vinte e poucos anos, estudantes e empregados de serviços a quem criaria um pânico incontrolável, a ideia de pegar numa arma e matar alguém; mas, se o estado precisar, eles fá-lo-ão; como a esmagadora maioria dos jovens de vinte e poucos anos, de todas as épocas, de todos os países do mundo, quando o estado lhes diz para o fazerem. E a nenhum deles o estado se dá ao trabalho de explicar muito bem porque é que o devem fazer. Se o estado não precisa de fazer esse trabalho na hora da mobilização é porque esse trabalho já deve estar feito. E deve ser algo tão simples que nem damos por isso.&lt;br /&gt;Talvez seja preciso apenas ativar um qualquer elemento químico fazendo parte de nós, algum instinto, alguma característica genética adormecida dentro de nós desde tempos imemoriais, que serviu para a preservação do grupo, quando a sobrevivência se fazia à custa do aniquilamento do outro.&lt;br /&gt;Mas quase de certeza que a ilusão de imunidade transmitida através da vulgarização gratuita da violência deve ter um papel importante. Basta ver o subproduto da indústria cinematográfica americana que importamos a baixo preço, onde a visão da nudez e do sexo explícito são mais censurados do que a visão do esventramento e da sanguinolência.&lt;br /&gt;Mas é um processo mais generalizado e aparentemente mais inocente, e por isso mais eficaz, que tem a maior responsabilidade no embuste da imunidade e da impunidade do ato de guerra.&lt;br /&gt;Basta criar um imaginário de aventuras em que os outros são sempre os maus que teimam em não gostar de nós, e que nós temos o dever de aniquilar em vez de os deixarmos em paz.&lt;br /&gt;Mas para entender este processo é preciso ter em conta o efeito manipulador do enredo. Na ficção, a história está sempre sob controlo; o seu autor sabe de antemão como ela vai terminar, apenas se diverte a criar falsos equívocos e falsos labirintos de que possui desde muito cedo a chave. E não é só na fast-food dos filmes de terceira categoria da indústria cinematográfica americana, é a própria História que não passa nunca de um conjunto de enredos e com autores conhecidos.&lt;br /&gt;É certo que o enredo é-nos sempre contado para nos levar a aceitar a conclusão previamente conhecida, mas é já o enredo, ele mesmo, que tem esse papel manipulador de educar para o "ato heroico", ato este que na guerra, muitas vezes só se distingue do crime porque está dentro da Lei. A lei de um dado estado, de uma dada época. E é a lei, sempre temporal, sempre efémera, que confere impunidade ao matador.&lt;br /&gt;Ou então uma dada ideologia ou religião. Deus reduzido ao papel de autor a quem confiamos a chave do enredo da vida, como se Ele já não tivesse dado provas, vezes de mais, de não gostar de finais felizes.&lt;br /&gt;E, evidentemente, há a instituição militar, que, quando não se alimenta gratuitamente do alistamento obrigatório, transformando o serviço militar em trabalho escravo, se locupleta no desemprego, oferecendo aos jovens desempregados uma "carreira de futuro", que não passa de um contrato a termo certo, de trabalho precário e com um futuro de curta duração.&lt;br /&gt;Mas a instituição militar, afinal, só aguarda que lhe entreguem a carne para canhão de mão beijada, e apenas vem dar um último toque de mestre, que tem como finalidade dignificar o ato de matar, transformando-o na arte da nobre profissão das armas.&lt;br /&gt;A minha saudade da guerra acabou desbotada com o caminho que levaram estas minhas mal amanhadas lucubrações. Chegam-me agora apenas alguns flash-backs desconexos, de soldados saltando de helicópteros, soldados correndo para dentro da mata, seguindo depois silenciosamente por ela dentro. As pessoas a passarem lá em baixo, na Praça 8 de Maio, distraídas a viver. Alguns são jovens de vinte e tal anos, soldados a haver. O soldado da frente levanta o braço e depois baixa-o lentamente. Todos se baixam, e seguidamente mudam de posição até ficarem ao lado uns dos outros. Os jovens estudantes e a subirem a rua Visconde da Luz com uma coisa dentro deles. Uma coisa herdada dos seus ancestrais; algo químico que basta acionar para os transformar em matadores. Vozes das pessoas no aldeamento. Distraídas a viver também. Jovens de vinte e tal anos de arma na mão. Valorosos soldados facas-longas prontos a atacar uma aldeia de índios teimosos, que não gostam de rostos-pálidos. É só uma história aos quadradinhos. Tudo a fazer de conta. Somos todos bonecos. Basta fechar a revista. Basta olhar para a Praça 8 de Maio e ver que as pessoas continuam distraídas a viver.&lt;br /&gt;E olho. E de facto está tudo normal. Tudo em paz. Estico lentamente as pernas como quem acorda.&lt;br /&gt;E o pé da minha prótese faz um pequeno ruído seco ao roçar no chão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Conforme o novo acordo ortográfico)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-5466585408244067136?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/5466585408244067136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=5466585408244067136&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5466585408244067136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5466585408244067136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/02/flash-back.html' title='Flash-back'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/Fx07A8dZAPU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7324723713737988491</id><published>2011-01-15T22:40:00.002Z</published><updated>2011-01-15T22:45:35.045Z</updated><title type='text'>Romance imperfeito</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hvLB1NEAWoM?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/hvLB1NEAWoM?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A colina relvada descia até ao lago artificial a convidar os veraneantes mais para contemplações do que para intimidades.&lt;br /&gt;A meio da colina um homem parado, olhando uma mulher que sai de um automóvel familiar topo de gama, estacionado à entrada do parque, e que depois se aproxima. Ele firme aguardando por ela, ela débil, aproximando-se dele a custo. Um vulto por detrás dos vidros fumados do carro.&lt;br /&gt;A mulher para à distância de um metro. Não se tocam. Não sentem o convite da colina para contemplar o lago, não vêm as sombras a realçarem as irregularidades do chão, não vêm os veraneantes que tendem a descer para junto da água.&lt;br /&gt;Uma mulher que vem encontrar-se com um homem e fica parada a olhá-lo, numa idade em que as subtilezas dos afetos não dispensam o calor dos corpos.&lt;br /&gt;Um homem e uma mulher amando-se através do olhar. Acabando de se encontrar mas olhando-se como se fosse uma despedida, e quisessem guardar uma última imagem dos seus rostos antes de partirem.&lt;br /&gt;Não ouvem os risos despreocupados das crianças, os chamamentos disciplinadores dos pais. Não ouvem a música que vem do restaurante a meio da colina.&lt;br /&gt;Só os amantes furtivos ficam surdos no meio do ruído. Só os amantes clandestinos se julgam a sós no meio da multidão.&lt;br /&gt;As pessoas passam por eles sem os verem. Um cachorro fareja as calças do homem. Uma borboleta quase pousa no lenço da mulher. Há ali, no meio do bulício, um mundo recatado e íntimo com apenas dois habitantes que se olham mutuamente, como se o tempo fosse um bem tão raro que um só momento sem se contemplarem seria uma perda incalculável.&lt;br /&gt;Que fatalidade irremediável se avizinha? Que contagem decrescente lhes faz sentir este momento como derradeiro?&lt;br /&gt;Um homem de cabelo ralo e uma mulher de lenço a cobrir a cabeça como um turbante, mais a encobrir do que a proteger, olham-se como quem perdeu a maior parte das suas vidas e quer aproveitar os derradeiros minutos.&lt;br /&gt;Tiro a tampa da objetiva e preparo-me para fotografá-los, mas sinto-me como um caçador que exulta perante a visão da peça de caça, mas que perde a coragem quando se prepara para a abater; e recolho a máquina com a consciência pesada de quem esconde a arma de um crime.&lt;br /&gt;Erguem as mãos lentamente e tocam-se, palmas com palmas, como fazem os prisioneiros com os seus entes queridos através de um vidro. Que relação proibida, que amor impossível separa o homem e a mulher a meio da colina, que parecem ter-se encontrado no fim da história, quando já não há tempo para a paixão e lhes resta apenas um olhar de despedida? Com quem desperdiçaram a vida que agora parecem querer segurar em desespero entre as palmas das suas mãos?&lt;br /&gt;É tarde… será tarde? Será que não há tempo para se encontrarem a sós? Será que o eterno desencontro da vida não lhes deu a provar um momento de felicidade e só lhes permite a despedida sem o conforto da partilha, sem a cumplicidade na aventura dos afetos e dos prazeres?&lt;br /&gt;Afastam as mãos. Ela recua alguns passos, sempre olhando para ele, depois vira-se como se quisesse fugir, como se tivesse acabado o seu tempo, e se fosse entregar ao carrasco. A mão tapando a boca a abafar um grito. As pernas inseguras a levarem-na dali. Sente-se daqui a dor que leva no peito.&lt;br /&gt;Ele parado a vê-la desaparecer por entre os veraneantes. Ainda surdo ao bulício, ainda cego a toda a vivacidade em redor. Que crueldade pode separar duas pessoas assim? Que misericórdia permitiu que ao menos se tenham despedido? Que vulto escolheu a velatura dos vidros fumados do carro para ficar aguardando, excluindo-se da história num ato de extrema dignidade?&lt;br /&gt;O homem desce agora a colina até à beira do lago, olhando o chão, como um general que tivesse assistido impotente à chacina de todos seus soldados. Por momentos imaginei que num impulso tresloucado puxasse de uma arma e pusesse fim à vida ali mesmo.&lt;br /&gt;Desapareceu também no meio das pessoas, e a colina ficou imediatamente transformada num deserto onde os veraneantes não conseguiam preencher a solidão. Uma enorme ausência tomou conta da tarde, e a vida naquela colina transformou-se numa história com figurantes anónimos mas sem protagonistas.&lt;br /&gt;As vozes e a música amorfas, desumanas; as pessoas, todas elas estranhas; um mundo hostil sem a familiaridade de um olhar amigo. A colina, como uma vertigem, criando tentações de suicídio no lago artificial.&lt;br /&gt;Mas lentamente os ruídos regressam e preenchem o silêncio. A pouco e pouco as vozes das crianças animam a tarde. A música vinda do restaurante. As sombras a espreguiçarem-se pela colina abaixo convidando de novo os veraneantes a acercarem-se da frescura do lago. A despreocupação da vida ao ar livre a substituir os dramas íntimos. A fazê-los esquecer. Que homem e que mulher estiveram aqui há pouco, onde agora não resta um vestígio? Dois entre mil que se encontraram anonimamente no meio da multidão, e que viveram alguns minutos ínfimos e efémeros comparados com o resto das suas vidas. Será que não foi apenas a melancolia de uma tarde de fim de verão, feita das sombras sobre a relva e de um lago ao fundo, que me levou a fantasiar? Que insignificância foi essa que alterou a minha tarde de domingo? Que memória perdida, vinda não sei de que vivências do passado ou temores do futuro, transformou um encontro casual de duas pessoas num drama?&lt;br /&gt;Será que aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7324723713737988491?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7324723713737988491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7324723713737988491&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7324723713737988491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7324723713737988491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2011/01/romance-imperfeito.html' title='Romance imperfeito'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-926199542014798140</id><published>2010-12-11T16:23:00.005Z</published><updated>2010-12-12T23:38:53.399Z</updated><title type='text'>Coisas com desalento e alguma esperança</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Escrito na nova ortografia&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YeaEYj_TZa8?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YeaEYj_TZa8?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A última rosa do verão.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vieste, minha amiga, conversar comigo nesta noite fria.&lt;br /&gt;Trouxeste o velho disco. Eu trouxe-te uma rosa.&lt;br /&gt;Que aventura é a nossa que desafia as leis do bom senso? Quando te sentas assim a meu lado parece que vens de longe para visitar-me, ou de um passado distante; e um peso no peito faz-me sentir que as rodas do tempo nos deixaram trilhos profundos na alma.&lt;br /&gt;Mas em breve, a música, o vinho e o fogo mostrarão tão só as marcas do tempo nos nossos corpos. E estas, minha amiga, aceitemo-las como atestados de sobrevivência.&lt;br /&gt;Sabia que virias, e enquanto te esperava escrevi estas palavras como quem faz uma canção. Só para pôr nome ao que sinto por ti. É preciso dizer os afetos, não basta senti-los; é preciso dizê-los como se o tempo fosse pouco e houvesse o risco de algo de belo se perder. Como esta última rosa na tarde que arrefecia. Trouxe-a para lhe fazeres companhia, minha amiga. Porque sorris? Não há nada mais triste que uma rosa solitária ao frio.&lt;br /&gt;Tudo o que morre renasce na reciclagem da Natureza. E tudo o que a Natureza dá avulso, o Homem organiza porque ama o belo.&lt;br /&gt;É assim que dos sons faz música, das palavras poesia e das uvas, minha amiga, faz vinho.&lt;br /&gt;Senta-te aqui. Ao meu lado. Ouçamos o disco que me trouxeste. Logo abrirei a garrafa.&lt;br /&gt;Um dia, assusta-me concebê-lo, tudo acabará; mas o que me assusta não é o colapso do tempo, é a extinção da memória.&lt;br /&gt;Sabes, a morte não assusta facilmente um ex-combatente como eu, somos velhos conhecidos. Havemos de morrer, sim; mas a Terra mãe, dos nossos restos, fará plantas e flores e frutos, e os animais alimentar-se-ão deles, e os nossos restos ganharão vida e movimento de novo. O que me assusta é saber que a memória acabará, e com ela todos os afetos. Um dia, ninguém se lembrará de nós, ninguém ouvirá o nosso disco, ninguém beberá deste vinho. Ninguém saberá que para te ver sorrir, resgatei ao frio a última rosa deste verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A estrada velha&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;366 curvas, como os dias de um ano bissexto, e a cada curva a vertigem da beleza.&lt;br /&gt;Que deu nos homens, que desataram a fazer estradas cortando a direito, convencidos que a vida é a menor distância entre dois pontos?&lt;br /&gt;A estrada velha de Penacova não é uma estrada para chegar mais cedo ao fim, é uma estrada para quem acha que a vida deve ser degustada devagar.&lt;br /&gt;Quando não quero chegar cedo a lado nenhum, tomo a estrada mais bela do mundo e faço dançar o carro com a estrada enquanto a estrada dança com o rio.&lt;br /&gt;Chego a Penacova e paro debaixo da Pérgola para olhar o Proventório e o Reconquinho, depois subo ao Penedo Castro para olhar 360 graus em redor e confirmar que o mundo é belo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TQVcwnfal6I/AAAAAAAAAj4/e2xBib6kYJA/s1600/Penacova%2B-%2BDo%2BPenedo%2BCastro%2B-%2BPonte%2BNova.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 263px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549944106108229538" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TQVcwnfal6I/AAAAAAAAAj4/e2xBib6kYJA/s400/Penacova%2B-%2BDo%2BPenedo%2BCastro%2B-%2BPonte%2BNova.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Stress de Guerra&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Queria que sentisses o cheiro. Não há uma boa descrição para este cheiro. O camuflado de cores desbotadas de tão sujo. Ligeiramente brilhante, porque o suor conseguia embebê-lo e acabava por aflorar à superfície. As mãos que pareciam também camufladas. E as caras. E tudo.&lt;br /&gt;E o cheiro. Habituávamo-nos ao cheiro com o tempo, mas às vezes com uma reviravolta do ar, algo de untuoso e adocicado, como vindo de um cadáver de dias, envolvia-nos. Mas, como se tivesse origem nas nossas entranhas, como se a própria morte já andasse cá dentro há tempos, e quisesse tomar conta de nós, abraçar-nos, esticando para fora os seus finos tentáculos como heras enredando-se sobre um muro.&lt;br /&gt;Queria que sentisses o cheiro, não para te fazer mal, mas para saberes que uma coisa assim não sai. Fica cá dentro.&lt;br /&gt;Fomos, combatemos, sobrevivemos e voltámos, mas trouxemos a guerra dentro de nós. Uma espécie de morte interrompida, inacabada, como uma fera hibernando.&lt;br /&gt;E nós vivemos e fomos felizes e demos prazer e criámos beleza. Mas dentro de cada um de nós como uma doença em estado latente Ela vive aguardando, com a certeza de que um dia vencerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Menina da esplanada&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Chegas sempre com o ar de quem perdeu a noite. A solidão à tua mesa às vezes parece uma guitarra de Coimbra lamuriando saudades mal resolvidas. De que sonho de princesa acordaste para a realidade plebeia de encontros por telemóvel?&lt;br /&gt;Imagino expedientes canalhas a tentarem aproveitar-se do que resta em ti de esperança, e nesse teu rosto, onde se desenha o perfil egípcio de uma deusa triste, nunca se iluminou um sorriso que eu visse. Esse rosto, que inevitavelmente vai amadurecer e depois fenecer, precisa com urgência de um motivo para sorrir.&lt;br /&gt;Imaginar que foste o amor impossível de um homem apaixonado, a primeira fantasia de um adolescente, a criança que encheu de orgulho um casal ainda jovem; imaginar que um dia foste o bebé de alguém, e que o balanço da tua vida se salda pela ressaca de uma noite perdida, que ensombra o teu rosto encostado a um telemóvel, carrega-me a alma de pesar; sobretudo por não haver um gesto de ternura que te aconchegue esse rosto cansado contra o peito, depois de ter sentido a fartura de prazer do teu corpo; mas como uma dádiva, e não como um roubo.&lt;br /&gt;Se houvesse compaixão debaixo do Sol, um dia ver-te-ia sorrir.&lt;br /&gt;Sinto um desgosto antecipado com a ideia de desistires de vez de algum sonho que te reste, e de aceitares o compromisso possível, como um soldado que se rende apenas para poupar a vida, sem que a sua resignação permita o benefício de uma causa maior.&lt;br /&gt;Então, para viveres a insipidez compartilhada, deixarás de aparecer. E eu sentirei falta desse teu ar de quem perdeu a noite, desse teu ar de viúva da esperança que povoa de drama a minha imaginação; e a partir daí, a esplanada encher-se-á de desalento, sem ao menos esse resquício de afeto que agora partilhas com alguém por telemóvel; e onde eu, de longe, contigo partilho a solidão.&lt;br /&gt;E onde, às vezes, até parece que o trinado condoído de uma guitarra de Coimbra nos faz companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Memória imprecisa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Surgiu de repente por entre o capim e eu ergui a arma. Uma jovem maconde escavando mandioca sorriu para mim. Baixei a arma.&lt;br /&gt;Sei que o capim era alto, sei que sorria, sei que se ouviam vozes ao longe e sei que o meu coração batia com força, mas já não sei se de susto ou de desejo. Quando tento lembrar-me dessa diferença só me ocorre que é demasiadamente curta a distância entre o prazer e a morte.&lt;br /&gt;Não ficou quase nada na minha memória, a não ser a impressão que me contaram isto há imenso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Verruga&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A médica olhou-me sem entender, e eu repeti: Não quero mandar analisar nada. Se for algo maligno haveria mais alguma coisa a fazer neste momento para além de ter removido a verruga? – Não, nada mais. – Então qual é a utilidade? – Saber a verdade! – Mas eu já sei a verdade. Vou morrer de certeza absoluta, vamos todos; mas não saber quando, nem como, é que nos permite a ilusão da felicidade.&lt;br /&gt;Ao sair daqui posso ser esmagado contra a parede por um autocarro, mas até lá posso viver o melhor momento da minha vida e não quero perder essa hipótese por nada. Se souber já, poderei tornar-me num condenado no corredor da morte, e a felicidade passa a ser impossível; passarei a ser um morto a prazo.&lt;br /&gt;Desde que articulámos a primeira palavra que andamos a fazer perguntas, mas não é para sabermos a verdade sobre coisa nenhuma, é porque temos a esperança que uma dessas perguntas venha a ter uma resposta que mude uma pequena coisa nas nossas vidas, uma pequena coisa que nos faça menos infelizes. Saber antecipadamente as coisas, retira-nos a necessidade de fazer perguntas e não nos garante apenas que ficaremos sem respostas, garante-nos sobretudo que ficaremos sem esperança. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-926199542014798140?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/926199542014798140/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=926199542014798140&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/926199542014798140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/926199542014798140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/12/coisas-com-desalento-e-alguma-esperanca.html' title='Coisas com desalento e alguma esperança'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TQVcwnfal6I/AAAAAAAAAj4/e2xBib6kYJA/s72-c/Penacova%2B-%2BDo%2BPenedo%2BCastro%2B-%2BPonte%2BNova.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3888784116960457889</id><published>2010-11-13T01:24:00.003Z</published><updated>2010-11-13T01:28:05.415Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Dor sobrevivente</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TN3pT2hQpzI/AAAAAAAAAjc/yQCIlZPOtdU/s1600/O%2BTiro.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 385px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5538839643997382450" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TN3pT2hQpzI/AAAAAAAAAjc/yQCIlZPOtdU/s400/O%2BTiro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tu que sabes como é ver morrer um ente querido; tu que sabes como é ver morrer um avô que te ensinou a viver, cujas rugas te pareciam eternas e, por julgares que sempre fora velho, não teria idade, e portanto jamais morreria; tu que sabes o que é ver morrer um pai, que era aquele que ia sempre à tua frente, aquele que abria o caminho, para quem olhavas quando tinhas medo, a quem te seguravas quando não confiavas nos teus próprios passos, e que agora finalmente te fez homem por te ter cedido o seu lugar; tu que viste morrer a tua mãe, e entendeste que perdeste o teu princípio, e que viste que ainda assim terias que seguir em frente, como um barco a que falta a ré; tu que até sabes o que é ver morrer um filho, algo que ninguém deveria saber por ser tão estupidamente cruel, e que ao sabê-lo, mais nada deve valer a pena querer saber-se, porque é a prova que Deus não ama suficientemente os seus; tu, tu que sabes tudo isso, não sabes, meu amigo, o que é ver morrer um irmão de armas, porque felizmente para ti nunca tiveste a sua vida nas tuas mãos, tendo ele a tua nas dele, numa reciprocidade inigualável em mais lugar nenhum; senão lá onde tudo parecia debater-se com os valores mais primordiais do Mundo; a carne e o ferro, a esperança e o desespero, o poder supremo de tirar uma vida e a miserável impotência de a perder; lá onde tu não foste a moeda com que se comprava a guerra e se vendia a paz, onde tu não foste o alimento lançado à metralha e o pasto das minas; onde valerias menos que uma arma; onde a tua vida, toda a tua história, e a memória de todas as coisas que aprendeste, e ainda o conjunto de todos os teus sentimentos e emoções, que fazem de ti a obra-prima de toda a Criação; tudo isso, tudo isso teria lá apenas o valor insignificante de uma bala certeira; e por isso, não podes saber o que é ver morrer um teu igual, amigo do peito, ou inimigo até, não importa, porque o que importa é que ele serias tu, porque morreu na tua vez, e tu não sabes o que é isso; se soubesses, saberias que todos os que morreram, num incontável número de vezes, eras sempre tu; mas não sabes, meu amigo, por isso não finjas que sabes, e não sejas estúpido ao ponto de desvalorizares a tua ignorância e de sorrires quando me vês uma saudade incompreensível no rosto, e de desdenhares quando a voz me atraiçoa, e me tenho que calar para não se ver que as minhas palavras choram, como só assim choram as palavras de quem combateu, ainda que por ter acreditado que era seu dever, ainda que para sobreviver a cada tiro que dava, mas sobretudo por desespero de julgar já ter morrido; e tu, tu se és homem e tens dignidade, põe-te em sentido, e respeita esta dor irrecuperável de eu ter morrido vezes sem conta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3888784116960457889?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3888784116960457889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3888784116960457889&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3888784116960457889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3888784116960457889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/11/dor-sobrevivente.html' title='Dor sobrevivente'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TN3pT2hQpzI/AAAAAAAAAjc/yQCIlZPOtdU/s72-c/O%2BTiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-2561820905290244235</id><published>2010-11-09T18:12:00.010Z</published><updated>2010-11-13T01:28:42.521Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Patriotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edonismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrita'/><title type='text'>Por extenso</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Escrito segundo o Acordo Ortográfico&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Pretérito perfeito&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Teimo em dizer isto: fazem-me impressão as pessoas emparedadas na obrigação de levarem a vida como uma festa permanente. Coitadas, não sabem o que é o peso de um drama e a luta para levarmos a melhor à vida.&lt;br /&gt;Não sabem o que é olharmos uma porta que abrimos, e por onde temos imperiosamente de sair, e sentirmos que o que era reversível até aqui, a partir de agora já não tem retorno.&lt;br /&gt;Sofrem da ilusão de que o tempo tem um presente no gerúndio, como um espaço contínuo de fruição, onde, afinal, tudo não passa de uma acumulação de pretéritos perfeitos.&lt;br /&gt;O dia amanhecendo de esperança, e a cada manhã que passa o acréscimo de uma saudade. As manhãs renovam-se, mas jamais, jamais regressam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KS_J9ONoNQk?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KS_J9ONoNQk?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Coisas de soldado&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Volto a convidar-te minha amiga: vem sentar-te junto à minha lareira e beber do meu vinho. Vem embebedar-te de poesia.&lt;br /&gt;Eu convoco aquele velho disco de vinil onde a estática já não me irrita. Sinto esses estalidos agora, como carícias nas rugas do tempo, uma ternura tua sobre a minha pele cansada de velho soldado.&lt;br /&gt;A garrafa aguardará um pouco na garrafeira, para que nenhuma variação de temperatura acorde o vinho antes do tempo.&lt;br /&gt;Quando a música nos soltar os pensamentos e a imaginação nos fizer sentir os taninos um tanto secos mas bem distintos e integrados na voz mineral, ligeiramente gorda, ligeiramente ácida, do Tom Waits, e uma nostalgia outonal crescer em nós como a revisitação de uma memória esquecida desde a juventude; então sim, eu convocarei o Frei João tinto para soltar a complexidade dos afetos, com fluidez e caráter, e amar-nos-emos com sabores de frutos silvestres de onde desponta um quase impercetível aroma herbal. E o suave balsâmico do nosso beijo será o sonho de qualquer escanção.&lt;br /&gt;Talvez choremos um pouco também, porque, tu já sabes, não me basta o riso fácil; mas verás minha amiga, que os nossos corpos se reconhecerão, e faremos amor em frente ao fogo projetando as nossas sombras na parede da sala como se nos observássemos de uma outra vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Menina feia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Recordo-te, não por seres bela, mas porque quando me olhas te vejo mais do que o rosto. Guardo a tua imagem na memória como uma pedra que a natureza esculpiu com vento e com água, com frio e com calor, e depois no-la ofereceu, mas não a todos; só aos que gostam de mulheres. Se fosses bonita olhar-te-ia como olho todas as mulheres bonitas, que um critério estreito elege mais como modelos de beleza do que como mulheres.&lt;br /&gt;Não ligues se alguns homens com boa pinta passam por ti sem te ver, esses gajos são mariconsos disfarçados, precisam de muito estímulo para terem uma ereção.&lt;br /&gt;Fazer sexo é como degustar uma boa refeição, e comer com os olhos é falta de respeito ao cozinheiro.&lt;br /&gt;Senta-te ao meu lado. Falemos do pôr do sol. Falemos de música. Falemos apenas das coisas de que não percebemos nada; vais ver que os nossos corpos se entenderão melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Crepúsculo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quando a luz esmorece e as casas ganham olheiras de sombra, sabes? à hora em que os sons parecem conversas desinteressadas, sem nos quererem verdadeiramente prender a atenção, estás a ver? e em que as coisas distantes parecem mais próximas e as próximas parecem mais íntimas; a esta hora os pensamentos têm uma profundidade diferente e as palavras surgem-me com uma imposição inelutável. A esta hora apetece-me escrever-te; não falar contigo, mas escrever-te; ainda que vivesses na porta ao lado, ainda que eu tivesse que sair da sala, onde estivéssemos ambos, para poder fazê-lo. E depois, ficar em silêncio à espera, na ansiedade e na incerteza, só para receber a suprema graça de uma resposta tua, e finalmente ficar com a certeza de que se me respondeste é porque valho alguma coisa para ti.&lt;br /&gt;Mas antes, era preciso esquecer tudo, viajar para trás, saltar de costas do fundo do poço do tempo até atingir o cimo, e encarar as coisas entretanto já vividas com a ignorância que permite o prazer da descoberta; passar de novo à tua porta, como se fosse por acaso, e depois cometer todos os erros de novo; ter os mesmos prazeres e o mesmo sofrimento, percebes?&lt;br /&gt;Em breve o dia morrerá, e as olheiras das casas transformar-se-ão numa velatura, e depois no manto escuro da noite que cobrirá tudo. A essa hora já as palavras e os pensamentos serão de puro deleite, e tudo estará bem no seu lugar, entendes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Os crimes do António&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não entendo a autoflagelação nacional. Fazendo um esforço para descer o meu nível de entendimento à escala da imbecilidade, vejo de vez em quando uns inconsoláveis patriotas cheios de piedosas intenções, ungindo a desgraça nacional com uma autoridade moral de que me escapa a origem. Não passam de criaturas carentes de atenção e de afeto a babarem-se de ciúme. Viram para os seus pares as suas pulhas, e são frequentemente aduladores das grandezas forasteiras; como se ao dizerem mal da sua própria família fizessem crer que degeneraram em qualidade. O nosso grande defeito é dar-lhes atenção.&lt;br /&gt;Alguns chegam ao extremo, como se viu recentemente fazer um grande escritor numa pequena entrevista, de confessarem crimes de guerra que nunca cometeram, por mera falta de oportunidade, já que não por retidão, pois que não estão a penitenciar-se, estão a tentar resgatar um passado em que passaram ao lado da tragédia sem mérito nem glória, e de onde vieram sem ao menos terem uma história sua para contar.&lt;br /&gt;O espaço da ficção é onde podem recriar o enredo das suas vidas, corrigindo a mediocridade das suas experiências, quando as tiveram. Já as declarações públicas, tentando o número da carpideira lamurienta alardeando os podres nacionais, e ainda por cima incluindo-se neles sem pudor nem arrependimento, são um ato patético de volúpia do ignóbil.&lt;br /&gt;Coitados, fazem tudo isto por vergonha de assumirem a própria insignificância; preferem negar a inocência sem mérito, à custa da duvidosa confissão de um crime coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Tudo bem&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vejo com uma tristeza enorme todos os campeões da nossa democracia rirem-se como se estivéssemos em festa. Insulta-me o seu otimismo apesar de estarmos em queda desamparada no precipício da crise que eles teimam em desvalorizar. Custa-me admitir que acreditei em alguns deles.&lt;br /&gt;Mas olho à minha volta e vejo tudo normal. Acho que as pessoas evitam olhar para baixo para não sentirem vertigens.&lt;br /&gt;De facto, até agora está tudo bem, estamos só a cair. Será que só vamos acordar ao batermos no chão? &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-2561820905290244235?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/2561820905290244235/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=2561820905290244235&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/2561820905290244235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/2561820905290244235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/11/por-extenso.html' title='Por extenso'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6567945448699663144</id><published>2010-10-04T16:53:00.012+01:00</published><updated>2011-06-19T23:02:30.596+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coimbra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ADFA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Aproximação à poesia</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Escrito segundo o Novo Acordo Ortográfico)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TKn92EjZ2rI/AAAAAAAAAjM/ZMnel1IXhKA/s1600/O+Som+do+mar.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524225523323624114" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TKn92EjZ2rI/AAAAAAAAAjM/ZMnel1IXhKA/s400/O+Som+do+mar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Cabo da Roca&lt;/em&gt; de Tânia Barreto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mar&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quando ouvia o mar, não ouvia o mar, ouvia o silêncio da tua voz. Agora que tenho a tua voz, já ouço o mar quando ouço o mar.&lt;br /&gt;A tua voz devolveu-me a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Futebol&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ouvi dizer não sei onde que, não sei em que companhia, não sei em que terra da Guiné, viravam os altifalantes para o mato para que os turras ouvissem o relato de futebol. E durante 90 minutos, de ambos os lados do arame-farpado, só havia benfiquistas ferrenhos e sportinguistas fanáticos.&lt;br /&gt;Mas assim que acabava o jogo, a mais primária estupidez humana regressava de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vergonha&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um homem morreu e a arma na minha mão ainda quente.&lt;br /&gt;Não fora eu tão lesto e quem tinha morrido era eu.&lt;br /&gt;Havia uma Lei, um Dever, e nós cumprimos o nosso lado da História.&lt;br /&gt;Ou então há um criminoso dentro de nós há espera de uma guerra para tornar num ato heroico a mais miserável cobardia.&lt;br /&gt;Um criminoso, ou então um instinto ancestral adormecido na alma dos homens, ou então…&lt;br /&gt;– Meu Deus, o que nós inventamos por vergonha dos nossos filhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KrR0G262dqU?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KrR0G262dqU?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rádio&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;O alferes tirou todos os pertences ao prisioneiro. Nada valia nada, que os guerrilheiros de pouco vivem. Só um rádio a pilhas mereceu a categoria de despojo de guerra e o alferes levou-o consigo.&lt;br /&gt;Agora, na memória do alferes, o rádio a pilhas é um guerrilheiro humilde que arriscou a vida que lhe davam, para ter direito a ter a vida que queria. E, pelo rádio, o guerrilheiro olha-o a lembrá-lo que os motivos das guerras duram incomensuravelmente menos que a memória da crueldade.&lt;br /&gt;Como queria devolver o rádio para que todos os despojos de guerra fossem com ele! Para que ao devolvê-lo o Tempo rebobinasse a memória.&lt;br /&gt;Mas a inocência é como a virgindade, não se recupera mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cego&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Uma cidade de cheiros e sons. Onde a luz falta, o tato sente as superfícies e o ouvido a distância.&lt;br /&gt;De que cor é a alegria? E que sombra fará o ciúme sobre o peito? Há mais coisas que o homem não vê do que as que apenas descobrimos com os olhos.&lt;br /&gt;A vibração do ar anuncia o lençol no estendal e o vento lateral avisa o cruzamento.&lt;br /&gt;O som dos passos devolvido pela parede, diferente do som devolvido pela sebe do jardim, diferente do som perdido no ermo.&lt;br /&gt;Conhecer a natureza do chão pelo ranger da areia, a natureza da amizade pela modelação da voz. Sentir a essência do mundo em vez da aparência.&lt;br /&gt;Às vezes dá que pensar se perder isto vale um par de olhos.&lt;br /&gt;Mas quando a coragem falta; a mim, basta-me levantar as pálpebras e refugiar-me na luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TKn-PyYbj1I/AAAAAAAAAjU/iTdt-yJRGUw/s1600/ADFACOR2.BMP"&gt;&lt;img style="WIDTH: 128px; HEIGHT: 152px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524225965122359122" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TKn-PyYbj1I/AAAAAAAAAjU/iTdt-yJRGUw/s400/ADFACOR2.BMP" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ADFA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O quadrado vermelho é o mais democrático dos equiláteros. Dentro dele, o quadrado branco transfigura-se em losango, erguendo-se corajoso no único pé para superar a sua condição de objeto plano, e o quadrado negro, neste incluso como uma íris, fita o Infinito.&lt;br /&gt;Fita-O, e nas trevas de que é feito acende-se um círculo dourado de esperança, que sublima a sua inconformada quadratura.&lt;br /&gt;E a luz que nele se acende somos todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nos fins de semana de agosto, Coimbra ganha espaço para a solidão, pois há mais ruas e menos gente; espaços debaixo das árvores como um tempo à espera de ser vivido; vielas com cheiros que ganham o protagonismo que o bulício perdeu; portas fechadas como pessoas de costas voltadas; janelas com vidraças veladas que guardam a falsa intimidade dos cafés abandonados, onde as cadeiras assustadas subiram para cima das mesas; parques tornados pistas de dança para as folhas caídas ao sabor do vento; o Mondego segurando alguns barcos tristes na sua barriga de água, e que não parece disposto a levá-los para lado nenhum; semáforos que mandam parar de um lado e avançar do outro, e vice-versa, numa teimosia inútil de máquina avariada; um vazio de caixa abandonada; uma inospitalidade de cidade fantasma, onde se passeia a ausência das pessoas e eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ninfa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Passas por mim deixando uma alteração na atmosfera.&lt;br /&gt;Passas e nada mudaria se não fosse eu animal e tu deusa.&lt;br /&gt;Imagino o ar abrindo, molécula a molécula, para te envolver, e depois algo teu, íntimo e exclusivo ficando suspenso e viajando na minha direção, como um perfume nos cabelos da brisa.&lt;br /&gt;Algo hormonal e ínfimo e invisível e imponderável, como um desejo secreto e inconfessável, que se soltasse de ti e viesse desaguar no arneiro do meu corpo.&lt;br /&gt;E eu, besta acuada e ávida de ceva, de venta feroz olhando a tua figura de ninfa a perder-se irremediavelmente por entre a multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tijolo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na noite fria de África, cada um em seu tijolo, mexendo no fogo com um pau, contavam histórias que vinham de um tempo antes de todos os dias conhecidos.&lt;br /&gt;Um tempo em que os homens eram todos de uma raça só.&lt;br /&gt;E contavam isso como se fosse uma prece.&lt;br /&gt;Mas enquanto contavam parecia possível, porque as palavras valem quase tanto como os factos se as dissermos como uma prece.&lt;br /&gt;E quando já era tudo uma raça só, eu cheguei, e ninguém notou qualquer diferença.&lt;br /&gt;E deram-me um tijolo para me sentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aurora&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há um equilíbrio de luz e trevas no primeiro momento da aurora. Nada é tão efémero, nada tão fundamental.&lt;br /&gt;Ou será que é porque perdemos a noite para ganharmos o dia, e o equilíbrio está dentro de nós?&lt;br /&gt;Logo, logo, a luz criará refulgências na água e entrará pela janela dissolvendo a penumbra do quarto.&lt;br /&gt;Logo, logo, olharei os teus olhos como espelhos de água sobre os prados, quando a primavera acorda em nós uma vontade selvagem de correr.&lt;br /&gt;E depois, quando a manhã bruxulear já nas paredes e no teto, nós finalmente adormeceremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mise-en-abîme&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pego no meu copo em frente do fogo e tenho uma certeza absoluta, mas não sei a respeito de quê.&lt;br /&gt;Não me basta a alegria do riso. Não me basta ser feliz por ignorância.&lt;br /&gt;Inventámos a palavra, a música e até inventámos Deus. E não contentes com isso, ainda inventámos a felicidade.&lt;br /&gt;Mas a felicidade é a perfeição no tempo presente, portanto com limites; ora a perfeição com limites é um absurdo.&lt;br /&gt;Eu amo a utopia, a loucura e o infinito!&lt;br /&gt;Ah se ao menos estivesses aqui…&lt;br /&gt;Que pena que te baste a felicidade e não venhas enlouquecer docemente comigo. Vem beber deste vinho e olhar a vertigem do fogo.&lt;br /&gt;Quando olhamos o abismo não há quem nos devolva o olhar; ficamos a sós com o infinito.&lt;br /&gt;Vem cair na fundura da memória, vem voar na antecipação do futuro; transpor os limites do tempo é que nos aproxima dos deuses.&lt;br /&gt;Vem sofrer comigo, vem. Há mais contentamento para além da felicidade.&lt;br /&gt;Ser feliz é ficarmos emparedados no presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poesia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alguém sabe quanta luz precisou a noite para ser madrugada?&lt;br /&gt;Quanta vontade fez da fraqueza força?&lt;br /&gt;Quanto desejo fez do apetite paixão?&lt;br /&gt;Quanto vinho fez do vazio da vida a completude da alma?&lt;br /&gt;Quanta música precisaram estas palavras por extenso para ganharem poesia?&lt;br /&gt;Aproximarmo-nos de algo transforma-nos; ultrapassá-lo pode perder-nos. A poesia possível está na contenção; como o prazer, na sustentação do orgasmo. &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6567945448699663144?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6567945448699663144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6567945448699663144&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6567945448699663144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6567945448699663144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/10/aproximacao-poesia.html' title='Aproximação à poesia'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TKn92EjZ2rI/AAAAAAAAAjM/ZMnel1IXhKA/s72-c/O+Som+do+mar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7295236232519076131</id><published>2010-09-11T16:42:00.003+01:00</published><updated>2010-09-11T16:46:43.756+01:00</updated><title type='text'>A Noite</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TIukO5uIHYI/AAAAAAAAAjE/W9jolj-ktog/s1600/Caseiro+27-2.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 269px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515682744564718978" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TIukO5uIHYI/AAAAAAAAAjE/W9jolj-ktog/s400/Caseiro+27-2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Texto de José Caseiro - Fur. Mil da CART 3503&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O dia já ia longo, a noite aproximava-se rapidamente, estava a começar a escurecer; estávamos em pleno mato, tínhamos que pernoitar ali, mas o local não era o mais indicado.&lt;br /&gt;Há que procurar um lugar seguro para pernoitar; um lugar distante dos trilhos e que nos oferecesse uma boa camuflagem para não sermos detectados pelo IN.&lt;br /&gt;Encontrado o lugar há que proceder às regras de segurança, fazer o círculo, nomear o primeiro que iria ficar de vigia e, mediante o número de pessoas se estipulava o tempo de vigia. Assim procedia a CART 3503, não facilitando em nada nos momentos vividos no mato.&lt;br /&gt;Entretanto eu ia analisando o terreno, procurando um bom local para fazer uma boa cama, com um colchão de terra batida e o mais plano possível para no dia seguinte não acordar com o corpo todo dorido.&lt;br /&gt;Enquanto preparava a cama a minha companheira esperava tranquilamente para se deitar comigo, que bela companheira eu tinha. O quanto eu gostava dela, gostava tanto dela que andava todo o dia com ela ao colo; tinha um carregador de 20 munições e mais uma na câmara, sempre pronta a disparar a qualquer momento que fosse necessário. Companheira que sempre me acompanhou nos momentos difíceis que eu passei em Mueda e que a abandonava no quarto da flat para ir para o bar dos sargentos desfrutar um belo descanso com umas cervejas, umas anedotas, uns cigarros, um jogo de cartas. E mais umas cervejas, e já noite, ao regressar ao quarto, um pouco alegre, para não dizer borracho, ela nunca reclamou, sempre ali esperando por mim á cabeceira da cama.&lt;br /&gt;Mas naquela noite, ali no mato, como era de costume, deitou-se ao meu lado, a contemplar a lua e as estrelas, e como era hábito também, desejando que no dia seguinte não fosse necessário ser usada.&lt;br /&gt;A noite estava a ser calma, quando de repente alguém salta, se sacode, se despe, todos acordam e a perguntar o que foi? Esse alguém era o soldado A, B ou C que com o cansaço adormeceu sem que tenha atirado para longe a lata com restos de comida da ração de combate, o que para as formigas era um rico banquete.&lt;br /&gt;Formiga, animal tão pequeno, que nos fazia ter um enorme respeito por ela, que só quem lá andou sabe o quanto elas nos faziam sofrer quando resolviam subir pelas nossas pernas acima e nos ferrar nas partes mais sensíveis, era cá uma aflição que por vezes éramos obrigados a despir as calças para nos livrarmos delas, mas só do corpo, porque a cabeça ficava lá agarrada.&lt;br /&gt;Muitas noites no mato foram passadas; noites quentes, noites de cacimbo, noites de chuva, onde o melhor seria dormir de pé, se pudesse ser; com um colchão ondulado, plano, com covas, com pedras… mas lá passávamos a noite dormindo.&lt;br /&gt;Hoje, quando se vai a qualquer lado, como não podemos levar a nossa cama, lá passamos uma noite quase em branco, porque estranhamos a colchão ou o travesseiro. Como somos esquisitos agora, quando naquele tempo já nos bastava não ser incomodados a tiro quando dormíamos; onde estávamos deitados não importava.&lt;br /&gt;E assim o tempo vai passando, as recordações vão aparecendo de longe em longe e fazem-nos reviver esta ou aquela situação, fazendo-nos revisitar a nossa passagem pelas terras do ultramar e pela Guerra de África.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Texto de José Caseiro - Fur. Mil da CART 3503&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7295236232519076131?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7295236232519076131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7295236232519076131&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7295236232519076131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7295236232519076131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/09/noite.html' title='A Noite'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TIukO5uIHYI/AAAAAAAAAjE/W9jolj-ktog/s72-c/Caseiro+27-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3936132757976947626</id><published>2010-08-24T14:07:00.002+01:00</published><updated>2010-08-24T14:12:01.588+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grande Guerra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fome'/><title type='text'>A Grande Fome</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/THPE3EuYCXI/AAAAAAAAAi0/6SnzKqw-nrM/s1600/Broa.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 285px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508963219644352882" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/THPE3EuYCXI/AAAAAAAAAi0/6SnzKqw-nrM/s400/Broa.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As folhas de oliveira têm um som único quando ardem. A água do escorrido a ferver na trempe sobre o fogo, também. E o vinho a sair do garrafão para o copo? Tudo tem um som único, essa é que é a verdade. Tudo tem um sabor único, um cheiro único. E cada momento que passa é único também. Mas quando estamos entretidos a viver a vida, não damos por isso; e ainda bem, porque não há nada nesta vida que supere vivê-la. Mas chega sempre uma noite de verão como esta em que a vida parece que parou porque toda a gente dorme. Será tarde? Ter-me-ei esquecido das horas enquanto recordava o almoço em casa do Zé e da São e estes pensamentos antigos me assaltaram?&lt;br /&gt;Mas sem me ter esquecido das horas, sem esta solidão, sem este silêncio, como poderia ouvir de novo as folhas de oliveira a darem estalidos no fogo, o escorrido a borbulhar na panela, o garrafão a gargarejar vinho para o copo e os movimentos das pessoas à minha volta, únicos e irrepetíveis?&lt;br /&gt;A hora da ceia.&lt;br /&gt;As coisas apareciam sobre a mesa vindas não sei de onde. Chegava a hora de comer e as mãos habituadas a tarefas árduas e rudes ganhavam movimentos leves de dança.&lt;br /&gt;Nunca ninguém pegou numa boroa de milho como a minha avó. Trazia-a para a mesa envolta num pano com uma mão por baixo e outra por cima. Pousava-a e abria o pano com a elegância e o cerimonial de quem manuseava os paramentos da eucaristia. "Nunca com o lar para cima, meu filho, nunca com o lar para cima, que é pecado."&lt;br /&gt;A relação da minha avó com os alimentos era como o ritual da consagração, só encontrável entre as pessoas que produzem o que comem, e mais especialmente entre aquelas que alguma vez passaram fome. "Íamos inda de noite escurinha a Tamengos pra comprar uma mãoxita de farinha pra fazer pão e muitas das vezes vínhamos sem nada."&lt;br /&gt;A comida não era um dado adquirido para quem atravessou a Grande Fome, como a minha avó chamava à Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;"No tempo da Grande Fome, meu filho, uma ocasião cheguei a casa tão feliz com uma farinha tão fina e tão branca; mas já quando a tendia parecia que era obra do diabo, peganhenta que não saía dos dedos, e depois de cozidas as broas ficaram duras que nem adobes. Que maldade, meu filho, que maldade! Que alma danada é o home que vende gesso misturado na farinha a uma pobre mãe que quer matar a fome à filha doente…."&lt;br /&gt;Pesa na minha memória, como se eu a tivesse testemunhado, esta imagem da minha avó metendo massa de boroa no forno e tirando adobes, como se Deus tivesse enlouquecido. E não enlouquece no coração dos homens? Quem combateu sabe que sim. Quem pegou numa arma, ainda que para cumprir um dever, sabe que escondido dentro de cada um de nós há um deus enlouquecido.&lt;br /&gt;E a minha avó limpava os olhos com os polegares como nunca vi fazer a ninguém. Como se quisesse esmagar as lágrimas. "Que maldade, meu filho, que maldade!"&lt;br /&gt;Era mais aceitável morrer envenenado com comida estragada do que deitá-la fora. A minha avó amava cada pedaço de pão já rijo, cada fruto meio podre. "Primeiro as maçãs tocadas meu filho", e eu cruelmente inocente: "Mas assim nunca comemos maçãs boas, vó!"&lt;br /&gt;Um simples feijão-verde era o produto de muita dedicação, labor e contemplação, a boroa de milho não levedava sem uma oração adequada, e o meu avô aguardava pela chanfana como um pai aguarda pelo seu primeiro filho, fazendo círculos no pátio.&lt;br /&gt;Experimentassem recusar um copo de vinho, que logo entenderiam isto. Quem recusa um copo de vinho não quer saber o trabalho que deu, e não há maior sacrilégio que recusar um copo de vinho a quem podou, empou, cavou, sulfatou, desramou, vindimou, pisou as uvas, e muitas vezes teve que lançar mão da água e do açúcar para operar o milagre da multiplicação quando a Natureza se mostra somítica. Recusar um copo de vinho ao lavrador, é como desfazer na obra de um artista, é como desfeitear um filho seu; faz-se um inimigo para a vida.&lt;br /&gt;Às vezes de estômago vazio, vinham-nos as lágrimas aos olhos com a acidez, ou ficava-nos a língua perra como se tivéssemos ingerido um adstringente, mas ai de quem não tivesse um ar embevecido olhando a zurrapa a contraluz com um assentimento de aprovação. Quem mata o corpo a pouco e pouco para extrair da terra bruta o seu sustento e algum conforto e no-los oferece, não aceita menos que gratidão em troca.&lt;br /&gt;Outras vezes pela noite dentro uma roda de amigos, celebrando a amizade num copo de vinho! E a minha avó de manhã: "De que tanto falam vocês?"&lt;br /&gt;Que pena que te tenhas perdido, meu amigo, nos labirintos da vida que nos atraem e entontecem. Não sabes a falta que me faz erguer de novo o meu copo e proferir a maior das banalidades como se tivesse acabado de resolver todos os problemas da humanidade numa palavra. Foi o mais próximo que estive de ter um irmão. E vai mais um copo! Tu rias-te, e sem concordar, concordavas sempre; e eu não acreditando, acreditava sempre; sim, porque os homens precisam desta fraternidade. Os homens vivem em alcateia. Mais um copo, só mais um, e a noite lá fora não tardará sem nós.&lt;br /&gt;Já quase não bebo, sabes? Só fora das refeições, quando encontro alguém que saiba o que é a amizade.&lt;br /&gt;E quando ia lá fora urinar contra o muro do pátio? Não tardava nada, estávamos todos lá fora a urinar contra o muro. Quem nunca mijou contra um muro sem deixar morrer a conversa não sabe o que é amizade. E depois de arranjar espaço para mais, voltávamos para a adega. Só, só mais um, e a noite não amanhecerá sem nós. "De que tanto falam vocês?" lá perguntava a minha avó de manhã.&lt;br /&gt;Ainda hoje não sei. Será que trazíamos em nós a memória genética da Grande Fome da última guerra? Será que antecipávamos um tempo futuro onde outra guerra nos haveria de roubar a própria juventude? De que falávamos nós pela noite dentro?&lt;br /&gt;Ah, que interessa isso agora? Esse era o tempo de todas as certezas. Não fazíamos perguntas à vida; nós tínhamos as respostas.&lt;br /&gt;Hoje O Zé e a São, da minha idade, lembram-se de mil histórias como esta. Mas cada história que recordamos é única para cada um de nós. Como aquele momento, hoje, ao almoço, era ele único e irrepetível também.&lt;br /&gt;Enquanto traziam comida para a mesa era como se celebrassem todas as virtudes da Terra. Desde o início da Humanidade que o Homem celebra à mesa as virtudes da Terra, e é nesse acto colectivo que forja as cadeias da amizade.&lt;br /&gt;E um imenso consolo feito de afecto e respeito tomou conta de mim e sobrepôs-se à gula. Não eram géneros colhidos nas prateleiras multicolores do hipermercado, como produtos de uma linha de produção, repetíveis e idênticos como clones, eram legumes nascidos lá mesmo, no quintal, onde outros aguardam a sua vez, sob o olhar paternal de quem lhes deu vida, era uma boroa oferecida pelas próprias mãos que a amassaram, como um acto íntimo de ternura. Era o vinho, que é sempre o orgulho da casa.&lt;br /&gt;Perdeu-se isto. Só quem nunca teve isto dia após dia, dia após dia, não sente que se perdeu para sempre; ou que está mesmo, mesmo, prestes a perder-se.&lt;br /&gt;E eu a pensar outra vez na minha avó a trazer a boroa como se fosse um tesouro, e a colocá-la na mesa como se fosse a taça da eucaristia.&lt;br /&gt;Pela festa da Nossa Senhora do Ó, quando o leitão assado pontificava a abastança do almoço melhorado, e os olhos de todos se enchiam de uma grande alegria; no olhar da minha avó, havia ainda uma sombra de mágoa, e baixava envergonhado por destoar dos olhares de festa em redor. "Que é isso vó?"&lt;br /&gt;"Que Deus me perdoe, meu filho, que nunca como uma migalha de pão que não me lembre da Grande Fome." E esmagava as lágrimas com os polegares. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3936132757976947626?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3936132757976947626/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3936132757976947626&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3936132757976947626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3936132757976947626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/08/grande-fome.html' title='A Grande Fome'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/THPE3EuYCXI/AAAAAAAAAi0/6SnzKqw-nrM/s72-c/Broa.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-4456230127762122139</id><published>2010-07-31T03:02:00.004+01:00</published><updated>2010-07-31T03:13:36.547+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coimbra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cacimbados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sé Velha'/><title type='text'>Uma História que não Aconteceu</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TFOFac51r4I/AAAAAAAAAiM/Sz-VtPytWLk/s1600/S%C3%A9+Velha.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499886259431387010" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TFOFac51r4I/AAAAAAAAAiM/Sz-VtPytWLk/s400/S%C3%A9+Velha.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ela olha os catorze degraus da Sé Velha. Parece contá-los.&lt;br /&gt;Agora o seu olhar está a subir devagar pela fachada. Parou e ficou muito tempo naquela posição, talvez admirando as ameias. Deve tê-las achado feias. Uma catedral com ameias não lhe deve ter parecido bem, nem a bela torre-lanterna do cruzeiro tão recuada. Que pena na Idade Média não construírem os templos a contarem com os turistas. Apeteceu-me ir dizer-lhe que subisse a rua Borges Carneiro para ter uma perspectiva melhor.&lt;br /&gt;Eu folheava um livro de Lídia Jorge. Ainda não lia: folheava. Nunca mergulho num livro sem lhe avaliar a temperatura. Converso com ele. Leio trechos separados.&lt;br /&gt;Reinicio várias vezes para me habituar ao paladar; deixo que o livro me domine. Só começo verdadeiramente a ler quando não penso em mais nada; e agora não me sai da cabeça o soldado Lourenço a fazer riscos no ferro da cama. Cortava um risco ao meio, com a ponta da faca do mato: mais um dia passado no inferno, menos um dia para o regresso a casa.&lt;br /&gt;Depois ia dormir.&lt;br /&gt;Ela deve ter quarenta anos, caminha com elegância apesar da calçada irregular. Olha sempre para a fachada do monumento. Parece afectada, artificial, como se estivesse a exibir-se para alguém.&lt;br /&gt;O livro tira-me dali por instantes. Uma jovem. Um casamento. Um entardecer em África. Uma atmosfera de doce alienação. A guerra colonial começa a pairar sobre a história apenas como uma trovoada distante. A mulher olhando os degraus da Sé Velha numa pose estudada. O soldado Lourenço a fazer riscos no ferro da cama. Na rua da Ilha um aluno do conservatório tira sons angustiados de uma tuba. Ao mesmo tempo uma voz feminina parece fazer gargarejos.&lt;br /&gt;A mulher ficou a observar os degraus novamente.&lt;br /&gt;Um pé no primeiro, como que a ganhar coragem. Deve ter vindo pela rua íngreme do Quebra-costas. Começa aqui uma história. Uma mulher de quarenta anos parou exausta em frente da Sé Velha. Se subir aqueles catorze degraus e entrar, vai provavelmente passar por uma lápide que tem o meu nome.&lt;br /&gt;Bem, a história não começa aqui. Na verdade, nós sabemos quando a história de alguém acabou, mas não sabemos quando começou. Esta história terá começado quando sepultaram aquele bispo com o meu nome? Quando erigiram a Sé Velha? Talvez as histórias devessem ser contadas do fim para o princípio. Por exemplo, o soldado Lourenço tinha a história da sua passagem pela guerra toda contada.&lt;br /&gt;Setecentos e trinta e um riscos; um para cada dia de comissão.&lt;br /&gt;Maldito ano bissexto que o obrigaria a passar mais um dia na guerra. Depois cortava os riscos no ferro da cama com a ponta da faca do mato. Riscava mais um dia que não viveu.&lt;br /&gt;Depois ia dormir. A mulher subiu os catorze degraus para poder entrar nesta história. Imagino-a a parar junto à lápide e a tentar ler o meu nome em latim. Os meus três nomes.&lt;br /&gt;Aquela mulher vai dizer o meu nome completo. Durante um instante estaremos unidos por um equívoco.&lt;br /&gt;Mas sem equívocos não há história. Se tudo se passar como é espectável – setecentos e trinta e um riscos no ferro da cama, nem mais um, nem menos um – não há história.&lt;br /&gt;Mas a história de guerra do soldado Lourenço tinha demasiados equívocos. Se tivesse riscado todos os dias de comissão com a ponta da faca do mato, teria de acrescentar mais cinquenta e sete riscos, tantos quanto os dias que os seus camaradas cumpriram a mais em Mueda, para depois abatê-los com um traço; porque os dias na guerra não contam como dias de vida. Mas o soldado Lourenço tinha que morrer numa emboscada; e isso fez daquela história contada em riscos, como hieróglifos numa tumba egípcia, um equívoco total.&lt;br /&gt;O livro começa a prender-me. Depois da história inicial, começa a revelar-se a vida por detrás da história. A vida é incomensuravelmente mais complicada do que a história.&lt;br /&gt;A mulher desce já os degraus da Sé Velha, como uma modelo numa passerelle, elegante e sensual, fazendo com que as pernas se cruzem levemente à medida que desce.&lt;br /&gt;Entretanto, passando à minha frente, um homem entradote na idade tenta fazer um traveling com uma câmara de vídeo compacta. Tarefa difícil numa calçada medieval.&lt;br /&gt;– Ficou legal?&lt;br /&gt;– Meio difícil né? Caminho irregular demais! Como é no interior?&lt;br /&gt;– Oras… não deu nem pra ver. Um bocado escuro.&lt;br /&gt;– Tão não dá pra filmar.&lt;br /&gt;E sobem a rua da Ilha sem olharem para trás. Sem levarem nada. No entanto, aquele templo românico tem uma história em cada pedra. Levam um filme das escadas, a única parte que não pertence verdadeiramente ao monumento, construída muito recentemente em substituição de um antigo terraço ao nível da entrada.&lt;br /&gt;Não há história sem equívocos, mas também não há história sem emoção. Como é possível estarem tão perto de entrar em contacto com a infinidade de histórias daquele templo, e ficarem satisfeitos com a escada de acesso? Tanta riqueza à mão e levam apenas umas imagens insípidas numa câmara compacta.&lt;br /&gt;Confesso que gostaria de ter guardado apenas um vídeo do soldado Lourenço a riscar o ferro da cama. Fechava a sua história numa cassete, num DVD, e talvez a história dele não se intrometesse agora na minha leitura. Mas a história dele nunca mais me largou, porque não dei apenas os passos necessários para entrar nela e os passos necessários para sair dela, sem nada pelo meio. Ele a riscar o ferro da cama com a faca do mato. Setecentos e trinta e um riscos. Maldito ano bissexto. Ele contava a sua história de guerra ao contrário.&lt;br /&gt;Em contagem decrescente. Setecentos e trinta; setecentos e vinte e nove. E depois ia dormir. Aos seiscentos e sessenta e um parou. Nessa altura, a trovoada da Guerra Colonial estalava mesmo por cima das nossas cabeças e um estilhaço de morteiro terminou-lhe o dia a meio.&lt;br /&gt;Uma história com fim prematuro, quando o soldado Lourenço faleceu em Nampula dois dias depois. Eu deveria ter ido riscar esses dois dias no ferro da cama dele, porque se deve acabar a obra de um homem, nem que essa obra seja a contagem decrescente para a vida depois da guerra.&lt;br /&gt;No Largo da Sé Velha a vida também avança sem esperar que alguma história aconteça. A tuba faz vibrar o ar fresco, para os lados do Conservatório. Às vezes ouvem-se os vocalizos da voz feminina, como gargarejos. O casal brasileiro há-de achar estranho aquele desconcerto musical.&lt;br /&gt;Lá vão eles, rua da Ilha acima, talvez em busca do campus universitário. Devem colher algumas imagens em frente à Porta Férrea e pronto. Para quê perder mais tempo com detalhes?&lt;br /&gt;Uma história que não aconteceu. O que mais há são histórias por acontecer. Há uma pedra tumular com o meu nome completo. Há muita gente que já leu aquele nome em voz alta como se falasse comigo, mas só a fantasia humana poderia ligar uma dessas pessoas a mim. O mundo não tem poesia nenhuma. Estética nenhuma. O mundo é um acumulado de ocorrências avulso. Somos nós que organizamos o divino caos universal na vã ilusão de criar beleza e de criá-la perene. Contamos histórias, erigimos catedrais e construímos universidades para que não se perca para sempre a beleza que um dia alguém sonhou. Nem que seja o belo sonho do impossível regresso a casa, quando a trovoada da guerra fazia estalar o céu mesmo por cima das nossas cabeças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se gostou deste "episódio" adquira o livro "Cacimbados" para leitura de férias &lt;a href="http://www.wook.pt/ficha/cacimbados/a/id/484018"&gt;&lt;strong&gt;aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-4456230127762122139?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/4456230127762122139/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=4456230127762122139&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4456230127762122139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4456230127762122139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/07/uma-historia-que-nao-aconteceu.html' title='Uma História que não Aconteceu'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TFOFac51r4I/AAAAAAAAAiM/Sz-VtPytWLk/s72-c/S%C3%A9+Velha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6661509232763262850</id><published>2010-07-09T20:37:00.003+01:00</published><updated>2010-07-09T20:44:30.840+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim; As estações do ano'/><title type='text'>A Alquimia do Outono</title><content type='html'>Recordo esse tempo como quem olha para uma foto antiga que achou num baú velho.&lt;br /&gt;Aquele ali sou eu, dizemos incrédulos por também termos sido crianças. Então temos a tendência irritante de dizer que fomos felizes nessa altura como nunca, desvalorizando tudo o que de bom aconteceu entretanto. Algumas pessoas, como se vê, chegam mesmo a escrever coisas sobre este assunto, como refúgio para as frustrações da idade madura.&lt;br /&gt;Mas devo ter sido feliz, porque me lembro de estar deitado no chão a sentir o calor que parecia vir do próprio coração da Terra, e o cheiro da erva fresca acabada de pisar, e todo o azul que se pode imaginar, lá em cima; não como se tudo me pertencesse, mas como se eu pertencesse a tudo. E a voz da senhora do Porto a inventar histórias ali ao lado.&lt;br /&gt;A senhora do Porto era uma velha, porque tinha mais de trinta anos, e era estrangeira porque tinha uma acentuada pronúncia do Norte; mas tinha o dom hipnótico de reunir à sua volta um bando de putos, que quando não jogavam à bola no Largo do Sobreirinho, todos contra todos para uma baliza só, entretinham-se a pôr em prática uma vertente extremista e ultra-radical do darwinismo, que consistia em matar cobras no Monte Grande, em pôr sapos a fumar com cigarros de barba de milho até estourarem, ou, quando tomavam banho na Lagoa do Olho, a fazer concursos de matar rãs à pedrada.&lt;br /&gt;Devo ter sido mesmo feliz porque só me recordo de uma coisa que me ensombrou a infância, algo verdadeiramente incapacitante: não ser capaz de caminhar descalço.&lt;br /&gt;– Olh'ó estapôr do cachopo que parece que vai todo engalicado. Pro qu'é que não calça o raça dos sapatos?&lt;br /&gt;Aquele ali sou eu, a treinar a andar descalço pela estrada de Vale de Cide abaixo, duplamente envergonhado: por aquela figura ridícula de sapatos debaixo do braço, e por me dar a impressão que o chão eram só cacos de vidro, quando os meus amigos quase todos jogavam à bola descalços. Mas depois chegava a senhora do Porto e passávamos para outra dimensão. As histórias começavam ainda na estrada, connosco a enxamear à sua volta calcando o finíssimo pó, mil vezes moído pelos aros das rodas dos carros de bois; e depois pelos campos fora, no convívio da miríade de insectos e vermes, de que a sociedade, amante dos produtos e valores liofilizados, ainda não nos ensinara a sentir nojo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TDd7SVsOPMI/AAAAAAAAAiE/gbiZsf4MD4o/s1600/Aguim_Vale+d%27Aveia_1.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 268px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491993825592097986" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TDd7SVsOPMI/AAAAAAAAAiE/gbiZsf4MD4o/s400/Aguim_Vale+d%27Aveia_1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entretanto nos vinhedos do Solão a alquimia do Outonho transformava lentamente o verde das parras em cobre ou em ouro puro.&lt;br /&gt;Depois da vindima em Aguim, colher uvas em vinha alheia deixava de ser roubo para ser rebusco, e os vindimadores deixavam de propósito algumas uvas de melhor qualidade para mais tarde as irem colher para si. Ora, toda a gente sabe que a necessidade que leva ao acto aguça normalmente o engenho, que por sua vez inspira a tolerância do julgador, mas nós antecipávamo-nos, sem respeito por esta regra da mais básica alquimia da justiça e pilhávamos os vinhedos em busca de um cacho ou ao menos de uma esgalha esquecida.&lt;br /&gt;– Serafim, Serafim, s'eu achar é pra mim!&lt;br /&gt;O Outono era o Verão cansado. Cada vez mais, a esturreira do sol dava lugar a um calor suportável, e ao fim da tarde o dia dava mostras de sonolência. E o calor que restava era um hálito morno que parecia vir mesmo das entranhas dos silvados e dos bosques. Até o canto nupcial das cega-regas se enchia de preguiça; ou então tinha sido bem sucedido, e por essa hora já tinham passado das palavras à acção.&lt;br /&gt;E os camponeses com passadas largas e lentas de enxada às costas. O corpo a descambar de cansaço. Passavam por nós, tão cansados que só diziam:&lt;br /&gt;–Tarde!&lt;br /&gt;Deixando que a entoação do cumprimento fizesse subentender a frase completa. E as mulheres atrás. Derreadas. Com grandes feixes de erva à cabeça e com um ar tão triste. Sempre vestidas de negro. Porque tinham sempre um ar triste as mulheres da minha terra? Às vezes riam como riem as crianças com fome: um pequeno intervalo na desgraça apenas, para depois continuarem a ser tristes. Nunca pensei nisto antes. Devo ter sido feliz, sim, porque nunca pensei nisto antes.&lt;br /&gt;Quando deixou de vir a senhora do Porto ou quando deixei eu de a acompanhar? Não tenho a menor ideia. Talvez tenha sido na mesma altura em que aprendi a ter nojo dos bichos e das coisas da terra; ou tal como de um sonho, devo ter acordado apenas, para entrar noutras fantasias: para a puberdade, tão hormonal e prosaica como estúpida.&lt;br /&gt;Um dia na loja da senhora Idalina vi-a a comprar uns chinelos de pano, que se destinavam a aproximar-se da empregada doméstica para poder espiá-la sem os seus passos serem ouvidos, e sofri um desgosto.&lt;br /&gt;Com a senhora do Porto aprendi a dar valor às coisas até aí dadas como garantidas por ter nascido no meio delas, mas que aos olhos de quem vê de fora são preciosidades; aprendi sobretudo a ver as coisas à minha volta para além da superfície, e, na falta de uma história convincente para cada uma delas, simplesmente imaginar uma, porque a fantasia é que torna a vida sublime. E isso colocava a senhora do Porto numa esfera do meu imaginário onde não se fazem canalhices, e tudo quanto recebi dela era demasiado valioso para ser posto em causa por causa daquele pecado.&lt;br /&gt;Nunca consegui resolver esse conflito: era impossível condená-la e era impossível absolvê-la. E a ela devo isso também: ganhei a capacidade de conceber o indivíduo na sua multiplicidade, de aceitar o anjo e a besta coabitando dentro de todos nós, isto é, de assumir humildemente a consciência da humana mediocridade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6661509232763262850?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6661509232763262850/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6661509232763262850&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6661509232763262850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6661509232763262850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/07/alquimia-do-outono.html' title='A Alquimia do Outono'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TDd7SVsOPMI/AAAAAAAAAiE/gbiZsf4MD4o/s72-c/Aguim_Vale+d%27Aveia_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7620380188376502525</id><published>2010-06-21T01:33:00.008+01:00</published><updated>2010-06-21T01:55:50.836+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ADFA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tetraplegia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Deficientes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>José Dentinho - Quando o corpo é uma prisão</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Entrevista para o Jornal Elo da ADFA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O Dentinho tem 65 anos. O Dentinho é tetraplégico há 44, há uma vida inteira. Tanto que, durante toda a conversa connosco nunca reviveu uma única memória anterior ao acidente que em terras de Angola, durante a Guerra Colonial, o privou de quase todos os movimentos e o condenou à prisão perpétua dentro do próprio corpo, como se antes disso a vida que viveu já não fosse sua.  &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TB60eilx4CI/AAAAAAAAAhs/yeWamj8Ya1M/s1600/Visita+ao+Jos%C3%A9+Dentinho+2010+(2).JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485019832958181410" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TB60eilx4CI/AAAAAAAAAhs/yeWamj8Ya1M/s400/Visita+ao+Jos%C3%A9+Dentinho+2010+(2).JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No quarto, para além de uma televisão, de uma aparelhagem estéreo e de algumas fotos nas paredes, um crucifixo e uma imagem da Virgem de Fátima.&lt;br /&gt;Lá fora, na viagem para aqui, sob o sol de Maio, fiadas intermináveis de crentes que receberam a graça da Virgem de Fátima cruzaram connosco enquanto pagavam, passo a passo, cada milagre recebido. Mulheres pelos seus homens, homens pelas suas mulheres, mães pelos seus filhos, a caminho da Cova da Iria. E ali a dois passos de nós uma velhinha, que já não pode dar um passo sob o peso dos seus 81 anos, parece desmentir as virtudes da fé.&lt;br /&gt;Que terá feito para não ter merecido a graça de receber o seu filho de volta como o conhecera? Não acredito que não tenha pedido fervorosamente, a julgar pela imagem da Virgem num lugar de destaque.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– A minha mãe sofreu muito, sofreu muito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Que me desculpem os muitos religiosos mas eu recuso-me a aceitar que esta mãe tenha feito alguma coisa a menos ou a mais, que todas as outras que seguem hoje para Fátima, para ter merecido a indiferença da Virgem.&lt;br /&gt;Mas não façam caso, é difícil evitar a ingenuidade dos lugares-comuns ou a blasfémia fácil perante os grandes dramas da vida. E a verdade é que estávamos ali perante um dos mais difíceis de tolerar.&lt;br /&gt;Um jovem, que me atrevo a dizer que era bonito, a julgar pelas fotos na parede, num instante da sua vida, num átimo da sua existência, tem um acidente e perde o controlo do seu corpo para sempre, e passa por uma via-sacra de incompetências e de indiferenças que parecem não ter parado nunca; nem agora no Portugal que acrescentou a sua estrelinha à constelação da bandeira europeia. &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TB61jQhmK-I/AAAAAAAAAh0/KxPg6Uvfn90/s1600/Visita+ao+Jos%C3%A9+Dentinho+2010+(5).JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485021013519772642" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TB61jQhmK-I/AAAAAAAAAh0/KxPg6Uvfn90/s400/Visita+ao+Jos%C3%A9+Dentinho+2010+(5).JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Primeiro mandaram-me para ortopedia onde eu me feri todo, e só mais tarde é que descobriram que o meu caso deveria ser tratado no serviço de Neurologia. Depois um braço caiu-me contra a parede, eu não sentia nada, que até estive algum tempo em coma, e apanhei uma artrose no cotovelo e fiquei sem poder mais mexer o braço. O outro braço que estava melhor, uma enfermeira ao virar-me fez-me outra artrose no outro cotovelo.&lt;br /&gt;Passados uns anos fiz novamente exames à coluna e disseram-me que se eu tivesse sido logo operado que era capaz de ficar até, não se diz a andar pelo meu pé; mas ao menos a comer pela minha mão, poderia ficar.&lt;br /&gt;E agora acabaram com o Hospital Militar de Coimbra aqui a 40 Kms e como faço quando precisar de ajuda? Vou ao Porto? Há dias tive que ir ali ao Hospital dos Covões e deixaram-me lá mais de 24 horas sem me fazerem nada. Nem ao menos me deram um copo de água.&lt;br /&gt;Preciso de ser visto, por causa das dores que agora sinto no abdómen, não são dores, é uma coisa horrível, mas agora tenho que ir ao Porto ou a Lisboa.&lt;br /&gt;O Dentinho tem uma carta escrita para mandar à Ministra da Saúde, ao Primeiro-ministro e ao Presidente da República a pedir-lhes que não lhe tirem o Hospital Militar de Coimbra que lhe tem valido toda a vida. Só esperava que lhe déssemos as moradas certas para a carta chegar aos seus destinatários.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;– Depois do acidente, alguma vez tiveste algum médico, algum psicólogo, alguém que te explicasse o que iria ser a tua vida futura e te preparasse para as limitações da tua deficiência?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Não, nunca.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;– Então como ficaste a saber que irias ficar imobilizado para sempre?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Quando estava no Serviço 6, por causa de outros colegas que já lá estavam e que me diziam"Ó pá, olha que tu prepara-te, que isso nunca mais, nunca mais."&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;– Mas apesar de teres estado em Alcoitão, onde me dizes que te trataram bem e onde recuperaste um pouco, e de já teres estado num lar, preferes viver aqui na tua casa e com a tua família, não é verdade?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– A minha família tem-me ajudado muito e não quer que eu saia daqui mas a minha mãe já não pode das pernas. Sofreu muito, muito, e eu tenho que ir para o lar da Cruz Vermelha.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TB62qV3H6TI/AAAAAAAAAh8/n8SZaXmJSmY/s1600/2009_Coimbra+-+Pa%C3%BAl+de+Arzila+05.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485022234722953522" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TB62qV3H6TI/AAAAAAAAAh8/n8SZaXmJSmY/s400/2009_Coimbra+-+Pa%C3%BAl+de+Arzila+05.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mais tarde, quando regressávamos a Coimbra perante a beleza do Paúl de Arzila e da planura calma e luminosa do vale do Mondego, como não sentir o desejo de ser ave e voar para abraçar no voo todo aquele espaço ao nosso alcance?&lt;br /&gt;Mas aquele espaço vibrante de luz e aparentemente sem limites, ao contrário do que seria de esperar, oprime-nos agora. Talvez por sentirmos a frustração de sermos tão limitados e indefesos. Sobretudo, depois de termos visto como um homem pode ver reduzido o seu horizonte aos limites do seu corpo.&lt;br /&gt;José Dentinho, prisioneiro do seu próprio corpo, reduzido aos movimentos da cabeça e de dois dedos da mão esquerda dirigiu da sua cadeira eléctrica um negócio de venda de produtos agrícolas e um mini-mercado, durante muitos anos, até as escaras provocadas pela imobilidade física o terem feito parar recentemente.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Eu em Alcoitão era bem tratado. Não é que não gostasse de lá, mas sentia-me inútil, aqui tratava das minhas coisas. Mas foi lá que aprendi a escrever com a mão esquerda numa máquina eléctrica e a assinar o meu nome e a dirigir a cadeira eléctrica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Até há um ano, mais coisa ou menos, eu movimentava uns milhares de contos por ano com o meu negócio, fora a loja. E na loja sempre falava com as pessoas, agora por causa das fístulas não posso sair daqui e como não uso a mão começo a perder o movimento da mão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Às vezes ouvimos algumas frases bonitas proferidas por alguns imbecis com protagonismo, que dizem que a liberdade é uma atitude e que a vontade de um homem tudo supera. Não é isso que sinto no fim daquilo que pretendia ser uma entrevista e acabou sendo uma lição de humildade face à nossa impotência perante a brutalidade da vida.&lt;br /&gt;Despeço-me do Dentinho junto à barra da cama dizendo banalidades, porque seria inútil um aperto de mão e impossível um abraço, enquanto o Zé Maria e o Álvaro, mais ágeis de entendimento, se despediam do Dentinho com uma carícia no rosto, a única parte sobreviva do corpo que pode ainda reconhecer o afecto de um amigo.&lt;br /&gt;À saída diz-me o Girão: "E às vezes ainda nos queixamos…"&lt;br /&gt;E lá seguimos nós para a carrinha, o Girão e eu, envergonhados por termos apenas falta de uma perna.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7620380188376502525?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7620380188376502525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7620380188376502525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7620380188376502525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7620380188376502525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/06/jose-dentinho-quando-o-corpo-e-uma.html' title='José Dentinho - Quando o corpo é uma prisão'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TB60eilx4CI/AAAAAAAAAhs/yeWamj8Ya1M/s72-c/Visita+ao+Jos%C3%A9+Dentinho+2010+(2).JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8598548964945782294</id><published>2010-06-07T16:47:00.005+01:00</published><updated>2011-08-22T18:24:30.855+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estupidez'/><title type='text'>Estupidário</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Darwinismo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não há nada inteligente debaixo do Sol. Tudo o que se conhece surge sem saber. Todo o ser que ganha saber apenas reproduz o que aprendeu com a sua espécie ao longo de milénios de evolução.&lt;br /&gt;Às vezes, algo de novo surge, não por um acto racional mas como fruto da mais pura aleatoriedade, ou seja, da estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Imaginação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um sardão pasmado ao sol. Um gafanhoto a estrebuchar-lhe na boca. Parecem posar para uma foto. Parados. Só uma perna do gafanhoto a tremelicar no canto da boca.&lt;br /&gt;Deve demorar pouco para o gafanhoto deixar de ser um gafanhoto. O sardão também vai deixar de ser um sardão qualquer dia. E a pedra onde estão esboroar-se-á e deixará de ser uma pedra.&lt;br /&gt;Tudo deixa de ser o que era, mais cedo ou mais tarde. Depois outra coisa quase igual toma o seu lugar. Outro gafanhoto, não necessariamente melhor que este. Outro sardão. Até outra pedra como esta há-de surgir em algum lugar neste universo.&lt;br /&gt;Pelo menos à escala humana isto é estúpido; ou, a sermos governados por um ser inteligente, falta-lhe imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Calculismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O matemático filósofo Blaise Pascal dizia-se crente por uma questão de inteligência.&lt;br /&gt;Dado que se Deus não existisse nada lhe aconteceria, quer fosse crente quer fosse ateu; mas se Deus existisse ele seria punido se fosse ateu e seria recompensado se fosse crente.&lt;br /&gt;Não há maior estupidez que evocar a inteligência partindo do princípio que Deus é estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perfeição&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela olha-se ao espelho e gosta do que vê, no entanto, demora-se em retoques de maquilhagem com as minúcias de uma restauradora de quadros antigos. O cabelo leva-lhe mais tempo. Quando se dá por satisfeita, ainda alinha uma madeixa sobre a arcada supraciliar direita com o cabo do pente para pronunciar um efeito de elegante negligência. Afasta-se dois passos para ter uma visão de conjunto e passa as mãos numa carícia sobre as ancas com o álibi de alisar o vestido.&lt;br /&gt;Da cozinha o aroma do arroz de pato vem até à sala e ela aguarda o som da campainha da porta para acender as velas e baixar a luz ambiente.&lt;br /&gt;Tudo perfeito, pensou.&lt;br /&gt;Ele entrou. Passados alguns minutos a travessa do pato ficou reduzida a uns restos, as velas sujaram os candelabros, o vinho sujou os copos, algumas migalhas de pão sujaram a toalha.&lt;br /&gt;Dois sapatos de salto alto à entrada do quarto.&lt;br /&gt;Duas horas depois ele saiu. Ela olhou-se ao espelho de novo. O penteado desmanchado. A maquilhagem esborratada.&lt;br /&gt;Depois, olhou languidamente pela porta a sala em desalinho.&lt;br /&gt;Tudo perfeito, pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ignorância&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meu amor, amo-te porque não sei que te amo. Se soubesse, amar-te-ia por um motivo que me fosse grato e não por amor. O amor vive da ignorância de si.&lt;br /&gt;Chegas, e as coisas perdem sentido à minha volta. Olho-te, e fico em êxtase como Narciso perante o espelho das águas. Falas, e toda a música se torna desnecessária. Ficas a meu lado, e o mundo já não poderá melhorar mais.&lt;br /&gt;Mas não sei porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Previsão&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O meu modesto barbeiro antecipa-me todos os grandes fenómenos sociais enquanto me corta o cabelo. Não me lembro de alguma vez ter acertado nas suas previsões.&lt;br /&gt;Chego a casa e ligo a TV em busca de alienação para a frustração de continuar a pagar o mesmo, e cada vez ter menos cabelo para cortar&lt;br /&gt;Na TV um professor catedrático debita, mas com mais detalhes inúteis, as mesmas previsões falhadas do meu barbeiro.&lt;br /&gt;Finalmente sinto um pouco de conforto, porque eu pago muito menos ao barbeiro que a televisão ao professor, para o mesmo resultado.&lt;br /&gt;Será que ao menos o professor sabe cortar cabelo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Senilidade&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O Mondego ao fundo era uma cobra de prata. O sol mostra a realidade e a ilusão. Os nossos olhos aceitam ambos.&lt;br /&gt;Ela sorriu com a tristeza que só um sorriso pode ter. Ele demorou a entender a tristeza vestida de sorriso.&lt;br /&gt;Só a luz do meio-dia parecia entender tudo: o rio, a tristeza, o sorriso, e a mulher e o homem sorrindo um para o outro.&lt;br /&gt;Todos os dias, como hoje, vinham à varanda, dir-se-ia que, para verem o rio fingir de cobra de prata transvestido de luz; mas ela vinha apenas ensaiar um sorriso e ele tentar entendê-lo.&lt;br /&gt;Quando ao fim do dia, as empregadas do lar de Penacova lhes vieram mudar as algálias, o homem e a mulher sentiram uma ténue felicidade, com a memória, embora imprecisa, de terem tido uma história de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fé&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Zé da cadela, enquanto pôde, foi a Fátima a pé. Pagou a prestações anuais um empréstimo que contraiu com a Virgem. Ela concedeu-lhe a vida na Guerra da Guiné, e ele ia rezar meia dúzia de ave-marias no dia 13 de Maio em frente do santuário, sem juros nem spreads nem outras alcavalas. Ficou-lhe cada ano de vida à razão de 6 ave-marias e os 30 Quilómetros, palmilhados de Leiria à Cova-da-Iria.&lt;br /&gt;Hoje morreu o Zé da cadela com todas as contas saldadas com a Virgem.&lt;br /&gt;Porque me custa adormecer esta noite, não conformado com os mistérios da fé? Será que, não havendo um único resquício em mim, eu preferisse, intimamente, ser capaz de ignorar a quantidade de mortos que teriam pago mais ave-marias e ido de mais longe rezá-las e até com mais convicção, a troco de sentir no lastro da minha alma o dormente conforto de não pensar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Estupidificação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O chefe avalia o subalterno, o subalterno bajula o chefe, o chefe recompensa o subalterno, o subalterno chega a chefe.&lt;br /&gt;Nesta regressão natural das espécies premeia-se a prevalência do mais esperto e prepara-se o futuro para chegar à estupidez generalizada.&lt;br /&gt;Finalmente, depois de quase um milénio de existência, Portugal terá condições para chegar em primeiro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Previsibilidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fortes convicções têm-nas os fracos. Certezas absolutas os tontos. Coerência de princípios os fanáticos previsíveis de todos os credos.&lt;br /&gt;Abre os olhos só o necessário para não chocares com a liberdade de pensamento sem a reconheceres.&lt;br /&gt;Não acredites demais em ti. A tua única manifestação de inteligência possível é a de questionares o rumo do rebanho de que fazes parte.&lt;br /&gt;Destrói o GPS, rasga todos os mapas e fecha os olhos. Aprende com os cegos a ver na escuridão, e vai a corta-mato.&lt;br /&gt;Depois sim, puxa da arma e dispara.&lt;br /&gt;Vale mais atirar à sorte num inocente do que suicidares-te por impotência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Heroísmo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Pegue-se num homem ainda novo.&lt;br /&gt;Macere-se a sua carne e rale-se o seu espírito com uma educação alienante e manipuladora.&lt;br /&gt;Junte-se em doses iguais: demagogia, religião e romantismo.&lt;br /&gt;Tempere-se com patriotismo quanto baste.&lt;br /&gt;Reserve-se a marinar durante alguns meses num quartel ou base militar para apurar do tempero e ganhar a consistência moral maleável típica de soldado.&lt;br /&gt;Finalmente, leve-se a cozinhar numa guerra em lume alto, para reduzir rapidamente e ficar bem passado.&lt;br /&gt;Serve-se em cadeira de rodas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agnosticismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há uma coisa muito estúpida: ter a certeza que deus existe e ser crente. Há uma coisa ainda mais estúpida: ter a certeza que deus não existe e ser ateu.&lt;br /&gt;Mas se quer ser o mais estúpido que é possível, faça como eu: conforme-se com a sua própria estupidez e seja agnóstico. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8598548964945782294?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8598548964945782294/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8598548964945782294&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8598548964945782294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8598548964945782294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/06/estupideareo.html' title='Estupidário'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7623864734594726414</id><published>2010-05-31T00:30:00.019+01:00</published><updated>2010-06-07T16:46:03.878+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PEC'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manifestação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CGTP Intersindical'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crise'/><title type='text'>Manif</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL30YyHTfI/AAAAAAAAAhk/ZToJ7RXZkGA/s1600/P1010627-e.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477212576213847538" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL30YyHTfI/AAAAAAAAAhk/ZToJ7RXZkGA/s400/P1010627-e.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estava ameaçado o céu nublado mas o sol veio à manif.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL3aPlUwkI/AAAAAAAAAhc/3az-UIOk2RE/s1600/P1010610-e.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477212127067685442" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL3aPlUwkI/AAAAAAAAAhc/3az-UIOk2RE/s400/P1010610-e.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Protestar com música porque a crise não é de inspiração. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/4Pi4wUfoFOU&amp;hl=pt&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/4Pi4wUfoFOU&amp;hl=pt&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;Coimbra é uma canção, ou l'avril (oublié) au Portugal &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL2pnUJFRI/AAAAAAAAAhM/pGxZJGhRF88/s1600/P1010634.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477211291624477970" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL2pnUJFRI/AAAAAAAAAhM/pGxZJGhRF88/s400/P1010634.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O luto ainda não… A luta continua!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL23TY6d3I/AAAAAAAAAhU/m_dyHxflDD8/s1600/P1010641.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477211526793951090" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL23TY6d3I/AAAAAAAAAhU/m_dyHxflDD8/s400/P1010641.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Defender… com afecto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL2Q4FtaPI/AAAAAAAAAhE/g9sBNTiG44I/s1600/P1010630.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477210866630617330" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL2Q4FtaPI/AAAAAAAAAhE/g9sBNTiG44I/s400/P1010630.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até agora tudo bem… estamos só a cair. Será que acordamos antes de bater no chão? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7623864734594726414?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7623864734594726414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7623864734594726414&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7623864734594726414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7623864734594726414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/05/manif.html' title='Manif'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TAL30YyHTfI/AAAAAAAAAhk/ZToJ7RXZkGA/s72-c/P1010627-e.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7868027813269239929</id><published>2010-05-12T01:03:00.002+01:00</published><updated>2010-05-12T01:16:32.995+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Inquietações</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Gato &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ontem saí de casa e havia um gato sentado à minha porta.&lt;br /&gt;Pensei todo o dia nisto.&lt;br /&gt;Não é expectável que um gato durma na soleira da porta de um prédio da minha cidade.&lt;br /&gt;Por assim dizer, aquele gato tornou rural a minha urbanidade.&lt;br /&gt;Hoje saí de casa e não havia gato nenhum, mas a cidade não voltou a ser a mesma. A reversibilidade do real não torna reversível uma metáfora.&lt;br /&gt;A partir de hoje vivo numa aldeia onde falta um gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Punho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela dobrou a esquina e apareceu de repente.&lt;br /&gt;Do muro rasteiro da rua um pedinte ergueu a cabeça para olhá-la. Ia estender a mão no seu hábito humilde de súplica, mas parou o gesto.&lt;br /&gt;Do seu ponto de vista, rente aos pés de quem passa, todas as pessoas são altas. Porém, aquelas pernas de uma elegância interminável elevavam ao inatingível o seu ponto de confluência, onde o sexo seria uma inevitabilidade.&lt;br /&gt;Isso aumentou o seu sentimento de exclusão, e a mão ainda parada a meio do gesto tremeu um pouco.&lt;br /&gt;Por um curtíssimo instante deixou de ser um pedinte.&lt;br /&gt;Foi quando uma foice de raiva lhe cortou o olhar e a mão parada a meio do gesto se ergueu num punho cerrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Música&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Por entre os corpos dos seus entes queridos que lhe caíram em cima, a criança bijagó viu os soldados portugueses destruírem as tabancas da sua aldeia.&lt;br /&gt;Se fosse um filme americano ouvir-se-ia uma música emocionante. Ouve-se sempre uma música emocionante com o intuito de transformar em arte as cenas de guerra mais obscenas. E os espectadores recostam-se em êxtase no sofá.&lt;br /&gt;Mas o menino bijagó só ouvia o esguichar do sangue a sair do pescoço do seu pai como um javali ferido e o estertor da sua mãe como grunhidos de uma porca a morrer. Lá fora a guerra continuava sem mais estética nem humanidade.&lt;br /&gt;Será que este menino, quando for grande, terá mais ódio aos soldados portugueses, aos sonoplastas americanos ou aos espectadores em êxtase com a matança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Concavidades&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;À entrada do Fischmarkt em Hamburgo sentei-me cansado.&lt;br /&gt;Uma canadiana de cada lado e à minha frente a pala côncava do saco da câmara. Do lado esquerdo o tocador de pianola, com o seu chapéu côncavo. Do lado direito os meus companheiros do Hospital Militar de sorriso côncavo adivinhando o desfecho da história.&lt;br /&gt;Chegou uma senhora de alma côncava olhando-nos aos dois.&lt;br /&gt;A senhora mediu a concavidade de cada um de nós: um perneta velho ou um jovem perneta?&lt;br /&gt;Ia a decidir-se por mim quando a câmara reflex de lentes intermutáveis com uma zoom de 200 mm me escorregou para o regaço mal estiquei a mão.&lt;br /&gt;Quando a moeda lhe retiniu na concavidade do chapéu, o velho tocador de pianola olhou-me vitorioso a julgar que levou a melhor por ser mais miserável do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mozart&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na parede da sala o piano vertical tem a tampa levantada. Na pequena estante da tampa uma pasta de papel amarelado. Um jovem olha a cidade pela janela e faz estalar os dedos das mãos.&lt;br /&gt;Na cabeça uma pequena confusão de pensamentos. À mistura com os restantes pensamentos, uma partitura de Mozart e uma decisão adiada.&lt;br /&gt;A partitura vê-se bem mas a decisão não. Está adiada.&lt;br /&gt;Ele faz correr as notas de abertura da peça pela memória. A decisão fica encoberta pela música.&lt;br /&gt;Não olha a cidade, apenas dirige para lá o olhar. Quando dirigimos o nosso olhar para o infinito, habitualmente procuramos ver algo no nosso íntimo.&lt;br /&gt;Depois, a réstia de um sorriso atravessa-lhe o rosto e ele senta-se decidido em frente do piano, esticando sempre os dedos. Abriu a pasta amarelada e passou para cima a folha de papel que dizia "Mozart Piano Sonata in C major, K. 309".&lt;br /&gt;As mãos pairaram alguns segundos sobre o teclado.&lt;br /&gt;Enquanto isso as notas de abertura da peça correram de novo pela memória, mas agora a decisão adiada via-se claramente em forma de rosto de mulher com olhar de súplica.&lt;br /&gt;Quando os poderosos acordes se espalharam pela sala como um carrilhão de esperança, a réstia de sorriso abriu-se no rosto e o calor reconfortante do perdão encheu-lhe o peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Açucenas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sei de um pequeno pedaço de terra na serra da Lousã onde nascem açucenas. Ao lado há um bosque que convida a intimidades.&lt;br /&gt;Será que os líquenes sobre as pedras ainda guardam a ternura dos teus dedos? Será que o vento ainda viaja pela serra com as nossas palavras?&lt;br /&gt;Lembro-me que pegaste numa açucena e a puseste no cabelo a lembrar-me que os amantes são sempre ingénuos e gostam de lugares-comuns.&lt;br /&gt;Não fora o peso do Tempo e sentiria ainda o mesmo calor, apesar do vento frio que anunciava o Inverno prestes a chegar.&lt;br /&gt;Porque pesa o Tempo? Porque murcham as açucenas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Num canto do parque de estacionamento algumas folhas secas rodopiam. Um saco plástico aparece do nada e rodopia também.&lt;br /&gt;O vento levanta-o e deixa-o cair, quase o faz dobrar a esquina e o liberta, mas volta a puxá-lo para o canto.&lt;br /&gt;Eu fico a olhá-lo por não ter nada que fazer.&lt;br /&gt;O bailado do saco plástico anima o canto árido do parque de estacionamento.&lt;br /&gt;As folhas secas atrás dele marcando o movimento. O meu olhar embalado pelo movimento. O meu pensamento atraído pelo olhar.&lt;br /&gt;Que música tocaria o vento para inspirar aquele bailado?&lt;br /&gt;Tudo tão árido em meu redor, e um alento de poesia sobre o asfalto.&lt;br /&gt;Quase vi o rosto de Deus sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tinto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não fazes ideia do que estou a falar, pois não? Quando digo que me fazem pena as pessoas felizes, será que me entendes?&lt;br /&gt;Eu sei que bebi de mais, eu sei que fiquei de repente com vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. Mas tudo o que está conformado aos seus limites naturais me desgosta profundamente.&lt;br /&gt;Não vês que do ponto de vista do quadrado, um cubo é uma quimera absurda. Não vês que do ponto de vista da baga bairradina, um Frei João tinto é uma utopia delirante?&lt;br /&gt;E se eu fosse feliz, não estava sentado nesta caixa, de copo meio na mão, olhando o fogo em busca da minha transcendência.&lt;br /&gt;É que, quando olho à minha volta, sinto a intransponibilidade dos meus limites perante a formidável incompreensão da tua ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Inquietude&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Há uma vantagem em estar acordado: podemos sempre ir dormir. A vantagem de estar a dormir é que não precisamos de grande esforço para sonhar. Já estando acordado, só alguns o conseguem fazer. Porém, só um número ainda mais pequeno é que consegue estar suficientemente acordado para se inquietar com o drama de estar vivo e pensar. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7868027813269239929?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7868027813269239929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7868027813269239929&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7868027813269239929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7868027813269239929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/05/inquietacoes.html' title='Inquietações'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3176447609464531928</id><published>2010-04-27T13:42:00.002+01:00</published><updated>2010-04-27T13:46:14.998+01:00</updated><title type='text'>Dor Fantasma na Antena 1</title><content type='html'>Ouça a divulgação da peça na Antena 1 &lt;a href="http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fmp3.rtp.pt%2Fmp3%2Fwavrss%2Fat1%2F802116_64903-1004261358.mp3&amp;amp;h=41022"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3176447609464531928?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3176447609464531928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3176447609464531928&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3176447609464531928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3176447609464531928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/04/dor-fantasma-na-antena-1.html' title='Dor Fantasma na Antena 1'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-4046130458196783139</id><published>2010-04-18T14:50:00.008+01:00</published><updated>2010-04-18T15:19:14.935+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><title type='text'>Dor Fantasma - LISBOA - Cartaz</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S8sOYD5CjLI/AAAAAAAAAg0/LP2_sFcTQmQ/s1600/dorfantasmaCARTAZlisboa.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461474779641056434" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S8sOYD5CjLI/AAAAAAAAAg0/LP2_sFcTQmQ/s400/dorfantasmaCARTAZlisboa.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;teatromosca &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;DOR FANTASMA, na Casa Conveniente [Lisboa]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;de 26 de Abril a 2 de Maio de segunda a domingo 21.30h Casa Conveniente (Cais do Sodré - Lisboa)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;bilhetes à venda no local e nas Estações de Correio ou em &lt;a href="http://www2.ctt.pt/feblh/jsp/app/public/search.jspx?shopCode=BLHT&amp;amp;searchCat=1300000&amp;amp;query=Dor+Fantasma"&gt;CTT-Online&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www2.ctt.pt/feblh/jsp/app/public/search.jspx?shopCode=BLHT&amp;amp;searchCat=1300000&amp;amp;query=Dor+Fantasma"&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Depois de ter estreado "Dor Fantasma", com textos de Manuel Bastos e direcção de Mário Trigo, no Porto, no Estúdio Zero, em Novembro do ano passado, depois da apresentação em Sintra, na Casa de Teatro de Sintra, em Janeiro deste ano, o espectáculo é reposto, agora em Lisboa, na Casa Conveniente, em Lisboa (Cais do Sodré), de 26 de Abril a 2 de Maio, de segunda-feira a domingo, sempre às 21.30h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;textos&lt;/strong&gt; MANUEL BASTOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;direcção&lt;/strong&gt; MÁRIO TRIGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;co-produção&lt;/strong&gt; teatromosca e Teatro Focus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;acolhimento&lt;/strong&gt; Casa Conveniente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PONTO DE PARTIDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde 2007, o teatromosca tem vindo a desenvolver um ciclo de pequenos projectos dedicado ao tema da guerra (colonial ou de independência) nas ex-colónias portuguesas. Entre 2007 e 2008, foram apresentadas três “fases preparatórias” do projecto teatral IGNARA#GUERRA COLONIAL, que culminará, em 2012, com a apresentação do espectáculo final homónimo. No início de 2009, o teatromosca associou-se ao Teatro Focus para levar a cena uma nova versão, em formato reduzido, do espectáculo INFA72, com texto de Fernando Sousa e direcção de Mário Trigo. Agora, apresentamos uma nova produção com textos de Manuel Bastos, ex-combatente, um espectáculo que visa dar voz ao que, regularmente, não é dito e revelar o que, usualmente, permanece camuflado. Com Dor Fantasma, tentamos dar plano às histórias particulares, aos relatos pessoais e, de certa forma, íntimos daqueles que viveram/ ainda vivem a guerra, procurando fazer uma reflexão em torno da História, numa dialéctica entre a memória individual e a relevância e incorporação da mesma na memória colectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SINOPSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este espectáculo constitui-se como um «monólogo a duas vozes», no qual duas personagens – um combatente e uma mulher - relatam episódios da «sua guerra», avaliando-a até às suas ínfimas, imponderáveis consequências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os «fait-divers» do teatro de guerra - entenda-se, o conjunto de acontecimentos que, em meio do caos, instituem essa espécie de perverso «padrão de normalidade» - são permanentemente desmontados pelo olhar lúcido, clínico, distanciado das personagens, apostadas em transmutar o horror da guerra em material de reflexão política (apartidária) ou em exercício extremo de auto-conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A deliberada inclusão da personagem feminina na colagem de que o guião resulta- caucionada pela tematização que Manuel Bastos, atentamente, lhe vota - corresponde à candente necessidade de reconhecimento do papel (ainda hoje secundado) que a mulher portuguesa desempenhou antes, durante e depois do conflito armado aduzido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SOBRE O AUTOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Correia de Bastos nasceu na vila de Aguim, no concelho de Anadia, em 1950.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mobilizado para ex-colónia de Moçambique com o posto de furriel miliciano, no cumprimento do serviço militar obrigatório, onde chegou no dia 12 de Fevereiro de 1972 até ser gravemente ferido em combate no dia 4 de Junho de 1972, devido à deflagração de uma mina anti-pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem escrito crónicas sobre a guerra colonial especialmente no Jornal da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, e mantém desde 2003 um dos mais antigos Blogs sobre a Guerra Colonial, O Cacimbo, em http://cacimbo.blogspot.com/.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a crítica especializada ainda não tenha «descoberto» este autor seminal, trata-se, sem dúvida, do ponto de vista literário, uma das vozes mais surpreendentes que têm, nos últimos anos, riscado a oferta editorial sobre o tema, ombreando, sem dúvida, com nomes tão fundamentais como António Lobo Antunes, Lídia Jorge, Manuel Alegre, Fernando Assis Pacheco, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da sua escrita pode destacar-se o modo como, glosando um tema tão «obsceno» como é a guerra (a sua, de um modo muito particular), consegue, munindo-se de metáforas límpidas e eficazes, atingir um lirismo de profundo fôlego filosófico de pendor filantrópico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SOBRE O ENCENADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário Trigo, fundador e Director Artístico da Associação Cultural Teatro Focus, tem vindo a trabalhar, de há seis anos a esta parte, textos sobre a guerra colonial. Em 2006, com efeito, fechou - com Companhia de Caçadores, em cena na Casa dos Dias da Água, em Lisboa (espectáculo contemplado com um apoio pontual do Instituto das Artes) - um ciclo de três encenações subordinadas ao tema (as outras duas foram Violeta- Puta de Guerra, em cena na Sala-Estúdio do Teatro da Trindade, em 2004; e Infa 72, no Teatro Taborda, 2002) todas em colaboração com o dramaturgo (e ex-combatente) Fernando Sousa. As suas encenações têm merecido a aclamação da crítica, pelo rigor, qualidade e coerência demonstrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha artística e técnica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Designação do espectáculo«Dor Fantasma» - a partir de textos de Manuel Bastos DirecçãoMário Trigo DramaturgiaPaulo Campos dos Reis InterpretaçãoFilipe Araújo e Susana Gaspar Assistência de encenaçãoDiana Alves Desenho de luzCarlos Arroja GrafismoAlex Gozblau Direcção de produçãoPedro Alves Produçãoteatromosca e Teatro Focus Co-produçãoFábrica da Pólvora - Clube Português de Artes e Ideias AcolhimentoAssociação Terra na Boca, As Boas Raparigas, Casa de Teatro de Sintra e Casa Conveniente ApoioCâmara Municipal de Sintra, Junta de Freguesia de Santa Maria e S. Miguel, Junta de Freguesia de Mira Sintra, Artistas Unidos, 5àSEC [Rio de Mouro], Relevo Branco, Jornal de Sintra, Jornal Actual Sintra, Jornal O Correio da Cidade, CTT, Rádio Clube de Sintra e Sporting Club de Lourel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de 26 de Abril a 2 de Maio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de segunda a domingo 21.30h&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa Conveniente (Cais do Sodré - Lisboa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bilhetes 5€ (preço único)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bilhetes à venda no local e nas Estações de Correio ou em &lt;a href="http://www2.ctt.pt/feblh/jsp/app/public/search.jspx?shopCode=BLHT&amp;amp;searchCat=1300000&amp;amp;query=Dor+Fantasma"&gt;CTT-Online&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www2.ctt.pt/feblh/jsp/app/public/search.jspx?shopCode=BLHT&amp;amp;searchCat=1300000&amp;amp;query=Dor+Fantasma"&gt; &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-4046130458196783139?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/4046130458196783139/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=4046130458196783139&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4046130458196783139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4046130458196783139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/04/dor-fantasma-lisboa-cartaz.html' title='Dor Fantasma - LISBOA - Cartaz'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S8sOYD5CjLI/AAAAAAAAAg0/LP2_sFcTQmQ/s72-c/dorfantasmaCARTAZlisboa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-1797159032677476773</id><published>2010-04-06T23:31:00.005+01:00</published><updated>2010-04-11T01:00:55.166+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim'/><title type='text'>Relâmpagos</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/kBQPkLuwy80&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;rel=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/kBQPkLuwy80&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Café&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha avó sopra uma brasa. A brasa numa cama de caruma. Sopra.&lt;br /&gt;Depois acende-se uma chama na caruma e nos olhos da minha avó.&lt;br /&gt;Em breve o aroma do café da manhã atraía todos em redor da mesa da cozinha do forno.&lt;br /&gt;Desde aquela brasa até à máquina de cápsulas de café passou tanto tempo que eu já não devia lembrar-me disto, mas sempre que tomo a bica sinto que me falta qualquer coisa.&lt;br /&gt;E não é café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cansaço&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;À hora em que o sol preguiçoso de Outono se servia da erva alta para desenhar longas pestanas de sombra sobre o pó da estrada de Vale de Cide, eu olhava os jornaleiros, cansado só de ver os corpos estamagados pelo martírio do farpão nas leivas barrentas dos vinhedos do Solão.&lt;br /&gt;A minha doce lassidão perante a tortura.&lt;br /&gt;Eles, talvez interpretando a inclinação da luz, pousavam o farpão. E a tarde morria.&lt;br /&gt;Endireitavam a custo o dorso, com ambas as mãos apoiando as cruzes. Quase se ouviam os gonzos perros daquelas costas a ranger.&lt;br /&gt;E espreguiçavam o olhar pela estrada fora, por onde se faria o caminho para o descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Setembro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando o Verão era mais barato apanhávamos a camioneta para a Costa Nova.&lt;br /&gt;Passávamos a ponte de madeira a pé. Ao longe cones de sal.&lt;br /&gt;Se só os cones eram brancos, porque é que aquelas manhãs de Setembro da minha infância passaram para os meus sonhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma árvore caída sobre um rio.&lt;br /&gt;A água passando alheia a este drama.&lt;br /&gt;A impressão que longe daqui me morreu alguém. Muito longe daqui.&lt;br /&gt;Quem se importa?&lt;br /&gt;Um cão ladra ao longe só para aumentar este desalento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Guerra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O vento soprava vindo de Sueste. Uma farripa de cabelo passava-me à frente dos olhos entrecortando a paisagem. Claro, escuro. Claro, escuro.&lt;br /&gt;As palavras do Dr. Diógenes a falar do dever e da honra. As palavras do meu pai a falar de afectos. A guerra à espera.&lt;br /&gt;Como se podem tomar decisões com o cabelo à frente dos olhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mina&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A fila de soldados deixava marcas de pés no chão. À medida que as marcas eram feitas ouvia-se um pequeno ruído como se o chão gemesse ao ser pisado pelos pés dos soldados.&lt;br /&gt;Às vezes o chão fazia um ruído muito maior ao ser pisado.&lt;br /&gt;Nunca devemos pousar os pés num chão que não nos queira bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Misses&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O médico olhou para o Lemos e concluiu que, ainda assim, muito do Lemos se tinha salvo, e perguntou a pergunta que perguntava sempre:&lt;br /&gt;– Sente-se bem?&lt;br /&gt;E o Lemos:&lt;br /&gt;– Sr. Doutor, tenho a impressão que o meu pénis está a modos que sem acção.&lt;br /&gt;No Domingo à tarde, as vencedoras do concurso das misses de Nampula vieram visitar o Lemos.&lt;br /&gt;O médico, satisfeito com o resultado, passou a sorrir pela cama do Lemos, na Segunda-feira de manhã.&lt;br /&gt;Não há dúvida que a Medicina é uma ciência humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dormidas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No Cais do Sodré um sem-abrigo dormita de mão estendida. O braço direito esticado e apoiado sobre o joelho.&lt;br /&gt;Um boné sebento na mão diz a quem passa: "Dêem qualquer coisinha".&lt;br /&gt;Dormita, porque é difícil manter os olhos abertos à indiferença humana.&lt;br /&gt;Na esquina da rua, uma porta diz a quem passa: "Dormidas".&lt;br /&gt;Em frente da porta, uma mulher anda de um lado para o outro como uma sentinela à entrada de um quartel.&lt;br /&gt;Quando passa um homem sem ouvir o que diz o boné mas conseguindo ler o que diz a porta, ela entra com ele, e depois a janela do primeiro andar fecha-se.&lt;br /&gt;Passados alguns minutos ela vem depositar uma moeda no boné.&lt;br /&gt;E por uns segundos o sem-abrigo abre os olhos para uma réstia de humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Milagre&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No hospital de Hamburgo havia muita gente que acreditava em milagres, mas nem todos os pernetas que foram a Lourdes tinham fé. Porém o Giló andava em silêncio a matutar naquilo.&lt;br /&gt;Pelo sim pelo não, mais valia acreditar. E nós, cínicos, encorajávamo-lo.&lt;br /&gt;No regresso, o Giló vinha envergonhado por ainda estar perneta.&lt;br /&gt;Apesar de cínicos, nenhum de nós se riu.&lt;br /&gt;Só deus se aproveita dos ingénuos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Coragem&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Os generais da junta médica militar mediram-me de alto a baixo e fizeram o que lhes mandaram fazer: deram-me alta porque a minha cama fazia falta para tanto ferido que a guerra fabricava.&lt;br /&gt;E ficou deliberado que ao sair dali eu estaria restabelecido.&lt;br /&gt;– Assine aqui.&lt;br /&gt;– Não assino nada.&lt;br /&gt;– É uma ordem.&lt;br /&gt;Não assinei.&lt;br /&gt;Um acto de coragem, mesmo inútil, faz mais pelo nosso amor-próprio do que a cobardia proveitosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abril&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, a 25 de Abril de 1974 tudo mudou ao nascer do dia. Tudo, menos as pessoas com certezas.&lt;br /&gt;Nós, os que temos dúvidas, temos também a honestidade de mudar frequentemente de opinião.&lt;br /&gt;Eles são desonestos porque quando mudam, mudam de uma certeza para outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Paz&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Durante anos e anos esqueci a guerra.&lt;br /&gt;Esqueci, não – escondi-a no fundo da memória onde não se ouvissem os tiros. Só às vezes em sonhos o chão rebentava todo debaixo de mim.&lt;br /&gt;Mas de manhã os teus olhos inventavam a paz no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Palco&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um homem triste. Um veterano pegando numa câmara fotográfica como se fosse uma arma.&lt;br /&gt;Uma mulher muito bela imagina-se uma mariposa sob a luz.&lt;br /&gt;Uma cadeira. Uma mesa. Parecem abandonadas sobre o palco.&lt;br /&gt;Uma sala vazia leva mais solidão.&lt;br /&gt;O homem aponta a câmara ao público. Dispara.&lt;br /&gt;Cada pessoa ao sair para a rua, ainda levava um pouco de dor no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Titanic&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A crise é um barco a naufragar sem salva-vidas para todos.&lt;br /&gt;O governo pede que sejamos patriotas e fiquemos no porão enquanto os passageiros da primeira classe se salvam.&lt;br /&gt;Os sindicatos dizem que se não há salvação para todos, que vá tudo ao fundo.&lt;br /&gt;Os políticos da orquestra de câmara continuam a fazer o que sabem e dão-nos música.&lt;br /&gt;Aposto que neste filme os responsáveis não têm dignidade para se afogarem com o barco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Relâmpagos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem faz a história é o leitor. Por isso nem tudo deve ser descrito, para que os silêncios entre as palavras deixem espaço à sua imaginação.&lt;br /&gt;Eu só apanhei estas palavras por aí e pouco mais fiz com elas.&lt;br /&gt;Um pouco mais de poesia e seriam música, um pouco menos e seriam preces. Não te iluminam o caminho, são breves relâmpagos apenas. Se te ajudar, fecha os olhos e lê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-1797159032677476773?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/1797159032677476773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=1797159032677476773&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1797159032677476773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1797159032677476773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/04/relampagos.html' title='Relâmpagos'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8935798578806066067</id><published>2010-03-30T22:31:00.004+01:00</published><updated>2010-03-30T22:47:13.237+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cacimbados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dor fantasma'/><title type='text'>Dor Fantasma em LISBOA</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;textos MANUEL BASTOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;direcção MÁRIO TRIGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;co-produção &lt;strong&gt;teatromosca e Teatro Focus&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;interpretações de &lt;strong&gt;Filipe Araújo&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Susana Gaspar&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S7JuSWqk_4I/AAAAAAAAAgk/C_N-59aeico/s1600/Dor---Sintra-6.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454543360299958146" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S7JuSWqk_4I/AAAAAAAAAgk/C_N-59aeico/s400/Dor---Sintra-6.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Casa Conveniente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rua Nova do Carvalho n. 11&lt;br /&gt;1200-291 Cais do Sodré&lt;br /&gt;(em frente ao Jamaica)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S7Jwk0nfsdI/AAAAAAAAAgs/FsVbWj_FJ9o/s1600/Casa+Conveniente.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454545876600992210" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S7Jwk0nfsdI/AAAAAAAAAgs/FsVbWj_FJ9o/s400/Casa+Conveniente.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Depois de ter estreado no Porto, no Estúdio Zero, em Novembro do ano passado, depois da apresentação em Sintra, na Casa de Teatro de Sintra, em Janeiro deste ano, o espectáculo "Dor Fantasma" é reposto, agora em Lisboa, de 26 de Abril a 2 de Maio, de segunda-feira a domingo, sempre às 21.30h, na Casa Conveniente, no Cais do Sodré. Partindo de textos do ex-combatente Manuel Bastos, com direcção de Mário Trigo, o espectáculo conta com interpretações de Filipe Araújo e Susana Gaspar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8935798578806066067?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8935798578806066067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8935798578806066067&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8935798578806066067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8935798578806066067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/03/dor-fantasma-em-lisboa.html' title='Dor Fantasma em LISBOA'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S7JuSWqk_4I/AAAAAAAAAgk/C_N-59aeico/s72-c/Dor---Sintra-6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3445059489729698848</id><published>2010-03-15T14:08:00.006Z</published><updated>2010-03-15T18:41:37.604Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim'/><title type='text'>O Contágio da Felicidade</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ler o texto completo &lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2010/03/o-contagio-da-felicidade.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[...]&lt;br /&gt;Como eu nunca mais lhe olhei para as fuças, ele um dia destes no trabalho todo daimoso: "Em acabando isso vem falar comigo que te enganaste nesta venda-a-dinheiro." E eu: "Se tens alguma reclamação, fala com o patrão." E aquele javardo ao depois passou por mim e resmordeu: "Tu és boa é a encher pipas ao alto." Aquele untuoso, aquele filho duma cadela, que Deus me perdoe, que a Ti Adelaide que Deus tem era uma santa.&lt;br /&gt;Acho que não devia estar a escrever estas coisas no meu diário, alguém pode um dia ler isto, e de mais a mais, agora o que eu faço de melhor é pôr tudo para trás das costas, que remédio.&lt;br /&gt;Eu queria esquecer tudo o que se passou mas parece-me que toda a gente sabe. Em primeiro achei que ninguém sabia mas ao depois fiquei desconfiada que ele se gabou aos amigos do copo, que parece que têm visco no olhar e estão sempre na caçoada quando passam por mim e que até parece que me comem com os olhos. Aqueles moinantes hão-de futurar lindas coisas a meu respeito. Um botou-me uns olhos manhosos e disse para eu ouvir: “Será q’anda esponque?” Que ele é um bêbado sempiterno, um boca de favas que não dá uma para caixa; que o que ele queria dizer era "suponha que", que é como se diz pranha em Aguim. Aquele labrego. Para salvação da minha alma eu andava prevenida, senão tinha-me desgraçado.&lt;br /&gt;Ainda se se dissesse: Ah, ela tinha falta de sexo e queria era deboche, mas não, eu namorava com o Adelino e tinha tudo o que queria dele; fui é apanhada de surpresa no meu ponto fraco. Mas não é o ponto fraco de todas as mulheres? Mas sabe Deus e eu em como eu antes preferia morrer do que ter prazer, só nojo e dor; que ainda sinto raiva por ter deixado perceber que gozei com as brutidades daquele porco roncolho, mas as forças foram-se-me não sei para onde, e eu fiquei de joelhos a ganir sem fôlego à frente do carro.&lt;br /&gt;Na Terça e na Quarta fiquei em casa, mas na Quinta voltei à festa e foi nesse dia que reparei no Zé. Aqueles olhos ternurentos postos em mim, e eu deixei-me sorrir para ele – que ainda estou para saber porquê.&lt;br /&gt;O Adelino a atazanar-me a paciência e eu a dizer-lhe: "Deslarga-me, vai fazer companhia àquela delambida com quem estiveste na Segunda-feira, e eu à tua espera." Ele a desfazer-se em desculpas e eu cá para mim: "Está bem deixa, daqui não levas mais nada." Que eu até andei embeiçada com ele, e ó mais, nunca me faltou com nada, e até é filho do patrão e tudo, mas não é homem de uma mulher só.&lt;br /&gt;E fui-me achegando para o Zé, um passinho de cada vez. E ele a ficar corado, sem saber onde por as mãos, mas a dar passinhos no meu endireito também. Quando estávamos ao lado um do outro, ele para mim: "Está uma noite primorosa." Ó meu Deus, onde vai ele buscar aquelas palavras?&lt;br /&gt;Mas eu senti uma alegria dentro de mim como se me tivessem dado uma prenda, um ramo de flores; nem sei explicar bem. O tratos que ele não deve ter dado à cabeça para se sair com aquela palavra ali do pé para a mão, só para me impressionar, e eu disse-lhe: "Está uma noite linda para começar um romance."&lt;br /&gt;E assim Deus me dê saúde em como aquela noite foi a primeira noite do nosso romance.&lt;br /&gt;Olhei para ele e perguntei-lhe se queria dançar comigo. Ele ficou tão atarantado que me apeteceu rir. Pegava na minha mão com as pontas dos dedos como se tivesse medo de me magoar, então eu agarrei a mão dele com a minha mão toda, e ele todo envergonhado. Envergonhado só por pegar na minha mão.&lt;br /&gt;Fui-me encostando a ele devagarinho para não o assustar, e ele tão feliz, tão feliz, que até parece que me pegou a felicidade.&lt;br /&gt;Aquela foi mesmo a primeira noite do nosso romance. Que o que eu senti, tive logo a certeza que era amor.&lt;br /&gt;Amor é quando a felicidade se pega.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ler o texto completo &lt;a href="http://www.blogger.com/Ler%20o%20texto%20completo%20aqui"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/Ler%20o%20texto%20completo%20aqui"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;in "Pressistência da Memória"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3445059489729698848?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3445059489729698848/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3445059489729698848&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3445059489729698848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3445059489729698848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/03/o-contagio-da-felicidade.html' title='O Contágio da Felicidade'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3829465068268692768</id><published>2010-03-09T01:09:00.006Z</published><updated>2010-04-02T18:49:48.916+01:00</updated><title type='text'>36º Aniversário do Regresso da CART 3503</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S5WkNnm5YTI/AAAAAAAAAgc/yfJG8gkQL9Q/s1600-h/BART+3876_Crach%C3%A1.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 155px; HEIGHT: 226px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446439878251864370" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S5WkNnm5YTI/AAAAAAAAAgc/yfJG8gkQL9Q/s400/BART+3876_Crach%C3%A1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Almoço de Convívio&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;24-Abril-2010&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Restaurante "O Chalé"&lt;br /&gt;Rua Central de Vandoma,564&lt;br /&gt;Vandoma&lt;br /&gt;4585-767 VANDOMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Confirma a tua presença&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Até ao dia 15 de Abril para os seguintes contacto:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manuel Fernando Costa - Telm. 916487132&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Restaurante “O Chalé” - Telf. 224160207 - Telm.917179248&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S5Wg-t6DSrI/AAAAAAAAAgM/hDhc3uaHb0Y/s1600-h/Capturar2.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 317px; HEIGHT: 226px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446436323709897394" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S5Wg-t6DSrI/AAAAAAAAAgM/hDhc3uaHb0Y/s400/Capturar2.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S5WhKtcZh5I/AAAAAAAAAgU/rdTIR-xwY6A/s1600-h/Capturar+1.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 299px; HEIGHT: 275px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446436529743955858" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S5WhKtcZh5I/AAAAAAAAAgU/rdTIR-xwY6A/s400/Capturar+1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preço por pessoa 35 euros&lt;br /&gt;Crianças até aos 10 anos 50%&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;EMENTA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bebidas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vinhos e Espumantes da adega Cooperativa de Monção Esteva&lt;br /&gt;Águas, Sumos, etc.&lt;br /&gt;............................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entradas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Delícias de marisco&lt;br /&gt;Bolinhos de bacalhau&lt;br /&gt;Croquetes de vitela&lt;br /&gt;Rissóis de marisco e carne&lt;br /&gt;Pataniscas&lt;br /&gt;Salpicão&lt;br /&gt;Melão&lt;br /&gt;Presunto&lt;br /&gt;Moelas&lt;br /&gt;Rojões&lt;br /&gt;.............................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PRATOS DE MESA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sopas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Canja&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;Creme de legumes&lt;br /&gt;………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prato de peixe&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Bacalhau Gratinado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;……………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pratos de Carne&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabrito&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;Vitela Assada com arroz de forno&lt;br /&gt;Saladas mistas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.......................&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;BUFFET DE SOBREMESAS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fruta Laminada&lt;br /&gt;Pudim Francês&lt;br /&gt;…………….&lt;br /&gt;Bolo&lt;br /&gt;Bolo da companhia&lt;br /&gt;Champanhe&lt;br /&gt;Cafés&lt;br /&gt;Digestivos&lt;br /&gt;………………&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ceia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Caldo Verde &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3829465068268692768?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3829465068268692768/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3829465068268692768&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3829465068268692768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3829465068268692768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/03/36-aniversario-do-regresso-da-cart-3503.html' title='36º Aniversário do Regresso da CART 3503'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S5WkNnm5YTI/AAAAAAAAAgc/yfJG8gkQL9Q/s72-c/BART+3876_Crach%C3%A1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8215604058518333715</id><published>2010-03-03T21:19:00.000Z</published><updated>2010-03-03T21:23:16.703Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>O Rapaz de Aveiro</title><content type='html'>&lt;em&gt;Texto de José Caseiro&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estávamos em Janeiro de 1971, provavelmente nos cruzamos na parada, ou no bar dos recrutas do R.I.7 em Leiria, até os nossos pelotões, quem sabe, se cruzaram, só que eu passado três semanas segui para as Caldas da Rainha para o curso de sargentos e ele lá ficou.&lt;br /&gt;Passados vários meses e ainda no ano de 1971, só que agora no mês de Novembro já em Viana do Castelo, de vários rapazes que nos foram apresentados lá estava o rapaz de Aveiro, que era um dos quatro enfermeiros que iam fazer parte da CART. 3503.&lt;br /&gt;Em Fevereiro de 72, chegados a Moçambique, precisamente a Mueda o rapaz de Aveiro foi colocado no meu pelotão. Das constantes saídas para a picada e para o mato, que nos deu a conhecer a maravilhosa beleza do planalto de Miteda, mais conhecido pelo planalto dos Macondes, nasceu uma amizade – não uma amizade de estarmos todos ali a defendermo-nos uns aos outros – mas aquela amizade que permite partilhar os bons momentos e desabafar os maus.&lt;br /&gt;No mês de Maio de 72 fui evacuado para Nampula por motivos de saúde e no período que estive no H.M.N. até á 3ª semana de Junho, muitos azares teve a CART. 3503. Tivemos mortos e feridos graves, de entre eles o nosso autor do Cacimbo, que foi ferido gravemente. Hoje ainda recordo aquele dia em que estava no Hospital com a noite a entrar, quando se ouviram os hélios a fazerem-se ao heliporto do Hospital Militar de Nampula e as ambulâncias para lá a dirigirem-se, até que ouvi alguém dizer: "São de Mueda da 3503." Foi uma punhalada que senti no coração, corri para a entrada das urgências para tentar ver alguma coisa, mas ali nada vi, corri tudo que me foi possível, até que na enfermaria dos sargentos através da janela da porta o vi a ser transportado pelos soldados maqueiros de um lado para o outro, sem saberem em que cama o iriam deixar, estando todo nu, com a perna onde foi ferido gravemente a baloiçar. Estava a passar por uma nova situação na sua vida, e com a qual,por certo ainda não sabia como lidar.&lt;br /&gt;Voltei-me para trás porque não me deixaram entrar, quase com as lágrimas a rebentarem, mas ali não podíamos chorar porque dávamos parte de fracos, caminhei um pouco e quando voltei para espreitar de novo e tentar falar com ele, ele já lá não estava, porque não era para aquela enfermaria que tinha que ir mas sim para os Cuidados Intensivos.&lt;br /&gt;Regressado a Mueda logo no dia seguinte fui heli-transportado para Muera onde estava a decorrer uma grande operação. Se à ida para lá tivemos bastantes azares, no regresso, no que respeita a feridos nada tivemos, embora uma viatura tivesse rebentado uma mina anti-carro. O que é certo, é que correu muito bem, comparado com a ida, não pelo facto de eu lá estar, ou quem sabe, talvez sim. Porque é que digo isto? É que passados estes anos todos cheguei à seguinte conclusão: enquanto estive activo em Mueda só tivemos dois feridos graves, o primeiro logo no princípio, éramos chequinhas, e o segundo e último da companhia, já velhinhos e no mata-bicho.&lt;br /&gt;Os restantes feridos graves, tal como os mortos foram todos na minha ausência quer quando estava em Nampula quer nos períodos de férias em que me ausentei de Mueda.&lt;br /&gt;Durante estes períodos não sei qual foi a actividade do rapaz de Aveiro que era enfermeiro, com a missão de socorrer os companheiros, o que eu sei é que era um rapaz muito seguro de si, mas algo de estranho começou a passar-se com aquele rapaz, recordo-o a refugiar-se na leitura, não deixando de ser um bom camarada de guerra.&lt;br /&gt;Chegou o dia em que foi graduado em Furriel, passando a ser um atirador e não um enfermeiro. Se bons amigos éramos enquanto ele era enfermeiro mais amigos ficámos agora que tínhamos o mesmo posto e que partilhávamos um quarto na flat dos Furriéis.&lt;br /&gt;Com o tempo a não querer passar, onde se contavam os minutos e segundos que faltavam para sairmos de Mueda, à noite refugiávamo-nos na escrita para a família e madrinhas de guerra que se arranjavam através da revista plateia. Só que naquela noite o rapaz de Aveiro disse-me: "Hoje vai ser para a leitura, bebida e tabaco, queres acompanhar-me?" Eu respondi que não, o mais que podia ser era fazer-lhe companhia enquanto escrevia para a família e madrinhas de guerra, mas que quando acabasse iria dormir.&lt;br /&gt;Entre ler e escrever a coisa deu até à uma da manhã, mas para ele não era nada pois que já tinha destinado que naquela noite iria meter abaixo nada mais nada menos que uma garrafa de brandy 1920, acompanhado com tabaco e alguma leitura.&lt;br /&gt;Infelizmente, mais algumas vezes repetiu esta dose, porque para este rapaz esta era a única hipótese que via para sair daquele inferno em que vivíamos.&lt;br /&gt;Este rapaz de Aveiro que numa noite bebia o conteúdo de brandy de uma garrafa de 0.75 e só se deitava quando via a garrafa vazia não tinha mais que 22 ou 23 anos.&lt;br /&gt;Era para isto que os senhores da guerra nos roubavam às nossas famílias, para morrermos com um tiro, com uma mina, ou então para morrermos aos poucos com os maus tratamentos que dávamos ao nosso corpo quando estávamos na flor da nossa idade, porque o nosso pensamento era que mais dia menos dia, podia chegar o nosso dia…&lt;br /&gt;E assim iríamos consolados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;© José Caseiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8215604058518333715?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8215604058518333715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8215604058518333715&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8215604058518333715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8215604058518333715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/03/o-rapaz-de-aveiro.html' title='O Rapaz de Aveiro'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3775040906908443130</id><published>2010-02-26T15:59:00.003Z</published><updated>2010-02-26T16:03:52.151Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Orgulho-me do Medo</title><content type='html'>Orgulho-me do medo&lt;br /&gt;Às vezes de manhã&lt;br /&gt;o cacimbo aumentava a raiva&lt;br /&gt;e o dedo pelo mapa&lt;br /&gt;deixava um risco invisível&lt;br /&gt;a caminho da morte&lt;br /&gt;Os olhos inocentes dos soldados&lt;br /&gt;a perguntarem à medida&lt;br /&gt;que a inteligência acordava&lt;br /&gt;Porque lutamos&lt;br /&gt;se ninguém o merece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje somos manchas&lt;br /&gt;numa foto encardida&lt;br /&gt;pelo ranço do tempo&lt;br /&gt;mas ainda se vê o medo&lt;br /&gt;no olhar inteligente dos soldados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(c) Manuel Guinato&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3775040906908443130?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3775040906908443130/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3775040906908443130&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3775040906908443130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3775040906908443130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/02/orgulho-me-do-medo.html' title='Orgulho-me do Medo'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-1126613842044587006</id><published>2010-02-12T15:42:00.003Z</published><updated>2010-02-12T15:59:22.524Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Flores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Árvores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>O Problema</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S3V4qUWFMSI/AAAAAAAAAgE/LRe6dV9UF1s/s1600-h/Embondeiro.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 377px; HEIGHT: 360px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5437384793530904866" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S3V4qUWFMSI/AAAAAAAAAgE/LRe6dV9UF1s/s400/Embondeiro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="2"&gt;Foto cedida por http://mocambique1.blogs.sapo.pt/&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde me vêm estes pensamentos? Acho que nascem numa parte de mim que eu não conheço, quem sabe, talvez venham da parte detrás da alma.&lt;br /&gt;Gosto de falar e caminhar ao mesmo tempo. Aqui no jardim do hospital só as árvores me ouvem. Eu também aprendi a ouvir as árvores em África. Nós em silêncio, como se estivéssemos a roubar alguma coisa, e as árvores sussurrando à nossa volta.&lt;br /&gt;A gente olha, e elas népia, calam-se logo. Elas falam entre si com murmúrios de vento, por isso são livres.&lt;br /&gt;Que eu conheço homens que correm, correm, mas as suas palavras nunca saem do mesmo sítio, já as árvores sabem muito bem que se as palavras não forem livres como o vento, seremos sempre escravos.&lt;br /&gt;Mas é preciso fingir que não as ouvimos para não as melindrarmos, porque as árvores são como eu, gostam de falar mas não gostam de intrometidos. É por isso que gosto de vir caminhar para aqui entre elas.&lt;br /&gt;Só não gosto dos canteiros de flores. A Etelvina tem muitas flores e eu digo-lhe:&lt;br /&gt;– Não tens dó de teres as flores enjauladas como animais num curral?&lt;br /&gt;E ela:&lt;br /&gt;– Ó Zé!&lt;br /&gt;Apetece-me soltá-las para elas se espalharem pelos campos fora. Cultivar flores em canteiros, todas alinhadas como soldados num pelotão, devia ser proibido. E ainda dizem que já acabou a escravatura.&lt;br /&gt;Às vezes na parada eu fingia que me enganava e ia para a esquerda quando o furriel dizia "direita volver". Não há nada mais cómico que trinta gajos, todos para um lado e eu sozinho para o outro. Era o único momento em que eu não me sentia escravo.&lt;br /&gt;E também, às vezes à noite, quando toda a gente dormia e as árvores me chamavam em segredo.&lt;br /&gt;As árvores são boa companhia, partilham a liberdade connosco, mas sabem ocupar o seu lugar. A minha filha parecia entender isto quando era pequenina:&lt;br /&gt;– Ó pai, as árvores nunca saem do mesmo lugar?&lt;br /&gt;E eu:&lt;br /&gt;– Não, minha filha, mas são livres porque falam com a voz do vento.&lt;br /&gt;Hoje telefonou-me.&lt;br /&gt;Eu disse-lhe que estava bem e a voz dela ficou presa numa palavra que parecia não querer sair. Pareceu-me que ia dizer pai, e fiquei à espera, porque há muito que não me chama pai. Uma palavra tão pequena e que fica sempre entalada. A Etelvina dantes ainda falava qualquer coisa, mas agora, quando lhe pergunto se se lembra de termos sido felizes, só diz:&lt;br /&gt;– Ó Zé!&lt;br /&gt;E depois cala-se também.&lt;br /&gt;Fazemos longos telefonemas de silêncio. Mas dá-me a ideia que alguém chora por detrás do silêncio.&lt;br /&gt;O que foi que nos sucedeu, que quando recordamos o carinho nos esquecemos das palavras?&lt;br /&gt;Ao menos as árvores nunca se calam. Bem, só ao fim da tarde, quando os pardais lhes cobrem os dedos e elas se vestem de sombras para dormirem. A essa hora fico muito sozinho aqui no parque.&lt;br /&gt;E quando fico muito sozinho recordo-me de quando a minha filha me procurava para eu lhe ensinar a resolver os problemas da escola. São os últimos momentos de ternura de que me lembro.&lt;br /&gt;Quando eu lhe ajudava a resolver os problemas os olhos dela enchiam-se de orgulho de mim. Depois os problemas tornaram-se muito difíceis para mim e ela aprendeu a resolvê-los sozinha, foi quando os olhos dela começaram a ficar parecidos com os da mãe.&lt;br /&gt;Uma ocasião, vi um problema difícil num jornal e lembrei-me de lhe pedir ajuda a ela.&lt;br /&gt;E ela:&lt;br /&gt;– Ó pai!&lt;br /&gt;Tal qual como a mãe diz:&lt;br /&gt;– Ó Zé!&lt;br /&gt;Ela não tarda nada é professora, deve-lhe ser fácil resolver problemas. Ainda guardo a folha do jornal.&lt;br /&gt;Se ela vier visitar-me peço-lhe novamente. Se ela disser "Ó pai" como dizia quando me pedia ajuda, eu insisto, se for no tom em que a mãe diz "Ó Zé", eu calo-me.&lt;br /&gt;A vida não faz sentido quando temos um problema para resolver e ninguém se preocupa com isso. Ao menos as árvores falam entre si.&lt;br /&gt;É verdade que ontem o capelão veio falar comigo para me ajudar a resolver o problema do jornal, mas eu tive que lhe explicar que nem todas as soluções servem. Que ao ouvir a solução nós temos que sentir os olhos a encherem-se de orgulho como se recebêssemos uma prenda, senão sentimo-nos humilhados como se nos dessem uma esmola.&lt;br /&gt;Gosto do capelão, porque quer ajudar toda a gente, mas tenho pena dele porque não lhe prestam muita atenção. Ele devia aprender com as árvores a não ser intrometido.&lt;br /&gt;– Tem alguma coisa que o incomode, senhor Sousa?&lt;br /&gt;Ora, claro que tenho muita coisa que me incomoda, a começar pela escravidão das flores, como soldados a fazerem ordem unida, todos à uma. Mas ninguém pode resolver isto, isto é uma coisa que me começou na tropa, quando eu tinha que marcar passo.&lt;br /&gt;– Deus pode resolver todos os problemas, senhor Sousa.&lt;br /&gt;Ora, se pode está à espera de quê? Eu, ao menos, se pudesse libertava já as flores.&lt;br /&gt;Em África, onde aprendi a entender as árvores, às vezes dava-me a impressão que um embondeiro chorava em silêncio.&lt;br /&gt;Deixava de o ouvir sussurrar, e apenas o cacimbo escorria pelas folhas. Convenci-me que era devido aos tiros que dávamos. Via-nos sair de madrugada com as armas em punho e chegar pela noite com elas às costas; entretanto da selva chegavam-lhe os ecos da guerra.&lt;br /&gt;Às vezes, sentava-me numa pedra junto ao tronco para o ajudar a chorar.&lt;br /&gt;Se a minha filha vier visitar-me, falo-lhe de novo no problema.&lt;br /&gt;Que eu tenho aqui o jornal.&lt;br /&gt;Se ela é quase professora foi porque a ADFA andou com os papéis e eles lá em cima acabaram por se chegar à frente, pois dantes só diziam:&lt;br /&gt;– Não há nexo de causalidade. Não há nexo de causalidade.&lt;br /&gt;Que é como quem diz: "Você já nasceu cacimbado" – e a Etelvina só rezas e penitências – mas por fim lá concordaram que isto que eu tenho começou na tropa.&lt;br /&gt;Que se não fosse pela minha filha eu estava-me borrifando – sempre é uma ajuda – mas agora é quase professora e hei-de convencê-la a resolver-me este problema. Não há-de ser o capelão.&lt;br /&gt;A esta hora, quando as árvores contam pardais pelos dedos e se vestem de sombras para dormir, sinto-me muito só neste parque.&lt;br /&gt;Às vezes queria ser capaz de chorar serenamente como um embondeiro onde se tenha calado a voz do vento.&lt;br /&gt;O cacimbo a escorrer-me pelas folhas.&lt;br /&gt;Só que na pedra a meu lado ninguém para me ajudar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-1126613842044587006?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/1126613842044587006/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=1126613842044587006&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1126613842044587006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1126613842044587006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/02/o-problema.html' title='O Problema'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S3V4qUWFMSI/AAAAAAAAAgE/LRe6dV9UF1s/s72-c/Embondeiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-5693240603146646263</id><published>2010-02-05T00:40:00.001Z</published><updated>2010-02-05T00:46:47.954Z</updated><title type='text'>Menino Negro</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Texto de António Marquês&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentes nos pézitos&lt;br /&gt;descalços&lt;br /&gt;o chão ardente, o alcatrão&lt;br /&gt;e os homens falsos.&lt;br /&gt;Vês nos olhitos&lt;br /&gt;abertos&lt;br /&gt;os meninos brancos,&lt;br /&gt;espertos,&lt;br /&gt;de cabeleiras ao vento,&lt;br /&gt;e tu, sem um&lt;br /&gt;lamento,&lt;br /&gt;pousas na tua fome.&lt;br /&gt;Vagueias p'la noite&lt;br /&gt;dentro, que te&lt;br /&gt;consome,&lt;br /&gt;e te faz sonhar&lt;br /&gt;que outros&lt;br /&gt;meninos,&lt;br /&gt;brancos, rabinos,&lt;br /&gt;estão a papar&lt;br /&gt;Dormes no&lt;br /&gt;chão&lt;br /&gt;que o homem branco,&lt;br /&gt;que é teu&lt;br /&gt;irmão,&lt;br /&gt;te ofereceu.&lt;br /&gt;Olhas p'rá lua&lt;br /&gt;pois não tens&lt;br /&gt;tecto nem nada&lt;br /&gt;teu.&lt;br /&gt;Ao acordares&lt;br /&gt;hás-de&lt;br /&gt;pensar&lt;br /&gt;que o teu irmão&lt;br /&gt;que anda no mato&lt;br /&gt;te há-de um dia&lt;br /&gt;vir libertar.&lt;br /&gt;Hás-de crescer&lt;br /&gt;e o branco&lt;br /&gt;ver&lt;br /&gt;que é teu irmão&lt;br /&gt;e vir até ti&lt;br /&gt;pedir&lt;br /&gt;perdão.&lt;br /&gt;E nesse dia,&lt;br /&gt;a liberdade,&lt;br /&gt;que é um hino,&lt;br /&gt;há-de ser tua,&lt;br /&gt;negro-menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(c) António Marquês&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chipera, Moçambique, 4 de Julho de 1974 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-5693240603146646263?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/5693240603146646263/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=5693240603146646263&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5693240603146646263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5693240603146646263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/02/menino-negro.html' title='Menino Negro'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6590363526588997474</id><published>2010-01-14T19:09:00.012Z</published><updated>2010-01-16T22:43:51.568Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim; As estações do ano'/><title type='text'>O Último Verão da Minha Inocência</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/b7OE6-OsHtk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/b7OE6-OsHtk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Antes do alcatrão, o pó nas estradas e os pés das mulheres encortiçados ignorando as pedras. Eu olhando o meu mundo de criança rente ao chão; tudo visto de baixo para cima. A ouvir o restolho de uma cobra na erva, o sobressalto dos pássaros numa oliveira. A sentir a paciência das vinhas, quietas, a aguardarem que as uvas amadurecessem.&lt;br /&gt;– Tudo a seu tempo.&lt;br /&gt;A minha avó, especialista em paciência, compreendia as vinhas. Eu não: – Queria um cacho, vó.&lt;br /&gt;– Tudo a seu tempo.&lt;br /&gt;E eu desistia porque o Verão era longo.&lt;br /&gt;Os adultos falavam de coisas estranhas. Falavam depressa de mais. E tinham sempre que fazer.&lt;br /&gt;– Porque demoraste tanto Zé?&lt;br /&gt;E o meu pai: – Fui abicar as couves.&lt;br /&gt;Só o meu avô se deixava às vezes ficar a fingir que dormia a sesta. A fingir: porque a mão enxotava as moscas como o rabo do cavalo. De vez em quando o cavalo resfolegava, amarrado à velha figueira, com o saco de ração pendurado nas orelhas para não ter de dobrar o pescoço para comer, e o meu avô com o máximo de ternura que lhe conheci: – O que é? – E ele acalmava-se. O meu avô falava frequentemente com o cavalo. Não admira, passavam muito tempo juntos.&lt;br /&gt;As moscas inquietas, e zás, a mão a enxotá-las de um lado e o rabo do cavalo a enxotá-las do outro. O zumbido das moscas a fazer-me sono. E o restolho da erva. O sobressalto das oliveiras. A paciência das vinhas.&lt;br /&gt;Às vezes, sem eu contar, havia festa e toda a gente deixava de trabalhar. Tudo cheirava de modo diferente. Eram os mesmos cheiros, mas mais alegres. As mulheres aperreavam os pés encortiçados em sapatos enormes, só por uma questão de elegância, o que lhes dava um andar torturado, e os homens usavam com orgulho uma tira de pano pendurada ao pescoço, elevada à categoria de gravata, e um raminho de limonete atrás da orelha para dar um toque de classe. Então é que eu notava que mal se lavavam, que apenas se desenxovalhavam. Passavam uma água pelo corpo, tiravam a maior, mas o encardido ficava. A marca do castigo, da labuta, da tortura habitual do trabalho. Tão habitual que havia um certo desassossego nos dias de festa, como se os corpos habituados ao esforço se sentissem descontrolados sem o lastro pesado do trabalho.&lt;br /&gt;As festas apanhavam-me sempre de surpresa. Num dia tudo tinha os mesmos vagares, e no outro tudo acordava eufórico, e, quando eu me habituava, lá voltava tudo inesperadamente à mesma rotina. Os cheiros acalmavam de novo, familiares de novo, como uma cama já afeita ao corpo.&lt;br /&gt;O cheiro hormonal do cavalo, o cheiro nutritivo do estrume, o cheiro cáustico do lume, o cheiro acre da massa lêveda a fazer adivinhar o cheiro sem adjectivos supérfluos da boroa fresca.&lt;br /&gt;Quando não fingia dormir o meu avô assobiava; só uma nota, incessante, distraída. Ele a olhar para um lado e as mãos a fazerem as coisas numa destreza mecânica para o outro. E o assobio sempre igual, só interrompido para tomar fôlego. Do outro lado da rua o Ti Zé Sécio batia, batia, assobiando também uma nota só. E o ferro gritava a cada marretada, e depois num arrepio cortante fazia ferver a água fria da pia ao lado da forja. Saía a chiar e sem fôlego daquela têmpera rude e o Ti Zé observava-o com minúcias de ourives, e às vezes insatisfeito reiniciava a tortura.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo &lt;a href="http://aguimemmim.blogspot.com/2010/01/o-ultimo-verao-da-minha-inocencia.html"&gt;&gt;aqui&lt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6590363526588997474?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6590363526588997474/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6590363526588997474&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6590363526588997474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6590363526588997474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/01/o-ultimo-verao-da-minha-inocencia.html' title='O Último Verão da Minha Inocência'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-369294798296139141</id><published>2010-01-04T19:58:00.004Z</published><updated>2010-01-04T20:20:25.345Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><title type='text'>Dor Fantasma - Casa de Teatro de Sintra</title><content type='html'>&lt;img style="WIDTH: 282px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422977093308159362" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S0JI7ye2lYI/AAAAAAAAAf0/h5P20m5wtNc/s400/Teatromosca+-+Dor+Fantasma+-+poster" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dor Fantasma&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;15 e 16 de Janeiro; &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;às 21:30&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Casa de Teatro de Sintra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rua Veiga da Cunha 20 - Sintra&lt;br /&gt;2710-627 SINTRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRODUÇÃO&lt;br /&gt;Teatromosca - Teatro Focus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ACTORES&lt;br /&gt;Susana Gaspar&lt;br /&gt;Filipe Araújo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENCENADOR&lt;br /&gt;Mário Trigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AUTOR&lt;br /&gt;Manuel Bastos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cacimbo.blogspot.com/2009/11/dor-fantasma-porto.html"&gt;&lt;strong&gt;Leia mais aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S0JLlatXXEI/AAAAAAAAAf8/socnDHjuC2M/s1600-h/P1010558-e+copy.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422980007504337986" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S0JLlatXXEI/AAAAAAAAAf8/socnDHjuC2M/s400/P1010558-e+copy.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-369294798296139141?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/369294798296139141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=369294798296139141&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/369294798296139141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/369294798296139141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2010/01/dor-fantasma-casa-de-teatro-de-sintra.html' title='Dor Fantasma - Casa de Teatro de Sintra'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/S0JI7ye2lYI/AAAAAAAAAf0/h5P20m5wtNc/s72-c/Teatromosca+-+Dor+Fantasma+-+poster' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3835878267489164730</id><published>2009-12-18T21:33:00.007Z</published><updated>2009-12-18T21:59:21.400Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mueda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Mueda, a Palavra do Nosso Destino</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;TEXTO DE: António Pereira de Almeida, último capitão da CART 3503&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Syv5DzmrW6I/AAAAAAAAAfs/jdTZ_vnd_wQ/s1600-h/Mueda+-+Edif%C3%ADcio+do+Comando.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 274px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416696820630510498" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Syv5DzmrW6I/AAAAAAAAAfs/jdTZ_vnd_wQ/s400/Mueda+-+Edif%C3%ADcio+do+Comando.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mueda - Edifício do Comando - foto de António Almeida&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mueda, escrita com “u”, transformou-se, com o tempo, numa palavra mítica e/ou mística, para quantos por lá passaram, algures no Norte de Moçambique.&lt;br /&gt;Mas, na realidade, Mueda, para nós, passou a deter uma existência muito real e jamais essa realidade deixou de nos acompanhar pela vida fora.&lt;br /&gt;A primeira vez que ouvi alguém referir-se a Mueda, foi no ano de 1968, na Universidade. Um colega que cumpria já o serviço militar, colocado em Lisboa nos Serviços de Informação do Exército, contou-me que das três frentes de guerra que Portugal mantinha, Angola, Guiné e Moçambique, aquela que causava maior número de baixas era a de Moçambique, devido à luta que se travava na região de Mueda.&lt;br /&gt;E, foi exactamente na universidade que voltei, meses depois, a ouvir referenciar, de novo, a palavra Mueda. Era a época dos exames, em plena Crise de 1968/69, estava eu integrado num piquete de greve, procurando impedir o acesso às instalações onde deveriam decorrer as provas, daqueles que pretendiam furar a greve.&lt;br /&gt;Entre estes havia um estudante, forçando a entrada, empurrando e gritando, juntamente com outros estudantes, quase todos trabalhadores-estudantes, dizendo que vinha de propósito de Mueda, onde exercia funções administrativas, para realizar aquele exame, e iria fazê-lo custasse o que custasse.&lt;br /&gt;Só muito tempo depois haveria de escutar novamente alguém a referir-se a Mueda. Foi em Stª Margarida, já em 1973, onde me encontrava a preparar a minha companhia com destino já conhecido, Omar, em Moçambique. Apresentou-se para passar à disponibilidade um oficial, vindo de Moçambique, que foi alvo da curiosidade de todos os oficiais que se encontravam a formar o Batalhão, que já sabia destinar-se àquela região e, a minha companhia, já sabia que ia para um buraco chamado Omar. Às minhas interrogações disse que nunca havia estado lá, mas havia passado por Mueda, mais, tratava-se de uma zona de “porrada” mais ou menos permanente.&lt;br /&gt;Alguns meses se passaram, a preparação da companhia com destino a Omar lá continuava, até que tive um acidente de automóvel quando me encontrava a gozar a licença de 10 dias de que todos beneficiávamos aquando da mobilização para a guerra. Fui hospitalizado e, de seguida, substituído no comando da companhia. Foi assim que disse adeus a Omar, sem nunca lá ter sequer chegado.&lt;br /&gt;Esses militares partiram para África em Agosto de 1973 e, eu, por cá fiquei a guardar ordens e destino.&lt;br /&gt;Cerca de dois meses depois, chegou a minha vez. Embarquei para Moçambique, também, sem conhecer o destino operacional. Fui em rendição individual.&lt;br /&gt;Somente na cidade da Beira, em Moçambique, é que tomei conhecimento, através da “guia de marcha” respectiva, que o meu destino final era Mueda.&lt;br /&gt;Já no avião, lá bem nos primeiros lugares, como calhava aos oficiais, encontrei alguns que regressavam de férias. Procurei obter alguma informação sobre a zona onde estaria esta Cart 3503. Somente um daqueles oficiais sabia que se tratava de uma companhia que estava sediada algures “lá para cima”.&lt;br /&gt;Fiquei, desde logo, a saber que a referência “lá para cima”, significava zona de “porrada”. Mas, na prática, fiquei a conhecer o mesmo que já sabia, isto é, nada de concreto sobre o meu verdadeiro destino.&lt;br /&gt;A chegada a Nampula aconteceu já de noite. Só no dia seguinte, no bar da messe de oficiais, viria a tomar conhecimento, através de quem bem a conhecia, a zona que me foi atribuída.&lt;br /&gt;Foi aí, em Nampula, que conheci o primeiro militar da 3503, nada mais, nada menos, que o, então, alferes Silvestre, que se encontrava no hospital, a quem ouvi, pela primeira vez, referências sustentadas acerca da companhia que me fora destinada na Beira.&lt;br /&gt;Praticamente ao mesmo tempo, encontrava-se na messe um capitão, também com baixa no hospital, o Franklim. A sua reacção, quando se apercebeu que eu iria para Mueda, e para a Cart 3503, começou, quase gritando, “fuja homem, fuja!”, conheço muito bem o buraco para onde o estão a enviar.&lt;br /&gt;Já de posse de alguns dados, transmitidos pelo Silvestre, lá parti para Porto Amélia, última etapa, antes de rumar a Mueda.&lt;br /&gt;Em Porto Amélia, enquanto aguardava transporte para percorrer a última etapa desta viagem, conheci, na messe, um alferes que estava em Mueda, o Raul Carregoso, responsável pelo material auto do Batalhão. Como é evidente, fiquei a conhecer mais alguns pormenores acerca do local do meu destino.&lt;br /&gt;Passados uns dois dias foi o embarque com destino a Mueda.&lt;br /&gt;Finalmente a chegada à “terra prometida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 24.09.2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;TEXTO DE: António Pereira de Almeida, último capitão da CART 3503&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3835878267489164730?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3835878267489164730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3835878267489164730&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3835878267489164730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3835878267489164730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/12/mueda-palavra-do-nosso-destino.html' title='Mueda, a Palavra do Nosso Destino'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Syv5DzmrW6I/AAAAAAAAAfs/jdTZ_vnd_wQ/s72-c/Mueda+-+Edif%C3%ADcio+do+Comando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7005584523997002138</id><published>2009-12-07T16:23:00.006Z</published><updated>2009-12-07T16:51:43.668Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>O Inconveniente da Inteligência</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leia o texto completo &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/12/o-inconveniente-da-inteligencia.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qwg3y_FnLmg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qwg3y_FnLmg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sofia é uma mulher feliz. Olha-se ao espelho. O cabelo em desalinho. Deixa cair na cama de novo, o corpo ainda dormente de prazer. O chuveiro na casa de banho imita a chuva de verão na varanda, e Sofia deixa os pensamentos soltos fluírem à toa, como fotografias atiradas à sorte para cima de uma mesa.&lt;br /&gt;O homem que toma banho em silêncio, só o fervilhar do chuveiro a competir com a chuva, penetra na sua vida quase só tangencialmente, como uma flecha de luz que a ilumina e aquece mas que continua o seu percurso deixando-a sempre como estava antes de chegar. As vidas de ambos têm muitos momentos de contacto como este, mas não se fundem uma na outra, são a água e o azeite, eternos símbolos das uniões imperfeitas, mas se isso às vezes lhe deixa um travo de incompletude, outras vezes como agora, dá-lhe um perverso prazer. Ele vai sair primeiro, ela depois, como se não tivessem nada em comum. É esse ludíbrio que faz desta sua relação um segredo delicioso. Apenas uma sombra cúmplice atrás da cortina de renda do segundo esquerdo. Depois a cortina ondula e a sombra desaparece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sx0qHausmeI/AAAAAAAAAfk/c7vay9g0Im4/s1600-h/garage-window-curtains.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 225px; HEIGHT: 254px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412528634091837922" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sx0qHausmeI/AAAAAAAAAfk/c7vay9g0Im4/s400/garage-window-curtains.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[...]&lt;br /&gt;– Mas tu lutaste pela sobrevivência, mataste para não morrer.&lt;br /&gt;– Não percebes nada do que estás a falar. Sabes… o melhor soldado não é aquele que luta por um ideal, nem o que luta para sobreviver, o melhor soldado é aquele que luta sabendo que vai morrer. Não é a esperança que faz um soldado matar, é o desespero.&lt;br /&gt;As guerras não têm estética possível, porque só têm um lado: o lado abjecto da chacina.&lt;br /&gt;A cor quente do sangue a destoar na frescura verde da paisagem. O terror a desequilibrar a excessiva harmonia do rosto dos inocentes que nos olham antes de morrer à procura de um resíduo de humanidade.&lt;br /&gt;Tragicamente belo não é? No fim da ópera o público abandona a sala e regressa ao ócio dos salões; no fim do romance fecha-se o livro e regressa-se ao conforto do sofá; no fim do filme desliga-se a televisão e toda a tragédia vai para onde foram os nossos pesadelos de infância ao acordarmos em conforto e segurança na cama dos nossos pais; mas, e se não tivermos como desligar os nossos pesadelos? E se a nossa história for o monstro que temos fechado na cave da nossa própria casa, enquanto tentamos dormir em paz no quarto por cima dele? Pior: esse monstro é a parte de nós que já morreu, à espera que abram o alçapão, para vir tomar posse do que resta de nós.&lt;br /&gt;Procurou de novo o tabaco nos bolsos, como se não tivessem passado dez anos desde que deixara de fumar, como se uma parte de si que tivesse morrido numa guerra antiga tivesse vindo tomar posse do seu corpo.&lt;br /&gt;[...]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leia o texto completo &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/12/o-inconveniente-da-inteligencia.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7005584523997002138?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7005584523997002138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7005584523997002138&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7005584523997002138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7005584523997002138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/12/o-inconveniente-da-inteligencia.html' title='O Inconveniente da Inteligência'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sx0qHausmeI/AAAAAAAAAfk/c7vay9g0Im4/s72-c/garage-window-curtains.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-81065476888148707</id><published>2009-11-16T01:54:00.017Z</published><updated>2009-11-26T16:31:22.952Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>DOR FANTASMA - PORTO</title><content type='html'>&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 307px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404516053900893170" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwCyt3eom_I/AAAAAAAAAe8/44mjtis2LsM/s400/P1010557+copy.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Dor Fantasma - 20 e 21 de Novembro - Estúdio Zero – Porto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Cedofeita R Vanzeleres 146&lt;/em&gt;,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;PRODUÇÃO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Teatromosca - Teatro Focus&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;ACTORES&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Susana Gaspar &lt;div&gt;Filipe Araújo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwCzaHdCBtI/AAAAAAAAAfE/ut5LwFwuYfU/s1600-h/P1010555-e.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404516814103381714" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwCzaHdCBtI/AAAAAAAAAfE/ut5LwFwuYfU/s400/P1010555-e.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENCENADOR&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mário Trigo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundador e Director Artístico da Associação Cultural Teatro Focus.&lt;br /&gt;As suas encenações têm merecido a aclamação da crítica, pelo rigor, coerência e qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou à cena um ciclo sobre a Guerra Colonial composto pelos seguintes espectáculos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2002 - Infa 72 - Teatro Taborda&lt;br /&gt;2004 - Violeta - Puta de Guerra - Sala-Estúdio do Teatro da Trindade&lt;br /&gt;2006 - Companhia de Caçadores - Casa dos Dias da Água, em Lisboa&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwC0fENeyaI/AAAAAAAAAfM/01QOpnv96pA/s1600-h/P1010550-e.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404517998643825058" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwC0fENeyaI/AAAAAAAAAfM/01QOpnv96pA/s400/P1010550-e.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;AUTOR&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manuel Bastos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwC1Wjv6MtI/AAAAAAAAAfU/OiotkJR017Y/s1600-h/P1010558-e.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404518952002532050" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwC1Wjv6MtI/AAAAAAAAAfU/OiotkJR017Y/s400/P1010558-e.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um livro só está terminado quando é lido. Quem escreve deixa apenas que as palavras passem por si, e anota-as evitando que sejam perdidas, mas é o leitor que faz acontecer o livro e, de entre todos os leitores, os actores que têm o especial sortilégio de lhe dar vida.&lt;br /&gt;Palavras com vida. Palavras com voz, rosto e gesto, onde os sentimentos voltam a ser desfrutados e sofridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gesto, o rosto e a voz são do actor Filipe Araújo e da actriz Susana Gaspar, que voltam a sentir a dor: a dor da ferida para além do golpe, a dor da amputação para além do corpo, a dor do trauma para além da memória. A dor fantasma.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwC2w_5AHAI/AAAAAAAAAfc/JNQu42TxXoA/s1600-h/P1010556-e.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404520505745087490" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwC2w_5AHAI/AAAAAAAAAfc/JNQu42TxXoA/s400/P1010556-e.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-81065476888148707?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/81065476888148707/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=81065476888148707&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/81065476888148707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/81065476888148707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/11/dor-fantasma-porto.html' title='DOR FANTASMA - PORTO'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SwCyt3eom_I/AAAAAAAAAe8/44mjtis2LsM/s72-c/P1010557+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8830227309068810880</id><published>2009-10-07T16:18:00.026+01:00</published><updated>2009-11-04T17:41:01.934Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Movimento Nacional Feminino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enfermeiras pára-quedistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='25 de Abril'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Aniversário - 6 anos</title><content type='html'>Aniversário do Cacimbo (2-11-2003 – 2-11-2009) 6 anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parabéns para mim… Nesta data querida…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SsyxuOFTH6I/AAAAAAAAAeU/oCkjdQkfrj4/s1600-h/aniv+6-a.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 113px; HEIGHT: 153px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389878261668061090" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SsyxuOFTH6I/AAAAAAAAAeU/oCkjdQkfrj4/s400/aniv+6-a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Em Novembro o Cacimbo faz 6 anos (vide primeiro post &lt;strong&gt;&lt;a href="http://cacimbo.blogspot.com/2003/11/prenda-de-natal.html"&gt;&gt;aqui&lt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). Merece parabéns e já está em idade de frequentar a primária para aprender a escrever.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Em Novembro o seu autor vai ser "presenteado" pela CGA com o Suplemento Especial de Pensão atribuído aos antigos combatentes, que por motivos pessoais se recusa a usufruir e que decidiu entregar a uma ONG até descobrir uma forma de o fazer chegar seguramente a quem gostaria que dele usufruísse: as crianças de Mueda onde combateu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Exorto daqui todos os meus irmãos de armas a fazerem o mesmo, nem que para isso tenhamos que criar uma associação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;A todos os visitantes deste blog, continuo a oferecer palavras apenas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Mas é isto que sou aqui: palavras apenas; as imagens e sons apanham apenas boleia com as palavras. Mas não vos dou nada meu, que as palavras não têm dono. Eu sou apenas um apanhador de palavras. Apanho-as por aí e depois junto-as, tentando desenhar com elas o imponderável corpo dos sentimentos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Mas não se iludam, nada do que digo é verdade. A Verdade é uma palavra prostituída; juntamente com o Amor, vendem-se por aí a quem prometer mais. O que digo é apenas o que ficou dentro de mim depois de excluídos todos os dados concretos que aproximariam demasiado as minhas palavras dos factos ocorridos e das pessoas envolvidas. É a recriação possível, depois de eu ter esquecido a verdade. São palavras. Palavras mentirosas, que inventam sentimentos e paixões, dores e alegrias, situações e atmosferas; mas, porque não são dirigidas à razão do leitor mas à sua emoção, são um convite à sua cumplicidade para o honesto embuste da ficção literária. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Sei porém, que não fui bem sucedido; às vezes a verdade espreita por entre a invenção que são as minhas palavras. Traz com ela, nomes, lugares e factos que e eu não tenho coragem de expulsar. É a prova que ainda não superei completamente as experiências que vivi, e não criei a distanciação que o cronista deve manter da ocorrência histórica, para ser isento. Mas, isento porquê, se assumidamente falo de mim? Assim, inventando, reinventando, cedendo à crueza dos factos, mais não faço do que a catarse de um paciente na poltrona de um psicoterapeuta, a que acrescento a ingénua ilusão de que isso pode divertir alguém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Alguém há-de ter divertido, a julgar pelo número de visitantes que diariamente procuram este blog, muitas vezes ultrapassando a meia centena, mesmo excluindo os chamados &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;blammers&lt;/i&gt; que buscam apenas o clique de retorno que nos leve a visitar os seus próprios espaços na Internet. Tendo em conta que aqui encontram apenas palavras escritas, é verdadeiramente surpreendente e encorajador, tanto mais que o texto escrito e o monitor de um PC ainda não são um casamento feliz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Convido-vos a um pequeno passeio por este blog para visitarem algumas das emoções feitas de palavras:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;- Stress de Guerra - &lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/11/visita.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Visita&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;-------------------- &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2008/01/saudade-de-azul.html"&gt;Saudades de Azul&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;- Homenagem às Enf. Paras - &lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/07/enfermeira-que-vinha-do-ceu.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Enfermeira que Vinha do Céu&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- O prazer da palavra escrita - &lt;a href="http://aguim.net/2009/08/a-carta/"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Carta&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Tentar a poesia - &lt;a href="http://cacimbo.blogspot.com/2009/06/100-versos-do-mato-07.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;100 Versos do Mato&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Memórias de Aguim - &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://aguim.net/2009/03/o-voo-da-calhandra/"&gt;O Voo da Calhandra &lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-----------------------&lt;/em&gt;-&lt;em&gt;&lt;strong&gt; &lt;a href="http://aguim.net/2009/10/as-quatro-estacoes-em-aguim-1/"&gt;O Último Verão da Minha Inocência&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;- O Mov. Nac. Feminino - &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2008/12/os-sapatos-do-major.html"&gt;Os Sapatos do Major&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- O 25 de Abril - &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://cacimbo.blogspot.com/2008/04/to-tarde-pela-madrugada.html"&gt;Tão Tarde Pela Madrugada&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ainda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Compre o livro - &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.wook.pt/ficha/cacimbados/a/id/484018"&gt;Cacimbados&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Assista ao espectáculo&lt;em&gt;&lt;strong&gt; - &lt;a href="http://teatromosca.com.sapo.pt/teatromosca_DOR.html"&gt;A Dor Fantasma &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8830227309068810880?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8830227309068810880/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8830227309068810880&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8830227309068810880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8830227309068810880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/10/aniversario-6-anos.html' title='Aniversário - 6 anos'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SsyxuOFTH6I/AAAAAAAAAeU/oCkjdQkfrj4/s72-c/aniv+6-a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6076195316561584159</id><published>2009-09-29T19:06:00.003+01:00</published><updated>2009-09-29T19:31:29.388+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Regresso a casa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Curia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>A Persistência da Dor</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/09/persistencia-da-dor.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&gt;Aqui&lt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No chão da gare da Curia a minha sombra imita um flamingo enquanto eu me equilibro pondo a perna amputada sobre a canadiana, de modo a usar ambas as mãos para acender o cigarro.&lt;br /&gt;As pessoas passam por mim e abrandam a voz como se faz quando somos surpreendidos a meio de uma conversa por uma visão inesperada.&lt;br /&gt;Algumas a olharem para trás, depois de passarem.&lt;br /&gt;Uma folha d' O Século que o vento não consegue descolar do chão. Levanta-lhe uma ponta, fá-la ondular mas ela não sai dali. E, vinda não sei de onde, uma canção dos Procol Harum: &lt;em&gt;Saltitávamos o alegre fandango, Fazíamos cabriolas pelo chão; Eu sentia-me um pouco enjoado Mas as pessoas pediam mais…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O vento a brincar com o jornal. Uma velhinha a descer da carruagem. As pessoas impacientes à espera que ela desimpeça o caminho. E a canção com sonoridades barrocas e letra psicadélica: &lt;em&gt;Quando a moleira contou a sua história O rosto dela, a princípio só assombrado, Ficou branco como a cal da parede…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A velhinha a aproximar-se de mim olhando para a minha mochila no chão como quem vem em meu auxílio, e eu, num movimento que lhe deve ter parecido acrobático, rodo sobre o único pé, pego com ambas as mãos na mochila, as canadianas presas aos braços pelos apoios, volto a rodar em sentido contrário, e depois de encaixar a mochila às costas passo por ela sem pudor, ignorando a crueldade da minha exibição. Olho para trás e vejo-a tristíssima a ver-me a afastar, andando duas vezes mais rápido do que ela. Daria decerto uma perna para ter a minha idade e o meu vigor. Abrandei a marcha envergonhado, como se por andar mais lentamente agora, eu pudesse diminuir o meu sentimento de culpa.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SsJJIVm-ELI/AAAAAAAAAeM/rqmAFG8NEwk/s1600-h/Persist%C3%AAncia+da+dor.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386948511876911282" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SsJJIVm-ELI/AAAAAAAAAeM/rqmAFG8NEwk/s400/Persist%C3%AAncia+da+dor.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Que longas que são as viagens que têm uma guerra pelo meio. A torre da capela de Aguim apareceu ao longe na paisagem como um embuçado em pleno dia, e ao fundo o dorso da Serra do Buçaco tão esbatido que mal se distinguia do céu. Se fosse eu a pintar aquele quadro, punha um pouco mais de terra-de-sena para que um tom quase imperceptível de púrpura criasse a ilusão da distância; assim parecia que estava tudo no mesmo plano, e a torre branca da capela da N.ª Sr.ª do Ó parecia pintada sobre um papel de cenário.&lt;br /&gt;Agora estamos finalmente sós na gare da estação da Curia: eu à espera que venha um táxi, e a folha de jornal que o vento não consegue tirar dali.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/09/persistencia-da-dor.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&gt;Aqui&lt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6076195316561584159?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6076195316561584159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6076195316561584159&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6076195316561584159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6076195316561584159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/09/persistencia-da-dor.html' title='A Persistência da Dor'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SsJJIVm-ELI/AAAAAAAAAeM/rqmAFG8NEwk/s72-c/Persist%C3%AAncia+da+dor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-666803257789648744</id><published>2009-09-14T04:06:00.002+01:00</published><updated>2009-09-14T04:12:47.101+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carteiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sr. Luís da Loja'/><title type='text'>A Carta</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto colpleto &lt;strong&gt;&lt;a href="http://aguim.net/2009/08/a-carta/"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;&lt;a href="http://aguimemmim.blogspot.com/2009/09/carta.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nada para fazer hoje. Não tenho nenhum livro para ler, nenhuma música para ouvir. Apetecia-me escrever uma carta a alguém. Alguém que vivesse do outro lado do mar. Alguém que já se tivesse esquecido de mim há muito, e que ao receber a carta parasse num leve sorriso de surpresa. O envelope com a minha caligrafia e a carta lá dentro. – &lt;em&gt;De quem é? – Nada, não; uma carta de um primo meu de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sq2xXa10KLI/AAAAAAAAAeE/v8XYPUudnTg/s1600-h/Letters.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 351px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381152145677756594" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sq2xXa10KLI/AAAAAAAAAeE/v8XYPUudnTg/s400/Letters.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Já escrevi cartas de todas as maneiras, até sobre o carregador de uma arma, só pela urgência de dar a saber que estava vivo. É muito diferente escrever de casa para alguém que está longe, não sabemos bem onde, e escrever de longe, de onde não sabem de nós. Onde nós também não sabemos bem de nós. A mata misteriosa a separar-nos de tudo o que nos é familiar, e o apelo para comunicar com quem nos tem no pensamento. A vontade de responder a perguntas que não ouvimos, mas que sabemos terem-nos sido formuladas. Perguntas de que nos chega o significado mais profundo, mas não as palavras que o transportam. E o apelo para responder, justamente as palavras, as palavras que faltam, porque o significado é sobejamente conhecido. Depois o prazer de desenhar as palavras no papel. O conforto das palavras escritas, físicas, quase tangíveis, a darem densidade à imaterialidade dos sentimentos.&lt;br /&gt;Mas agora, nesta noite em que o computador me avisa que recebi mais um e-mail ou alguém me chama no Messenger, queria sentar-me na pequena mesa tosca e acanhada de onde via os fogos-fátuos no cemitério de Aguim num fim de tarde de verão, e escrever uma carta para uma pessoa que mal me conhecesse, e que ficasse surpresa por eu ter mandado notícias, não por mim, não por ela, não pelo que dissesse; apenas porque isso implicaria uma certa dedicação, uma certa humanidade numa cadeia de esforços de várias pessoas para que a carta chegasse ao destino.&lt;br /&gt;O cabo de dia a ler em voz alta o nome de um soldado, e um braço alegre a pegar no aerograma. Os olhos sem conseguirem ler devido à ansiedade. As palavras escritas por todo o papel amarelo do aerograma e depois a apertarem para o fim, para caberem mais, e nas margens também, porque as despedidas são sempre difíceis, mesmo quando são feitas de tinta sobre papel. Agora os olhos sem conseguirem ler devido às lágrimas desfocarem tudo. Aquelas palavras sempre tão iguais, sempre tão previsíveis, mas a despertarem sempre a emoção da surpresa.&lt;br /&gt;Outro e-mail a chegar. Um contacto a chamar-me no Messenger. Este falso dom de ubiquidade que temos ao contactar em simultâneo para vários lugares do mundo. Todos em contacto com todos, para todo o lado, a toda a hora, sem aparente intermediação.&lt;br /&gt;O cabo de dia a ler para si o nome do soldado Lourenço. Um soluço a calar a voz. Boas notícias e nenhum braço alegre. Os soldados calados a guardarem luto. O cabo de dia passa para baixo o aerograma que era para o Lourenço e continua a chamar os soldados um a um.&lt;br /&gt;A pior coisa que se pode escrever é uma carta para um soldado já morto. Quando o aerograma chegar devolvido por não ter encontrado o soldado Lourenço haverá alguém como o Sr. Luís da Loja que fará soar uma corneta? Alguém como o médico de família da saudade a dizer: "Uma carta do seu filho"?&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto colpleto &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://aguim.net/2009/08/a-carta/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; ou &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://aguimemmim.blogspot.com/2009/09/carta.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-666803257789648744?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/666803257789648744/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=666803257789648744&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/666803257789648744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/666803257789648744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/09/carta.html' title='A Carta'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sq2xXa10KLI/AAAAAAAAAeE/v8XYPUudnTg/s72-c/Letters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-1911558106490372634</id><published>2009-08-24T18:26:00.003+01:00</published><updated>2009-10-07T16:16:03.072+01:00</updated><title type='text'>Carta a Mueda - Silvestre</title><content type='html'>Texto de António Silvestre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2009/08/mueda-mil-vezes-nos-meus-sonhos.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo AQUI&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xMT1UHlloVE/SpLMFPfFtbI/AAAAAAAAAA0/Kc5TohEhpHU/s1600-h/Mueda+o+BART.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373581695834764722" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xMT1UHlloVE/SpLMFPfFtbI/AAAAAAAAAA0/Kc5TohEhpHU/s400/Mueda+o+BART.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Já sonhei contigo mil vezes, Mueda, já contei tantas histórias sobre ti e ainda tenho tantas para contar. Como eu, centenas, milhares de homens têm saudades de ti, contam histórias e sonham contigo. Sonham com o teu cacimbo de madrugada, com as colunas a sair para a picada ainda noite escura, com as tuas manhãs enevoadas. Acordam de noite, ouvindo as saídas dos morteiros, o ruído dos helicópteros ou o rebentar de uma mina.&lt;br /&gt;Que fascínio tinhas tu Mueda, que mistérios encerravas, para que homens que aí enfrentaram a morte, ainda hoje, passados tantos anos, falem de ti com tanta saudade, com tanto entusiasmo, com tanto carinho.&lt;br /&gt;Tuas histórias são contadas à lareira, nos cafés, nas tabernas das aldeias, nos restaurantes mais finos das grandes cidades, todos os dias és falada por tantos homens que por lá passaram e nunca mais te esqueceram, o teu céu, as tuas estrelas, o teu amanhecer, os teus dias enormes, os teus ruídos, as tuas ruas esburacadas, as tuas amizades com um copo ao lado, tudo isso está guardado na nossa memória como um tesouro, que de vez em quando visitamos para matar saudades. Saudades enormes Mueda, da chegada do correio, do içar da bandeira, duma visita ao aldeamento, dum salto até ao AM para ver chegar os aviões ou simplesmente de uma conversa noite dentro com os amigos, sem sabermos se seria a última.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto de António Silvestre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2009/08/mueda-mil-vezes-nos-meus-sonhos.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo AQUI&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-1911558106490372634?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/1911558106490372634/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=1911558106490372634&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1911558106490372634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1911558106490372634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/08/texto-de-antonio-silvestre-ler-o-texto.html' title='Carta a Mueda - Silvestre'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xMT1UHlloVE/SpLMFPfFtbI/AAAAAAAAAA0/Kc5TohEhpHU/s72-c/Mueda+o+BART.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6994443747692844236</id><published>2009-07-21T03:43:00.004+01:00</published><updated>2009-07-21T04:10:06.657+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enfermeiras pára-quedistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>A Enfermeira que Vinha do Céu</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/07/enfermeira-que-vinha-do-ceu.html"&gt;Leia o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SmUoqJVg4gI/AAAAAAAAAd0/g-30ndS7A6Y/s1600-h/Mueda+-+Medita%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 268px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360735635980214786" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SmUoqJVg4gI/AAAAAAAAAd0/g-30ndS7A6Y/s400/Mueda+-+Medita%C3%A7%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se o comboio avança em direcção à Gare do Oriente porque me dá a ideia que recuo no tempo? Daqui a pouco uma mulher por entre a multidão avançará para mim empunhando a boina verde de uma farda há muito desmobilizada, distintivo, noutro tempo, de uma tropa de elite, identificação hoje para um encontro agendado.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SmUh_JdUzPI/AAAAAAAAAdE/KBWXLURTmnk/s1600-h/Machado+Evac+do+Barbosa+-+Morto+em+Combate_3.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360728300208835826" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SmUh_JdUzPI/AAAAAAAAAdE/KBWXLURTmnk/s400/Machado+Evac+do+Barbosa+-+Morto+em+Combate_3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem nos vir daqui a pouco, frente a frente, eu e a enfermeira pára-quedista à mesa de um restaurante, jamais imaginará que o que nos separa não será o tampo da mesa, serão 37 anos de vida e uma guerra. A mesma guerra que fez com que as trajectórias das nossas duas vidas se encontrassem.&lt;br /&gt;Há, evidentemente, alguns factores que reduzem o grau de imprevisibilidade desse nosso primeiro encontro; mas neste momento, quando o comboio já está quase parado na plataforma de embarque da Gare do Oriente, só consigo pensar que foram precisos largos séculos de história colonial e duas trajectórias erráticas, como erráticas são sempre as trajectórias dos seres humanos, para nos encontrarmos no preciso lugar onde uma mina anti-pessoal terrestre aguardava há alguns dias pela minha bota esquerda. E isso é algo que transcende o meu poder de cálculo de probabilidades.&lt;br /&gt;E onde aconteceu tudo isso? Numa picada perdida do norte de Moçambique ou num lugar recôndito da minha imaginação?&lt;br /&gt;Eu com frio e o sorriso cálido da enfermeira. Eu na solidão absoluta perante a Morte e um sorriso que me garantia mais do que a certeza de que o Universo era habitado. A certeza que, mesmo quando tudo parece ter descido ao mais baixo patamar da humanidade, a esperança pode ser-nos trazida por um cândido sorriso de mulher.&lt;br /&gt;E o Alfa parou.&lt;br /&gt;Não sei em que ano parou. Não sei em que mundo.&lt;br /&gt;Vou sair por aquela porta para a plataforma de embarque com a convicção de que a realidade não me será suficiente. Mas a realidade nunca é suficiente: é para isso que há sonho, música e poesia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;[...] &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SmUoqZx7rPI/AAAAAAAAAd8/lo4EK-rSifM/s1600-h/Bloco+operat%C3%B3rio+em+Mueda_e.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 269px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360735640394378482" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SmUoqZx7rPI/AAAAAAAAAd8/lo4EK-rSifM/s400/Bloco+operat%C3%B3rio+em+Mueda_e.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Grande Prostituta pairava sempre sobre nós, e quando tombávamos ajoelhava-se para nos invaginar. Às vezes o enfermeiro Costa tentando a ternura: - Não me morras filho da puta! E quando a vida não era mais do que um fio, ansiávamos que a salvação viesse do céu.&lt;br /&gt;E vinha!&lt;br /&gt;Vinha de T-shirt branca e levava com ela os nossos camaradas feridos, e durante uns breves minutos o terror dava lugar a uma leve sensação de doçura.&lt;br /&gt;E era então que me apetecia chorar; que um homem até aguenta a dor e o medo da morte mas não resiste à generosidade de uma mulher.&lt;br /&gt;Levou o Lemos, levou o Raimundo, levou-me a mim. E um dia, quando parecia que tudo o que passei na guerra se tinha desvanecido para sempre, dei por mim a desenhá-la com palavras, como personagem de um livro. Com palavras que trouxe a vida inteira comigo.&lt;br /&gt;Hoje a mulher por detrás da personagem ocupará o seu lugar aferindo a ficção pela realidade, deixará de ser uma silhueta desvanecida de uma foto antiga no heliporto de Mueda, a personagem construída a partir da fantasia literária e das memórias difusas de um velho soldado, a personagem que um leitor do livro levou a sério e procurou no labirinto do mundo até a encontrar.&lt;br /&gt;Sairá hoje das páginas do livro para falar com o autor.&lt;br /&gt;E o Alfa parou.&lt;br /&gt;- Olá Piedade!&lt;br /&gt;- Olá Manuel! &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/07/enfermeira-que-vinha-do-ceu.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Leia o texto completo aqui&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6994443747692844236?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6994443747692844236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6994443747692844236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6994443747692844236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6994443747692844236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/07/enfermeira-que-vinha-do-ceu.html' title='A Enfermeira que Vinha do Céu'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SmUoqJVg4gI/AAAAAAAAAd0/g-30ndS7A6Y/s72-c/Mueda+-+Medita%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8326558341143368157</id><published>2009-07-15T18:54:00.004+01:00</published><updated>2009-07-15T19:13:26.897+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Salazar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colonialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Como se compram os livros?</title><content type='html'>- Compram-se como todas as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um livro é um bem de consumo, e quem compra livros passa pelo mesmo processo que qualquer outro consumidor, seja o que for que compra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vegetariano dificilmente comprará um Big Mac, o meu tio Artur jamais compraria uma Coca-cola, não apenas porque já morreu, mas sobretudo porque para ele a frase de Salazar sobre o consumo do vinho era mais do que um slogan, mas um verdadeiro credo, ao qual ele acrescentava um tom poético: &lt;em&gt;Desgraçados portugueses, filhos de um país vinícola, se se haviam de embebedar todos os dias, ainda censuram aqueles que cumprem patrioticamente o seu dever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem… com um livro passa-se o mesmo. Quando um leitor passa pelas estantes de uma destas enormes catedrais de vendas que livro escolhe? Um enólogo comprará um livro sobre refrigerantes? O padre Melícias comprará o último livro de Catherine Millet? Não digo que não, poderão querer aferir o nível zero das suas preferências, ou, o que é muito mais interessante, talvez queiram dar uma espreitadela pelo buraco da fechadura da porta do inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu passasse num desses espaços não me sentiria atraído pelo título do livro de José Vale Ovelha "As Razões de Salazar", sobretudo porque o texto que o acompanha me remete para uma dieta alimentar que me anuncia más digestões; não que eu seja vegetariano, e me assuste com a trash-food da receita luso-colonialista, e das suas razões, sejam elas quais forem, ou se me contraiam os esfíncteres que nem um pároco sem a menor sombra de malícia perante o despudor pecaminoso de uma erecção serôdia do salazarismo, para não dizer de um rigor mortis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas… podemos comprar um livro só para ver como nos explicam a quadratura do círculo ou desmentem o teorema de Pitágoras. A verdade é esta, pelo menos para mim: o exercício da escrita é como o sexo, o prazer do acto é que justifica o esforço. É por isso que vou comprar o livro que um amigo e seu autor me pede que aqui anuncie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sl4ZYNProRI/AAAAAAAAAc8/_z_f_PnPZRQ/s1600-h/flyer+pai.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 190px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358748510280458514" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sl4ZYNProRI/AAAAAAAAAc8/_z_f_PnPZRQ/s400/flyer+pai.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8326558341143368157?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8326558341143368157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8326558341143368157&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8326558341143368157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8326558341143368157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/07/como-se-compram-os-livros.html' title='Como se compram os livros?'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sl4ZYNProRI/AAAAAAAAAc8/_z_f_PnPZRQ/s72-c/flyer+pai.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-1559137184405635767</id><published>2009-06-03T19:13:00.004+01:00</published><updated>2009-07-05T23:26:20.571+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>100 Versos do Mato</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Órfão&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Que faço&lt;br /&gt;nos intestinos da selva&lt;br /&gt;sem uma causa&lt;br /&gt;que me proteja do medo&lt;br /&gt;Eu não sou daqui&lt;br /&gt;sou de uma terra&lt;br /&gt;onde as árvores gostam de mim&lt;br /&gt;e os meus inimigos me conhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porta dos fundos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitados dos ditadores&lt;br /&gt;para parecerem deuses&lt;br /&gt;fazem das soluções fáceis&lt;br /&gt;difíceis problemas&lt;br /&gt;Encolhem a dignidade humana&lt;br /&gt;para parecerem grandiosos&lt;br /&gt;eles que têm medo do escuro&lt;br /&gt;E aqui estamos nós&lt;br /&gt;no fundo das escadas&lt;br /&gt;do Império moribundo&lt;br /&gt;por lhes faltar a coragem&lt;br /&gt;para fecharem a porta&lt;br /&gt;e apagarem a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A constância da morte&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sons da noite&lt;br /&gt;são o eco&lt;br /&gt;dos sons do dia&lt;br /&gt;Tudo é inverso&lt;br /&gt;neste espelho&lt;br /&gt;em que a luz adormece&lt;br /&gt;Só a Morte é igual&lt;br /&gt;porque é sempre negra&lt;br /&gt;no coração dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ciúme&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma asa de ave&lt;br /&gt;corta a planura do lago&lt;br /&gt;enquanto plácida a Lua sonha&lt;br /&gt;Tu&lt;br /&gt;meu amor a haver&lt;br /&gt;és a dor no peito&lt;br /&gt;de suspeitar que morrerei&lt;br /&gt;sem ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O coice da arma&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma palavra dentro de mim&lt;br /&gt;a querer ser dita&lt;br /&gt;Cada vez que dou um tiro&lt;br /&gt;ela morde-me as tripas&lt;br /&gt;Que palavra será esta&lt;br /&gt;entre o meu dedo&lt;br /&gt;e a Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mueda de troca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matei-te&lt;br /&gt;Com a desculpa&lt;br /&gt;de que me querias matar&lt;br /&gt;Que ganhei eu&lt;br /&gt;Se fui assassino no teu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A rosa da morte&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Grande Prostituta&lt;br /&gt;ama-nos como a fome ama o fruto&lt;br /&gt;Quer invaginar-nos a cada passo&lt;br /&gt;E nós caminhamos sobre a alma&lt;br /&gt;sentindo o coração nos pés&lt;br /&gt;Quando tombamos&lt;br /&gt;ajoelha ao nosso lado&lt;br /&gt;O enfermeiro tentando a ternura&lt;br /&gt;Não me morras filho da puta&lt;br /&gt;Mas nada pára a rosa&lt;br /&gt;no peito do radiotelegrafista&lt;br /&gt;A desfolhar-se&lt;br /&gt;a desfolhar-se&lt;br /&gt;Há pouco alguém puxou um gatilho&lt;br /&gt;E ele ficou parado no meio da picada&lt;br /&gt;como uma torre de igreja&lt;br /&gt;em que os sinos se calaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pietá&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vem do céu&lt;br /&gt;e pousa de helicóptero&lt;br /&gt;com subtilezas de anjo&lt;br /&gt;Ultrapassa a Morte&lt;br /&gt;e leva-nos nos braços&lt;br /&gt;Ama-nos sem saber&lt;br /&gt;a enfermeira da T-shirt branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O semeador&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O soldado lança a granada&lt;br /&gt;como outrora o pão&lt;br /&gt;Semeia dor&lt;br /&gt;E alguém morre&lt;br /&gt;onde aquele gesto macho&lt;br /&gt;esteriliza em vez de fecundar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Cancioneiro do Niassa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morremos tantas vezes em Mueda&lt;br /&gt;Morremos sempre que uma voz se cala&lt;br /&gt;por estarmos aqui&lt;br /&gt;Às vezes até acordamos já mortos&lt;br /&gt;Por isso à noite&lt;br /&gt;os soldados bebem e cantam&lt;br /&gt;para adormecerem vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Inspiração divina&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma borboleta pousou na minha arma&lt;br /&gt;Como se Deus me tivesse escolhido&lt;br /&gt;para dizer alguma coisa&lt;br /&gt;Com a sua mania de falar por linhas tortas&lt;br /&gt;não entendi nada&lt;br /&gt;Logo depois a borboleta foi-se embora&lt;br /&gt;cansada de ser uma metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Excelsis Deo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A guerra é a negação de Deus&lt;br /&gt;Que obra imperfeita&lt;br /&gt;faz perfeito o seu criador&lt;br /&gt;Nós&lt;br /&gt;ao menos&lt;br /&gt;temos a desculpa da estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mueda, 1972&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-1559137184405635767?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/1559137184405635767/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=1559137184405635767&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1559137184405635767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1559137184405635767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/06/100-versos-do-mato-07.html' title='100 Versos do Mato'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-868227602062431700</id><published>2009-06-03T18:58:00.003+01:00</published><updated>2009-06-20T03:59:00.806+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>100 Versos do Mato - 00</title><content type='html'>Reitero o desafio feito há dias a todos os visitantes deste blog que tenham tentado dizer a guerra em verso para que tenham coragem de mostrar as suas palavras.&lt;br /&gt;Aqui deixo as minhas, as que sobreviveram depois de tantos anos, depois de tantas décadas. Palavras em arremedo de poesia. Um pouco mais e seriam música, um pouco menos e seriam preces.&lt;br /&gt;100 versos. Tantas palavras e tão poucas, se comparadas com todas as palavras nunca ditas, essas outras palavras que morreram antes de serem escritas; palavras caladas, rejeitadas, dizendo o silêncio, o silêncio indecifrável da ausência das palavras.&lt;br /&gt;Estas palavras, quase todas, nasceram apenas e pouco mais lhes aconteceu. Palavras simples, recém‑nascidas; palavras tentadas, esboçadas, inocentes; tentativas de palavras em busca da forma, guardadas assim à espera de crescerem, de ganharem sentido. Palavras casuais, soltas, inconscientes, gestuais; como folhas caídas ao acaso sobre a relva, encontradas e apanhadas apenas, sem outro intuito que salvá-las de serem para sempre esquecidas.100 versos, dos quais, todos os dias aqui virei trazer alguns.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-868227602062431700?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/868227602062431700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=868227602062431700&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/868227602062431700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/868227602062431700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/06/100-versos-do-mato-00.html' title='100 Versos do Mato - 00'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-4328104602177714777</id><published>2009-06-02T23:17:00.001+01:00</published><updated>2009-06-20T04:49:37.033+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Convite aos visitantes</title><content type='html'>Conferência do autor deste blog&lt;br /&gt;na Biblioteca - Museu República e Resistência/Grandella&lt;br /&gt;no dia &lt;strong&gt;18 de Junho às 19h&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Si616KFRYvI/AAAAAAAAAcE/-H0U4xJoxfc/s1600-h/Confer%C3%AAncia+-+Grandela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345409818478863090" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Si616KFRYvI/AAAAAAAAAcE/-H0U4xJoxfc/s400/Confer%C3%AAncia+-+Grandela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-4328104602177714777?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/4328104602177714777/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=4328104602177714777&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4328104602177714777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4328104602177714777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/06/convite-ao-visitantes.html' title='Convite aos visitantes'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Si616KFRYvI/AAAAAAAAAcE/-H0U4xJoxfc/s72-c/Confer%C3%AAncia+-+Grandela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-4246034118051241771</id><published>2009-06-02T23:00:00.004+01:00</published><updated>2009-06-02T23:15:28.316+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim'/><title type='text'>Desolação</title><content type='html'>Estou cansado. Não sei de onde me vem este cansaço.&lt;br /&gt;O largo da Capela está vazio. Fazem-me falta os velhos sentados no banco corrido à frente da loja do Sr. Boanerges. Eles, cansados também, fitando a fachada da capela da Nossa Senhora do Ó como se estivessem a ver um filme enquanto falavam entre si.&lt;br /&gt;Ia a caminho de Águeda e deu-me para subir o Barreiro e ficar aqui um bocado. E aqui estou eu como se estivesse a ver um filme projectado na fachada da capela. Está mais nova a capela, mas o largo está vazio, e eu senti-me cansado de repente. Sinto-me como um marido arrependido, regressando a casa depois de um serão de orgias. Tudo parece olhar-me com uma falsa distracção, não me dando atenção para me fazer sentir insignificante.&lt;br /&gt;Pode trazer-se a fisionomia de um rosto, as estrofes de um poema, os compassos de uma música dentro de nós; eu trago a torre de uma capela.&lt;br /&gt;Sinto-a nitidamente, erecta sobre a colina de Aguim, sobreposta a um céu de cetim quase limpo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SiWhrd7qvGI/AAAAAAAAAb8/sH3Inq05uMY/s1600-h/2006-10-05_Aguim-Vista+geral-mosaico_2.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342854301086301282" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SiWhrd7qvGI/AAAAAAAAAb8/sH3Inq05uMY/s400/2006-10-05_Aguim-Vista+geral-mosaico_2.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma pessoa vem ainda longe e a sua silhueta já nos faz sentir em casa, como se sentirão os mareantes ao verem ao longe o farol da Barra.&lt;br /&gt;Desculpa ter chegado tarde, desculpa ter-me distraído com as horas. Saí para tomar um copo e quando dei por ela tinham passado trinta e tal anos.&lt;br /&gt;Eu sei, eu sei. Foi a aventura que me levou, a viagem, a pior das vertigens: a guerra. Saí daqui para ir matar e morri por lá… nunca mais voltei de verdade porque entretanto já era outro.&lt;br /&gt;Já nem sei se sou daqui, mas ao passar lá em baixo algo me chamou, como que a meter conversa sem ter assunto, e eu a fazer pisca para a direita… e agora deu-me para falar sozinho como um bêbado abandonado por lhe terem fechado a porta de casa.&lt;br /&gt;Trago uma torre comigo.&lt;br /&gt;Sei a textura das pedras dos degraus em caracol. Sei o silêncio das pedras. A quietude das pedras. A temperatura das pedras. Testemunhas pacientes do Tempo. Eu a subi-las enquanto lá em baixo na nave da capela se rezava a missa. E eu a tentar ver o mar do patamar superior… Era bom, reconfortante, olhar o horizonte e saber que para lá do horizonte existia o mar, mesmo que não o visse dali; e ter essa certeza, como todas as outras certezas que eu tinha então, parece-me agora uma garantia de ter sido feliz.&lt;br /&gt;Um dia fiz ali um pecado e não houve uma única daquelas pedras que me denunciasse; e Deus, não o que alguns homens criaram à sua imagem e semelhança, mas o impossível Pai que todos gostaríamos de ter, a rir-se cúmplice, enquanto no Largo da Capela as bandas tocavam ao desafio.&lt;br /&gt;Mas hoje o Largo da Capela está vazio, vazio como quando eu saía do meu quarto para ir brincar no Sobreirinho e os meus amigos já tinham ido todos embora. Para onde foram todos? Porque não me chamaram? O Faria, o Zé, o Rolo; que amigos são estes que me deixaram a brincar sozinho?&lt;br /&gt;Hoje o Largo da Capela e o Sobreirinho parecem uma parede vazia onde sempre esteve um quadro,&lt;br /&gt;um escaparate sem um único livro, uma cómoda de gavetas abertas de onde levaram a roupa. Uma estação de caminho de ferro deserta, depois de ter partido o último comboio. E eu com o desalento que só um filho único conhece, quando os seus amigos foram embora sem o terem chamado.&lt;br /&gt;Eu amo uma torre que me pede de longe que pare. Que não siga viagem, que suba o Barreiro e entre na minha casa mesmo que essa casa seja um templo de adoração a um deus em que não acredito.&lt;br /&gt;Um farol que teima em dizer-me que eu sou daqui, que afinal os meus amigos estão todos à minha espera, que é apenas uma questão de tempo e logo nos sentaremos à mesma mesa com a desculpa de nos apetecer beber uns copos por causa do inocente pudor masculino de assumirmos os afectos.&lt;br /&gt;Se fosse possível, quando for a minha vez de me juntar a eles, gostaria que me rezassem ali uma missa de corpo presente, mesmo que o meu corpo esteja noutro lado qualquer, que pedissem por mim a Deus mesmo sabendo toda a gente que eu fora ateu, ou, se não fosse pedir muito, que se reunissem ali cantando. Só para eu consumar este amor antigo.&lt;br /&gt;E por favor… que alguém se esgueire pelas escadas da torre e vá praticar o seu primeiro pecado enquanto na nave os meus amigos que ainda fiquem por cá se despeçam de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-4246034118051241771?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/4246034118051241771/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=4246034118051241771&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4246034118051241771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/4246034118051241771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/06/desolacao.html' title='Desolação'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SiWhrd7qvGI/AAAAAAAAAb8/sH3Inq05uMY/s72-c/2006-10-05_Aguim-Vista+geral-mosaico_2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7580058148912689317</id><published>2009-05-26T16:05:00.001+01:00</published><updated>2009-05-26T16:17:49.631+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mobilização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Família'/><title type='text'>O MEU PAI</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Texto de José Caseiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano de1972, Janeiro. O Natal tinha ficado para trás, a passagem para o novo Ano também. Natal triste, com a minha mãe a chorar constantemente, as minhas irmãs a não conterem as lágrimas, o meu pai em silêncio e eu sem saber o que fazer ao bacalhau.&lt;br /&gt;Eu ia para a guerra em África. E o meu pai em silêncio. Habituado a sofrer em silêncio.&lt;br /&gt;Emigrante no Brasil desde muito novo, homem do mar, tantas vezes largado sozinho num bote desde o nascer do dia até ao anoitecer, à mercê das inclemências do clima, a sós com os seus pensamentos, com as saudades da família. Sofrendo sempre em silêncio.&lt;br /&gt;Foi no dia 5 de Janeiro, dia do meu aniversário pelo registo. O dia do meu nascimento foi a 29 de Dezembro, mas o meu Pai registou-me nessa data, para eu ir para a tropa dos 20 para os 21 anos. "Assim irias mais homem", dizia-me ele. Embora a diferença de tempo fosse apenas de uma semana.&lt;br /&gt;Madrugada fresca, rua vazia e triste como o coração do meu pai, porque estava a assistir à partida para o Ultramar de um dos seus meninos que ajudou a crescer e agora estava um homem feito para a tropa e para a guerra, como diziam aqueles que viviam bem á custa dos milicianos e dos soldados, que quando embarcávamos até pensávamos que era para defender o nome de Portugal, mas infelizmente era para defender os seus interesses.&lt;br /&gt;Paragem do autocarro ali abandonada à espera de passageiros para o 76 com destino à Avenida dos Aliados. Autocarro verde de dois andares. Fomos os únicos a entrar naquela paragem tão abandonada e tão gelada como os nossos corações. E o meu pai a sofrer em silêncio. Habituado a sofrer em silêncio desde muito novo.Habituado a chorar para dentro. Em vez de sangue corriam-lhe lágrimas nas veias, já que no rosto nunca lhas vi.&lt;br /&gt;Malas carregadas de esperança de regressar são e salvo transportadas por mim e por meu pai até á estação de São Bento, para depois ir no comboio com destino a Viana do Castelo, cidade onde se encontrava o batalhão 3876 que iria embarcar para Moçambique no dia 9 de Janeiro de 1972.&lt;br /&gt;- Hora da despedida. Pai, tenho que ir. Um forte abraço e adeus meu pai.&lt;br /&gt;Só aqui ele quebrou o silêncio: - Deus te proteja e tem cuidado contigo.&lt;br /&gt;Será que este homem, com todo o seu sofrimento em silêncio, foi atendido por Deus quando quebrou esse silêncio para lhe pedir por mim? Penso que sim! Porque os dedos das duas mãos são suficientes para contarem os operacionais da CART 3503 que não foram feridos na guerra em Moçambique, e eu sou um deles. Onde os senhores da guerra não tiveram em conta o número de feridos e mortos que a nossa companhia teve no princípio da comissão, tanto, que em qualquer lado a CART 3503 era reconhecida por todos como a companhia mais sacrificada pela actividade operacional e das que melhores resultados tinha conseguido em Cabo Delgado.&lt;br /&gt;Já dentro do comboio, quando este começou a andar e quando pela janela lhe fiz o sinal de adeus, aquele homem mais uma vez ficou em silêncio a sofrer.&lt;br /&gt;Provavelmente, quem andava naquela hora na estação de são Bento, não se apercebeu que ali estava um homem sofrendo em silêncio pela partida do seu filho para guerra do Ultramar. Esse homem era o meu pai.&lt;br /&gt;Ano de 1988. O meu pai adoeceu gravemente e teve que ser internado no hospital de São João, no Porto, para ser operado. Domingo, véspera da operação. Fui visitá-lo pela manhã. Estava sozinho. Encontrei-o a vir da capela do hospital, e como sempre em silêncio. A sofrer em silêncio como era seu hábito. Muitas palavras de carinho e amor lhe transmiti, e em silêncio me respondeu. Na hora da despedida dei-lhe um forte abraço e disse-lhe: - Pai, até à próxima e que tudo corra bem.&lt;br /&gt;O meu pai morreu no dia seguinte, na sala de operações.&lt;br /&gt;Hoje ainda pergunto a mim mesmo: será que eu na despedida ao meu pai, em vez de lhe ter dito "até á próxima" lhe deveria ter dito "Adeus meu pai e que Deus o proteja"? Quem sabe Deus me tivesse ouvido e o meu pai não tivesse morrido naquele dia, naquela operação.&lt;br /&gt;Ou então, talvez Deus tivesse decidido que naquele dia, naquela sala de operações, aquele homem que em silêncio tinha por hábito sofrer, deveria ficar definitivamente em silêncio, mas em paz.&lt;br /&gt;Aquele homem era o meu pai. E em silêncio ficou para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(c) José Caseiro&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7580058148912689317?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7580058148912689317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7580058148912689317&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7580058148912689317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7580058148912689317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/05/o-meu-pai.html' title='O MEU PAI'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-2948554346262646161</id><published>2009-05-15T23:03:00.012+01:00</published><updated>2009-05-19T13:50:36.798+01:00</updated><title type='text'>POESIA DA GUERRA COLONIAL</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- UMA ONTOLOGIA DO "EU" ESTILHAÇADO -&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;marquee style="FONT-FAMILY: Trebuchet MS; COLOR: white; FONT-SIZE: 1em; FONT-WEIGHT: bold" bgcolor="transparent" width="50%" loop="0"&gt;Manda os teus poemas para os contactos indicados no fim deste artigo ou para este blog.&lt;/marquee&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sg3qloXXoHI/AAAAAAAAAbs/E5AcznbBaQA/s1600-h/Eu+estilha%C3%A7ado.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sg3r3ap9d3I/AAAAAAAAAb0/8X5E4oE2V80/s1600-h/Eu+estilha%C3%A7ado.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 296px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336180470784554866" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sg3r3ap9d3I/AAAAAAAAAb0/8X5E4oE2V80/s400/Eu+estilha%C3%A7ado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A experiência de Portugal na guerra colonial (1961-74) teve o seu registo estético na narrativa, dando origem a mais de uma centena de romances sobre o tema e na poesia com uma vasta e ainda não delimitada produção. Esta poesia, de autores directa e indirectamente envolvidos na guerra, e elaborada, ou no momento da vivência do evento bélico, ou em seguida, enquanto espaço de memória e de elaboração pós-traumática, carece de atenção, reflexão e divulgação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este projecto visa realizar uma primeira e exaustiva recolha crítica do material poético acessível, não só enquanto poesia de guerra no panorama literário ocidental e português em particular, mas também enquanto valioso testemunho subjectivo de um episódio marcante do século XX português, que modificou a própria identidade histórica de Portugal. O projecto propõe-se reunir um banco de dados amplo do arquivo poético da memória da guerra colonial e combiná-lo com uma organização de uma antologia de poemas de guerra. Trata-se de um projecto aberto à colaboração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este projecto compreende três fases que se desenvolvem em paralelo: a pesquisa na web, a recolha de poemas em arquivos e bibliotecas pelo país e a publicação de uma antologia.&lt;br /&gt;O projecto propõe-se ainda construir um arquivo on-line da poesia da Guerra Colonial, o qual estará permanentemente activo e aberto à colaboração, e será gerido pela equipa de investigação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contactos&lt;br /&gt;CES – Centro de Estudos Sociais&lt;br /&gt;Universidade de Coimbra&lt;br /&gt;Colégio S. Jerónimo&lt;br /&gt;Apartado 3087&lt;br /&gt;3001-401 Coimbra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tel.: +351 239855570&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fax: +351 239855589&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E-mail: &lt;a href="mailto:cristinanery@ces.uc.pt"&gt;cristinanery@ces.uc.pt&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ces.uc.pt/projectos/poesiadaguerracolonial/pages/intro.php"&gt;http://www.ces.uc.pt/projectos/poesiadaguerracolonial/pages/intro.php&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ces.uc.pt/"&gt;http://www.ces.uc.pt/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-2948554346262646161?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/2948554346262646161/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=2948554346262646161&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/2948554346262646161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/2948554346262646161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/05/poesia-da-guerra-colonial.html' title='POESIA DA GUERRA COLONIAL'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sg3r3ap9d3I/AAAAAAAAAb0/8X5E4oE2V80/s72-c/Eu+estilha%C3%A7ado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3349656557669105454</id><published>2009-04-28T15:44:00.004+01:00</published><updated>2009-04-28T17:20:25.454+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>A Estrada</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/04/estrada.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sfb_DDSO0fI/AAAAAAAAAbM/REiouFli3M4/s1600-h/Estrada.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329727636926026226" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sfb_DDSO0fI/AAAAAAAAAbM/REiouFli3M4/s400/Estrada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é uma estrada como esta, parada entre o vale e a montanha e nós é que vamos caminhando de curva em curva até nos consumirmos e ficarmos assim a olhar para a última curva lá atrás, como se pudéssemos viajar no próprio olhar para o passado.&lt;br /&gt;Há quanto tempo ela o fizera seu, ali naquela mata? Há uma eternidade. Há quanto tempo, algum tempo depois, o vira partir de farda verde sujo e mochila às costas para uma guerra que ela nem sabia que existia? Ontem? Porque será que as coisas más que recorda lhe parecem próximas, e as boas distantes?&lt;br /&gt;Nenhum homem sabe a guerra que uma mulher trava sozinha sem armas nem defesas, enquanto os homens, que nunca deixam totalmente de ser crianças, se entregam estupidamente à mais infantil e cruel das brincadeiras, que é a de se tentarem matar uns aos outros por motivos que julgam elevados e por objectivos que consideram honrosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior que acontece com os nossos sentimentos é não sabermos se devemos amar ou odiar. O pior ainda, é quando sentimos o amor e o ódio pela mesma pessoa. Jamais o amor se lhe apagaria da alma por aquele que um dia ali se atirou a ela como predador e acabou prostrado no seu corpo como presa. Jamais o ódio, por ter sido duas vezes traída por ele, se desvaneceu. Uma primeira vez, na distante tarde de Outono em que se foi afastando por aquela estrada até ter desaparecido naquela mesma curva ao fundo, com aquele ar de guerreiro garboso que parte à aventura pelo mundo fora e a deixava a ela ali, como uma sombra no meio da estrada, como uma peça de roupa de todos os dias que se despe para envergar a sinistra roupagem de matar, aquela farda da hedionda cor do esterco. Agora, olhando a mesma curva da estrada lá longe, parece que nunca saiu daqui onde está, durante estes anos todos, como um envelhecido Narciso a mirar a ilusão de uma juventude irremediavelmente perdida. Mas a pior traição foi a segunda, a traição de ter-se ele deixado morrer por lá.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/04/estrada.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3349656557669105454?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3349656557669105454/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3349656557669105454&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3349656557669105454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3349656557669105454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/04/estrada.html' title='A Estrada'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/Sfb_DDSO0fI/AAAAAAAAAbM/REiouFli3M4/s72-c/Estrada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6271493426464717831</id><published>2009-03-09T21:43:00.003Z</published><updated>2009-04-29T13:33:56.469+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim; Música'/><title type='text'>O Voo da Calhandra</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo &lt;a href="http://aguim.net/2009/03/o-voo-da-calhandra/"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img class="size-full wp-image-266 alignright" src="http://aguim.net/wp-content/uploads/2009/03/lark-ascending1.jpg" alt="lark-ascending1" width="450" height="401" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;[...]&lt;br /&gt;O Tempo não é apenas o que tudo domina, o Tempo é o verdadeiro protagonista de todas as histórias. Mesmo uma fotografia tem tempo, não o que levamos a olhá-la, mas o que a separa do nosso olhar. Num momento algures no tempo, uma árvore foi observada, ou um rosto, ou um sorriso, ou uma cotovia levantando voo sobre um vinhedo. O olhar de um pintor prende esse momento numa tela, o olhar de um fotógrafo congela essa efemeridade num instantâneo, na vã ilusão de lhe conferirem perenidade. Noutro momento o nosso olhar cai sobre essa imagem, e cria-se uma nova realidade, mas é no intervalo entre os dois olhares que a história acontece. É esse intervalo que me fascina: a fermentação do mosto em vinho, a sublimação da paixão em amor, a transcrição do evento em História. Os factos têm apenas um interesse meramente nutritivo porque são exteriores à mente humana; o Tempo, e dentro do Tempo a imaginação, são a realidade possível, porque nos dão a ilusão de vivermos a vida. Na verdade, são a vida dentro de nós.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não sei já onde soa o violino, se na vastidão dos vinhedos se dentro de mim, onde há-de ficar para sempre, até que, caldeado pelo tempo, me seja devolvido como uma memória, despoletada não sei por que efémera realidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Vale d'Aveia descendo até Vale de Cide numa vertigem de voo planado. O Vale d'Aveia subindo até à forma erógena do Buçaco. A tarde de Outono cheia de preguiça. O sol oblíquo a desenhar longas sombras sobre o vale e a pintar tudo de cobre e ouro. A alegria da ave. A melancolia do violino. Uma e outra, dentro de mim para sempre. Uma e outra como se as tivesse testemunhado ontem. O virtuosismo do Sr. Manuel da Leonarda ensinando uma cotovia a voar. Uma cotovia levantando voo para dar título à música. Há sem dúvida mundos maiores que a mera realidade.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo &lt;a href="http://aguim.net/2009/03/o-voo-da-calhandra/"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6271493426464717831?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6271493426464717831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6271493426464717831&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6271493426464717831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6271493426464717831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/03/o-voo-da-calhandra.html' title='O Voo da Calhandra'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3764102057396722963</id><published>2009-02-16T21:38:00.003Z</published><updated>2009-02-16T21:57:17.524Z</updated><title type='text'>Cacimbo encenado</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SZneH0gos8I/AAAAAAAAAZg/HJeV_SuQRR4/s1600-h/Teatromosca+-+Dor+Fantasma+-+muscariumposter.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 284px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SZneH0gos8I/AAAAAAAAAZg/HJeV_SuQRR4/s400/Teatromosca+-+Dor+Fantasma+-+muscariumposter.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303514262141449154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;MUSCARIUM - Leituras encenadas a partir de 22 de Fevereiro, às 18:30 pelo Teatromosca na Casa da Cultura de Mira Cintra&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;"Dor Fantasma" do autor deste blog a levar à cena em 27 de Dezembro, às 18:30&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3764102057396722963?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3764102057396722963/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3764102057396722963&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3764102057396722963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3764102057396722963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/02/cacimbo-encenado.html' title='Cacimbo encenado'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SZneH0gos8I/AAAAAAAAAZg/HJeV_SuQRR4/s72-c/Teatromosca+-+Dor+Fantasma+-+muscariumposter.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7233689386154940629</id><published>2009-02-09T01:16:00.002Z</published><updated>2009-02-09T01:19:48.568Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Como eu me enganei</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Texto de José Caseiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;A recruta foi feita, deram-me a categoria profissional de atirador de infantaria, e fui destacado para Tavira, para o velhinho quartel da Atalaia CISMI; aí reparei que além de outros rapazes da minha idade, havia um que estava a fazer justamente o mesmo percurso que eu, era o Camões, isso veio a confirmar-se porque dali fomos para Aveiro dar recruta, embora ele tenha ficado cá em cima no R.I.10 e eu lá para baixo para o 5 onde não havia chicalhada, e por isso mesmo, andávamos mais á vontade.&lt;br /&gt;Foi ali, numa tarde de um belo dia de sol que tive conhecimento que estava mobilizado para o ultramar, para província de Moçambique. Um dia de sol que nesse momento ficou negro, mais negro que o negro do luto.&lt;br /&gt;E foi nesse instante também que pensei: - Bem, deve ser melhor que ir para Angola ou Guiné, porque não se fala tanto. Mal eu sabia o que me esperava.&lt;br /&gt;Após a instrução, e com a ordem do dia cá fora, fui procurar os outros companheiros para saber qual a situação deles, que não era melhor que a minha, pois estávamos todos mobilizados para as províncias ultramarinas. E mais uma vez o Camões iria fazer o mesmo percurso que eu pois íamos apresentar-nos no mesmo quartel em Penafiel, com destino a Moçambique, pertencendo ao mesmo batalhão, embora não à mesma companhia.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_UDX-jQxdGvk/SY-CNZdVF0I/AAAAAAAAAA0/81evHv3hPr0/s1600-h/Viana_Castelo-01.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 260px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UDX-jQxdGvk/SY-CNZdVF0I/AAAAAAAAAA0/81evHv3hPr0/s400/Viana_Castelo-01.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300598453122176834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde fomos para Viana do Castelo, ou seja para o velhinho quartel da Barra, e foi o que se passou aí que deu origem a esta minha recordação e a este texto.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;(c) José Caseiro&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2009/02/como-eu-me-enganei.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7233689386154940629?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7233689386154940629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7233689386154940629&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7233689386154940629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7233689386154940629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/02/como-eu-me-enganei.html' title='Como eu me enganei'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UDX-jQxdGvk/SY-CNZdVF0I/AAAAAAAAAA0/81evHv3hPr0/s72-c/Viana_Castelo-01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6768491923068329085</id><published>2009-01-23T13:15:00.005Z</published><updated>2009-01-23T22:53:24.423Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mueda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>A Doença da Memória</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/01/doena-da-memria.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SXnCJcpADqI/AAAAAAAAAZY/kVzwZ1SF3WY/s1600-h/Doença+da+memória+copy.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 262px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SXnCJcpADqI/AAAAAAAAAZY/kVzwZ1SF3WY/s400/Doença+da+memória+copy.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294476304513502882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;[...] &lt;br /&gt;O farol da Barra, agora, já noite, parece querer desenhar uma circunferência de luz em redor de si mesmo, mas o foco perde-se na noite infinita. A verdade é que tudo sem excepção se perderá na noite infinita; é uma questão de tempo. Caminhamos todos em direcção à escuridão, à escuridão sideral ou à simples escuridão do corpo, a qual é cada vez mais difícil de iluminar de prazer. Como um mar nocturno. À excepção talvez, de algumas praias de ternura, alheias, inocentes, às escarpas cruéis da nossa memória. Como seria bom, ao menos, o riso senil do esquecimento tão próximo da inocência que nos permitisse aceitar a decadência sem luta. Uma tarde soalheira debaixo da sombra maternal de um castanheiro sem idade e ao longe a família feliz no caleidoscópio do sol. Talvez então, sem remorso nem raiva aceitássemos a doce prepotência divina, como uma mentira piedosa.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[...]&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2009/01/doena-da-memria.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6768491923068329085?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6768491923068329085/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6768491923068329085&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6768491923068329085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6768491923068329085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2009/01/doena-da-memria.html' title='A Doença da Memória'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SXnCJcpADqI/AAAAAAAAAZY/kVzwZ1SF3WY/s72-c/Doença+da+memória+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6045735793832888795</id><published>2008-12-21T23:58:00.003Z</published><updated>2009-04-29T13:34:37.099+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres e a Guerra Colonial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Movimento Nacional Feminino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Os Sapatos do Major</title><content type='html'>&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2008/12/os-sapatos-do-major.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SU7W8Q2CuPI/AAAAAAAAAYk/evuV3XJpGgA/s1600-h/Os+Sapatos+do+Major.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282395743754303730" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 181px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SU7W8Q2CuPI/AAAAAAAAAYk/evuV3XJpGgA/s200/Os+Sapatos+do+Major.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Há um ditado italiano que diz que não há maior felicidade do que termos companhia no infortúnio; se isso é verdade, devo ter sido muito feliz no Hospital de Lourenço Marques, pois não conheço outro lugar no mundo com tanto perneta para me fazer companhia.&lt;br /&gt;Aos domingos uma parte da população vinha visitar os militares feridos em combate, e procurava saber coisas do Norte; era a parte da população que tinha consciência de que algo estava prestes a mudar. Conheci uma outra parte da população: a que achava que a guerra era uma coisa que se passava no distante Cabo Delgado entre a malta de Lisboa e os pretos; nada que uma matança a sério, e depois um apartheid à portuguesa não resolvesse. E depois… E depois havia as senhoras do Movimento Nacional Feminino. Havia qualquer coisa de patético nas senhoras do Movimento Nacional Feminino; qualquer coisa com sabor àquela doce degradação, só detectável no olhar de paciente mortificação das prostitutas dos bares de má fama da periferia das grandes cidades. Olhavam-nos com a distraída simpatia de quem tem por profissão distribuir calor humano em doses calculadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2008/12/os-sapatos-do-major.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6045735793832888795?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6045735793832888795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6045735793832888795&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6045735793832888795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6045735793832888795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/12/os-sapatos-do-major.html' title='Os Sapatos do Major'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SU7W8Q2CuPI/AAAAAAAAAYk/evuV3XJpGgA/s72-c/Os+Sapatos+do+Major.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8314914741302082914</id><published>2008-11-25T19:57:00.003Z</published><updated>2008-11-25T21:12:27.600Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>A Difícil Transferência do Ódio</title><content type='html'>&lt;marquee loop="0" width="100%" bgcolor="transparent"&gt;Sessão de apresentação de "Cacimbados" na Junta de freguesia de Aguim no dia 7 de Dezembro, pelas 16 horas&lt;/marquee&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo &lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2008/11/difcil-transferncia-do-dio.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2008/11/difcil-transferncia-do-dio.html"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Éramos umas crianças. – Disse José da Fonte.&lt;br /&gt;Os soldados são sempre crianças, Bastos, ainda se ao menos os que nos comandavam fossem homens, mas eram crianças como nós. E os que eram homens não iam para o mato. Lá em Mueda conheceste alguém do quadro, que alinhasse nas operações de canhota nas mãos? Profissionais da guerra que nunca deram um tiro e os que foram para lá ao engano é que lhes guardavam o coiro! – Disse José da Fonte.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler o texto completo &lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2008/11/difcil-transferncia-do-dio.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8314914741302082914?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8314914741302082914/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8314914741302082914&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8314914741302082914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8314914741302082914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/11/difcil-transferncia-do-dio.html' title='A Difícil Transferência do Ódio'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-1712627804561109206</id><published>2008-11-18T13:18:00.012Z</published><updated>2008-11-25T20:01:27.114Z</updated><title type='text'>CACIMBADOS - Sessão de apresentação em Coimbra</title><content type='html'>&lt;span style="color:#009900;"&gt;Já à venda na &lt;a href="http://www.fnac.pt/pt/Catalog/Detail.aspx?cIndex=0&amp;amp;catalog=livros&amp;amp;categoryN=Livros&amp;amp;category=literaturaLinguaPortuguesaLusofona&amp;amp;product=9789898048943"&gt;FNAC online&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSLA1Mtz-gI/AAAAAAAAAVs/0P9THbRfwUQ/s1600-h/HPIM0652.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269986534155876866" style="WIDTH: 278px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSLA1Mtz-gI/AAAAAAAAAVs/0P9THbRfwUQ/s400/HPIM0652.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto de Liliana Bastos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSLBAS0IpbI/AAAAAAAAAV0/U_Os5u3Hnuk/s1600-h/Dia15.11.08+007.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269986724771571122" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSLBAS0IpbI/AAAAAAAAAV0/U_Os5u3Hnuk/s400/Dia15.11.08+007.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto de José D´Abranches Leitão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSnkC06zkuI/AAAAAAAAAWE/73h2wLbGzj4/s1600-h/Capturar.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271995576030040802" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 170px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSnkC06zkuI/AAAAAAAAAWE/73h2wLbGzj4/s400/Capturar.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fotos de Inês Bastos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSnkOq_JPHI/AAAAAAAAAWM/t_L0QBgswjI/s1600-h/DSC01021.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271995779522313330" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 294px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSnkOq_JPHI/AAAAAAAAAWM/t_L0QBgswjI/s400/DSC01021.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto de Ana Rita Valadares&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSLBKQTv5LI/AAAAAAAAAV8/ru_uww5oHas/s1600-h/HPIM0636.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269986895897552050" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSLBKQTv5LI/AAAAAAAAAV8/ru_uww5oHas/s400/HPIM0636.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto de Liliana Bastos&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-1712627804561109206?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/1712627804561109206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=1712627804561109206&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1712627804561109206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1712627804561109206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/11/cacimbados-sesso-de-apresentao-em.html' title='CACIMBADOS - Sessão de apresentação em Coimbra'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SSLA1Mtz-gI/AAAAAAAAAVs/0P9THbRfwUQ/s72-c/HPIM0652.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-7368440891316237142</id><published>2008-10-19T21:19:00.014+01:00</published><updated>2008-11-12T19:43:54.882Z</updated><title type='text'>EM BREVE NAS LIVRARIAS</title><content type='html'>&lt;a&gt;&lt;span style="color:#33ffff;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;marquee loop="0" width="58%" bgcolor="transparent"&gt;Adquira este livro numa FNAC ou numa Bertrand perto de si, ou em breve neste blog.&lt;/marquee&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SPuWsseFNNI/AAAAAAAAAVk/ECHo_jtiqPE/s1600-h/Cacimbados+-+capa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258962684480926930" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SPuWsseFNNI/AAAAAAAAAVk/ECHo_jtiqPE/s400/Cacimbados+-+capa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;Lançamento do livro CACIMBADOS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dia 15 /11 / 08 das 16:00 às 18:00&lt;br /&gt;Na Casa Municipal da Cultura&lt;br /&gt;R. Pedro Monteiro em COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#33ffff;"&gt;Honrar-me-á a tua presença.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Ao mesmo tempo o blog Cacimbo completará 5 anos de&lt;br /&gt;existência, o que faz dele provavelmente o mais antigo blog&lt;br /&gt;dedicado à Guerra Colonial&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-7368440891316237142?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/7368440891316237142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=7368440891316237142&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7368440891316237142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/7368440891316237142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/10/lanamento-do-livro.html' title='EM BREVE NAS LIVRARIAS'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SPuWsseFNNI/AAAAAAAAAVk/ECHo_jtiqPE/s72-c/Cacimbados+-+capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-373229055098344023</id><published>2008-10-15T19:35:00.003+01:00</published><updated>2008-10-15T19:40:32.311+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>O Dia em que Comandei a Companhia</title><content type='html'>&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/10/o-dia-em-que-comandei-companhia.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SPY2Zqd1hzI/AAAAAAAAAVc/-YLHd8N07gk/s1600-h/Levantamento+de+uma+mina_2.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257449429525694258" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SPY2Zqd1hzI/AAAAAAAAAVc/-YLHd8N07gk/s400/Levantamento+de+uma+mina_2.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Durante anos e anos, tenho revivido a imagem do enfermeiro Costa a tentar socorrer o Raimundo e depois a ir em busca do Lemos partido em dois no meio da picada, e por vezes tento imaginar o que seria ver essa imagem na televisão à hora do jantar, ou no café, no meio das risadas dos amigos, e acabei por perceber porque tantos de nós optam pelo silêncio. É por pudor que o fazem. Por não serem capazes de expor em público uma memória do foro íntimo. Seria como subir a um coreto para chorar um desgosto profundo. É algo demasiado valioso para ser tratado como um entretenimento passageiro, como um fruto que se sorve rapidamente cuspindo o caroço para o chão.&lt;br /&gt;Os consumidores de emoções rápidas aprendem a não penetrar na essência das coisas; entendem das coisas apenas o que o olhar apreende; fazem com toda a informação o que fazem com a comida, mastigada à pressa entre duas tarefas urgentes e inadiáveis, dado que toda a fast-food é apenas para defecar. Não poderão entender as emoções envolvidas numa frase assim, aparentemente banal, "Vai socorrer o Lemos", dita entre a vida e a morte, entre a coragem e o medo, entre o instinto primário de sobrevivência e o altruísmo, entre o cumprimento do dever e o sentido crítico. Não poderão entender que um acto que envolva risco para quem o pratica só merece ser considerado corajoso se não for gratuito ou exibicionista, e se for consciente; isto é, é preciso sentir medo para se ser corajoso.&lt;br /&gt;O Raimundo ia a comandar a companhia, foi ferido, recebeu o socorro corajoso do enfermeiro Costa, e fez ele próprio a triagem da emergência médica, secundarizando-se, ficando na berma da picada, escorrendo sangue do rosto, ainda sem saber se não ficaria cego. – Vai procurar o Lemos, Costa. Vai socorrer o Lemos.&lt;br /&gt;Eu era agora o mais graduado da companhia. E era preciso continuar, era preciso estar à altura do cargo que recebi do Raimundo, era preciso encobrir o medo, cabia-me a mim agora fingir coragem. Mas fingir coragem, é na guerra, a única coragem possível.&lt;br /&gt;Os helis vieram e levaram os feridos, a coluna organizou-se e continuou a sua missão. A tensão, o medo e um ódio indefinido tomou conta de todos como era costume.&lt;br /&gt;E longe dali, os que verdadeiramente mereciam ser objecto do nosso ódio, aqueles que não tinham coragem de tomar decisões com medo de mudar o rumo da história, por não estarem à altura dos cargos que ocupavam, continuaram ainda por muito tempo a manter tudo na mesma, até que um dia o nosso ódio não coube mais em nós, e apeámo-los do poleiro. As mesmas mãos e as mesmas armas, e a mesma generosidade. Quando um povo é capaz de lutar e descobre que não são justas as causas que lhe deram, inventa uma.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/10/o-dia-em-que-comandei-companhia.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-373229055098344023?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/373229055098344023/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=373229055098344023&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/373229055098344023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/373229055098344023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/10/o-dia-em-que-comandei-companhia.html' title='O Dia em que Comandei a Companhia'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SPY2Zqd1hzI/AAAAAAAAAVc/-YLHd8N07gk/s72-c/Levantamento+de+uma+mina_2.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-2977698756217346335</id><published>2008-08-06T19:51:00.005+01:00</published><updated>2008-08-06T22:49:13.059+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stress Pós-traumático'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nazaré'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>História de Amor com uma Guerra ao Fundo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2008/08/histria-de-amor-com-uma-guerra-ao-fundo.html"&gt;Ler o texto completo aqui.&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SJnjmlDjyZI/AAAAAAAAAPg/s5uUduuCx5U/s1600-h/Nazar%C3%A9+-+Fim+de+tarde1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231462694089116050" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SJnjmlDjyZI/AAAAAAAAAPg/s5uUduuCx5U/s400/Nazar%C3%A9+-+Fim+de+tarde1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois a tarde ficou azul – céu e mar. E tu, mais nada. Tirei uma foto, quase nada ficou na foto, só azul. A seda da luz poente e a longa toalha das águas. De vez em quando alguém de muito longe devia puxar a toalha porque uma franja de espuma enrolava e desenrolava junto aos teus pés, e eu tinha um pensamento apenas: um dia vou lembrar-me que fui feliz aqui.&lt;br /&gt;Ver-te daqui enquanto a luz da tarde amarelecia, era como pintar um quadro com o olhar. Não sei se era a praia que estava deserta se era eu que só te via a ti. Devia correr um ventinho do lado do promontório de onde D. Fuas ia caindo ao mar, porque o teu cabelo parecia desalinhado por uma carícia, depois viraste-te para aqui e vieste embora como se viesses atraída pelo meu olhar.&lt;br /&gt;Saíste da praia como quem acorda devagar, e nasceu em mim uma urgência inexplicável de ficar a sós contigo, de ficar na intimidade absoluta dos nossos corpos, de comungar o síncrono prazer dos nossos gestos, de solver num só, as distintas essências dos nossos dois seres.&lt;br /&gt;Agora que ainda sentes o mar arfando no teu peito, não ponhas essa música, que despertará ecos que ainda ressoam em mim, ao fundo, muito ao fundo, como uma nuvem negra que a aragem do mar vai afastando lentamente.&lt;br /&gt;Talvez um dia eu me sente assim a teu lado e te conte a ti o que impus a mim mesmo esquecer. Quando eu era um outro e vivia uma outra vida num outro mundo. Então alguém inocentemente pôs uma música a tocar, uma música que nessa altura ainda nada significava para mim, mas que se impregnou dos silêncios e dos gritos, das longas solidões e das mitigadas alegrias. Uma música que se impregnou do sofrimento do próprio Tempo que penava dolorosamente e envelhecia sem avançar. Essa música devolve-me as vozes de amizades de sangue e de ódios viscerais. Essa música é o estertor do Tempo à beira do colapso. Agora deixa que isso permaneça esquecido como uma carta perdida no fundo de uma gaveta de um móvel antigo no sótão da casa de um avô há muito falecido.&lt;br /&gt;Talvez um dia eu me sente assim a teu lado e te conte tudo, palavra por palavra, como se tivesse acontecido a outro, como se fosse um livro que li enquanto criança, um breve pesadelo que assombrou a minha infância. Mas tenho que estar preparado, porque pode acontecer-me que alguma antiga lágrima não chorada venha a intrometer-se na conversa. E então, poderás pôr essa música enquanto bebermos pelo mesmo copo e fumarmos o mesmo cigarro; mas nessa altura teremos uma longa história de amor e já nada nos poderá roubar todo o prazer que tivemos.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://episodiosdopos-guerra.blogspot.com/2008/08/histria-de-amor-com-uma-guerra-ao-fundo.html"&gt;Ler o texto completo aqui.&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-2977698756217346335?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/2977698756217346335/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=2977698756217346335&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/2977698756217346335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/2977698756217346335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/08/histria-de-amor-com-uma-guerra-ao-fundo.html' title='História de Amor com uma Guerra ao Fundo'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SJnjmlDjyZI/AAAAAAAAAPg/s5uUduuCx5U/s72-c/Nazar%C3%A9+-+Fim+de+tarde1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-328033313651807125</id><published>2008-07-20T01:02:00.001+01:00</published><updated>2008-07-20T01:08:14.957+01:00</updated><title type='text'>Os Pára-quedistas</title><content type='html'>De António Silvestre - &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/07/os-pra-quedistas.html"&gt;Ler t&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/07/os-pra-quedistas.html"&gt;exto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_xMT1UHlloVE/SIJ_36vmHZI/AAAAAAAAAAY/TvJpDZivo0A/s1600-h/Mueda+-+Berliet+Minada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224879116341616018" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_xMT1UHlloVE/SIJ_36vmHZI/AAAAAAAAAAY/TvJpDZivo0A/s400/Mueda+-+Berliet+Minada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oito de Maio de 1972, terceiro mês na guerra da companhia 3503.&lt;br /&gt;Tínhamos partido de Mueda para levar uma coluna a Omar e agora, já de regresso e após uma semana passada na picada, tentávamos a todo o custo ir dormir ainda nessa noite ao aquartelamento.&lt;br /&gt;Omar, situado a meia dúzia de Kms do rio Rovuma e com a Tanzânia à vista, distava cerca de 75 Kms de Mueda , mas percorrer essa picada nos dois sentidos, levava sempre vários dias e muito sangue derramado das várias companhias que por aí passaram, pois as emboscadas, os ataques de morteiro e as minas, eram companhia obrigatória em todas as colunas realizadas nessa picada. Principalmente as minas que se contavam sempre por dezenas durante esse trajecto.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Silvestre - &lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/07/os-pra-quedistas.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler t&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/07/os-pra-quedistas.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;exto completo aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-328033313651807125?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/328033313651807125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=328033313651807125&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/328033313651807125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/328033313651807125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/07/os-pra-quedistas.html' title='Os Pára-quedistas'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_xMT1UHlloVE/SIJ_36vmHZI/AAAAAAAAAAY/TvJpDZivo0A/s72-c/Mueda+-+Berliet+Minada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-762183626926840070</id><published>2008-07-02T00:43:00.004+01:00</published><updated>2009-04-29T13:35:17.442+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim; Grande Guerra'/><title type='text'>O Sino da Minha Aldeia</title><content type='html'>&lt;a href="http://aquilini.blogspot.com/2008/06/o-sino-da-minha-aldeia-texto-completo.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diziam que um dia o roubaram. Diziam que um dia o resgataram. Os velhotes contavam coisas sobre ele como se se tratasse de um velho amigo. E contavam sempre como se fosse a primeira vez. Não para ensinarem nada, mas porque mastigar as palavras dava gozo.&lt;br /&gt;Ouviam-se uns aos outros à porta de uma taberna, só para terem a certeza que o tempo não tinha parado.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_HoddYLLd75o/SGrB7QFT8OI/AAAAAAAAAPU/u625js18A9g/s1600-h/Aguim+-+Capela_e.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218196341935829218" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_HoddYLLd75o/SGrB7QFT8OI/AAAAAAAAAPU/u625js18A9g/s400/Aguim+-+Capela_e.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;E depois vinha mais uma rodada e a conversa ganhava gargalhadas de novo.&lt;br /&gt;As mesmas conversas de sempre. Como se fosse a primeira vez que as contavam, a fingirem que nem se davam conta.&lt;br /&gt;Tal qual como faziam ao ouvir o sino. E ele, chegando a altura, dava as horas; duas vezes, para os distraídos.&lt;br /&gt;E a hora chegou, foram embora. O tempo passou num instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://aquilini.blogspot.com/2008/06/o-sino-da-minha-aldeia-texto-completo.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-762183626926840070?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/762183626926840070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=762183626926840070&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/762183626926840070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/762183626926840070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/07/o-sino-da-minha-aldeia.html' title='O Sino da Minha Aldeia'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_HoddYLLd75o/SGrB7QFT8OI/AAAAAAAAAPU/u625js18A9g/s72-c/Aguim+-+Capela_e.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-5775028878521496384</id><published>2008-06-10T01:00:00.003+01:00</published><updated>2008-06-25T23:30:59.610+01:00</updated><title type='text'>Voar no Google Hearth até Mueda</title><content type='html'>Com o tempo as imagens que colhemos de Mueda desbotaram, sobretudo as que trouxemos na memória. Quando os helicópteros se faziam à pista, parecia que nos íamos despenhar de encontro àquelas ravinas, e não seríamos os primeiros. Agora podemos reviver esse momentos quantas vezes quisermos na segurança da cadeira do computador.&lt;br /&gt;Quem ainda não tem, que descarregue a aplicação do Google Hearth. Depois basta escrever: Mueda, Moçambique para voar até ao planalto dos Macondes e repetir vezes sem conta a abordagem da pista que fazíamos sempre com um misto de alívio e de temor.&lt;br /&gt;Podemos ajustar a vista a pouco mais de um quilómetro de altura, com a máxima definição.&lt;br /&gt;&lt;iframe width="425" height="350" frameborder="0" scrolling="no" marginheight="0" marginwidth="0" src="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;amp;hl=pt-PT&amp;amp;geocode=&amp;amp;q=Mueda,+Mo%C3%A7ambique&amp;amp;ie=UTF8&amp;amp;t=h&amp;amp;s=AARTsJqJlQkVprdbUD6wA_TJUI6CiB910A&amp;amp;ll=-11.661378,39.555609&amp;amp;spn=0.001839,0.00228&amp;amp;z=18&amp;amp;output=embed"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;small&gt;&lt;a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;amp;hl=pt-PT&amp;amp;geocode=&amp;amp;q=Mueda,+Mo%C3%A7ambique&amp;amp;ie=UTF8&amp;amp;t=h&amp;amp;ll=-11.661378,39.555609&amp;amp;spn=0.001839,0.00228&amp;amp;z=18&amp;amp;source=embed" style="color:#0000FF;text-align:left"&gt;Ver mapa maior&lt;/a&gt;&lt;/small&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-5775028878521496384?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/5775028878521496384/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=5775028878521496384&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5775028878521496384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5775028878521496384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/06/voar-no-google-hearth-at-mueda.html' title='Voar no Google Hearth até Mueda'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-1207242364790535656</id><published>2008-05-27T01:48:00.004+01:00</published><updated>2009-10-07T16:16:45.251+01:00</updated><title type='text'>Carta a Mueda - Caseiro</title><content type='html'>Texto de José Caseiro - &lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/05/carta-mueda.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UDX-jQxdGvk/SDtZQyuA41I/AAAAAAAAAAg/lA33WanTLEc/s1600-h/Caseiro+26-3.jpg"&gt;&lt;img style="CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204851939384288082" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UDX-jQxdGvk/SDtZQyuA41I/AAAAAAAAAAg/lA33WanTLEc/s400/Caseiro+26-3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Do posto de água 9 ao 34, do 34 a Omar, ou do 34 a Mocimba do Rovuma e a ida a Muera; muitas batalhas de vida e de morte se travaram, onde infelizmente a morte em algumas venceu.&lt;br /&gt;Do China ao Chindorilho, das Águas às Bananeiras, e de ti Mueda a Nanglolo, a morte esteve sempre presente, mas por distracção sua ou porque não estava interessada, a maior parte dessas batalhas foram ganhas por esses valorosos rapazes da C.ART. 3503 e talvez sejam esses que te amam, porque do ódio pode nascer o amor, segundo dizem os filósofos; ou quem sabe, passados estes anos é que o nosso amor por ti tenha nascido. [...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Caseiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/05/carta-mueda.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-1207242364790535656?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/1207242364790535656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=1207242364790535656&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1207242364790535656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1207242364790535656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/05/carta-mueda.html' title='Carta a Mueda - Caseiro'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UDX-jQxdGvk/SDtZQyuA41I/AAAAAAAAAAg/lA33WanTLEc/s72-c/Caseiro+26-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-8080410641458150253</id><published>2008-05-09T15:06:00.010+01:00</published><updated>2008-06-12T21:52:02.877+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Niassa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>O Niassa</title><content type='html'>&lt;a href="http://textocompleto.blogspot.com/2008/05/o-niassa.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cid-03e99c0dda0606a7.skydrive.live.com/browse.aspx/P%c3%bablica?uc=1"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Imprimir o texto completo aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;A pouco e pouco os soldados foram saindo do porão. Como se o silêncio do barco os tivesse assustado, e surgiam nas aberturas do convés como zombies, que ao chegarem à luz do sol caíam fulminados. Ou então como vermes escuros, em novelos que se desenovelavam para se espalharem por todo o lado.&lt;br /&gt;Com o seu aparecimento, parece ter ficado mais nítido o bafo intestinal que o Niassa exalava por aquelas cloacas abertas no convés, compondo um complexo bouquet em que se misturavam, num equilíbrio bem doseado, o aroma sulfídrico dos dejectos, o amoniacal da urina e o agridoce do vomitado; rematado com o fénico do peixe podre e o ranço da banha do rancho geral; tudo sobre uma base persistente do bolorento mofo ancestral dos porões. Era dessa atmosfera de compostagem que os soldados emergiam para o ar vibrante de luz e calor, sob um sol tórrido.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SCRa4sFX9mI/AAAAAAAAAOk/2UkbW9h0Luo/s1600-h/Barco+Niassa+_e.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198379799845271138" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SCRa4sFX9mI/AAAAAAAAAOk/2UkbW9h0Luo/s400/Barco+Niassa+_e.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Foto cedida por José Monteiro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu regresso ao interior do bar e os soldados regressam aos porões, como se tivessem posto o filme a andar para trás. Eu fujo para o conforto do bar. Os soldados fogem para o sufoco do porão; fogem de uma tortura para outra tortura.&lt;br /&gt;Percebo agora o conselho cristão para oferecer a outra face; é seguramente para não nos estarem a bater sempre na mesma.&lt;br /&gt;Ainda restam alguns soldados a esturricar ao sol. Estes não tiveram forças sequer para descansar a face dorida e oferecer a outra. A que missão urgente vamos nós acudir para que sejamos tratados como escravos? Será que foi por isso que o Niassa parou? Porque ficou indeciso, dado que os negreiros costumavam rumar em sentido contrário?&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://textocompleto.blogspot.com/2008/05/o-niassa.html"&gt;Ler o texto completo aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-8080410641458150253?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/8080410641458150253/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=8080410641458150253&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8080410641458150253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/8080410641458150253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/05/o-niassa.html' title='O Niassa'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SCRa4sFX9mI/AAAAAAAAAOk/2UkbW9h0Luo/s72-c/Barco+Niassa+_e.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-5541226535258815160</id><published>2008-04-23T17:44:00.005+01:00</published><updated>2009-04-29T14:37:39.185+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='25 de Abril'/><title type='text'>Tão Tarde pela Madrugada</title><content type='html'>(Uma breve explicação do 25 de Abril às pessoas muito, muito estúpidas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_UQMpULqcI/AAAAAAAAALc/YNCuECEMXvU/s1600-h/Explica%C3%A7%C3%A3o+do+25+de+Abril-%C3%B3leo+sobre+tela.jpg"&gt;&lt;img style="CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185068355421972930" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_UQMpULqcI/AAAAAAAAALc/YNCuECEMXvU/s400/Explica%C3%A7%C3%A3o+do+25+de+Abril-%C3%B3leo+sobre+tela.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Explicação do 25 de Abril – Óleo sobre Tela - 1975 &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Q&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;uando os homens são maiores que o chão que pisam não há limites para a ambição.&lt;br /&gt;Chegara pois o tempo do Infante que via sempre um pouco mais para além do horizonte; um homem que não cabia no chão que lhe deram.&lt;br /&gt;Foi por isso que Portugal ficou maior que Portugal.&lt;br /&gt;Portugal do tamanho da visão de um homem.&lt;br /&gt;Portugal hiperbólico, ubíquo, global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Infante ia à frente da História e levava consigo a nação inteira, e a História teve que seguir atrás de Portugal.&lt;br /&gt;Ainda a Europa toda pensava que o mar acabava onde começava o medo, e o Infante inventou o mar para além do medo, e deu-lhe um dono: Portugal.&lt;br /&gt;E Portugal cresceu até onde existia mundo; porém nenhuma pátria é suficientemente grande se não deixar crescer os homens dentro de si.&lt;br /&gt;E também nenhum despotismo é suficientemente eficaz para evitar que um dia os negreiros se transformem em escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim chegara o tempo do segundo Infante, o descobridor de Portugal para aquém do medo, o navegador às arrecuas, o anti-Infante.&lt;br /&gt;Já a Europa toda sabia que a Liberdade era a maior dimensão humana, e Portugal ainda cultivava a pequenez do medo.&lt;br /&gt;Portugal implodido, paroquial, microcéfalo, autofágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que imperialista pode ser tão tacanho que a sua ambição ocupe apenas o espaço dentro das próprias botas?&lt;br /&gt;Em Portugal, homens livres, só os que estavam na prisão.&lt;br /&gt;Os jovens combatiam em distantes paragens enquanto os seus pais se sentiam cativos em casa.&lt;br /&gt;Os camponeses abandonavam a terra solteira, partindo como fazem as andorinhas quando já não acreditam na Primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando os filhos da pátria regressavam finalmente a casa, a juventude amortalhada de silêncio, o último grito congelado no rosto, traziam, no sítio destinado à alma, o relento pútrido da guerra longínqua.&lt;br /&gt;Um manto de viuvez cobria as aldeias e os campos, e uma dor calada asfixiava a esperança no peito.&lt;br /&gt;Portugal estendido pelo mundo inteiro, e os portugueses dentro de casa com falta de ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nenhum tirano pode mobilizar a coragem do seu povo para defender um império distante, e impor que viva cobardemente na sua pátria.&lt;br /&gt;Por isso, não faltaram vozes ocultas a traficarem a esperança nas esquinas cúmplices da noite.&lt;br /&gt;Há sempre quem mantenha o lume aceso, mesmo quando ele esmorece na alma dos homens.&lt;br /&gt;Há sempre quem sopre, sopre de mansinho, como quem passa a palavra, para que no âmago do carvão mais escuro se mantenha uma, ainda que ténue, brasa de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que longa que foi a noite. Como tardava a amanhecer. Como é sempre mais difícil dobrar o insignificante Cabo Bojador, dentro de nós.&lt;br /&gt;Porém finalmente os portugueses descobriram Portugal, acordando nele.&lt;br /&gt;É que se não derem uma causa justa a uma geração inteira de combatentes, eles inventam uma.&lt;br /&gt;E nunca as armas foram empunhadas tão rente à poesia.&lt;br /&gt;Nunca antes os soldados combateram dançando com o povo.&lt;br /&gt;Nunca o ar da madrugara tão leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Adamastor que nos asfixiava de medo transformou-se num rato, temendo a vingança daqueles que anoiteceram oprimidos e amanheceram livres.&lt;br /&gt;Os tiranos tremeram.&lt;br /&gt;Os esbirros assanharam-se inutilmente de pavor.&lt;br /&gt;E os muito, muito estúpidos ainda continuam a perguntar-se porque vieram de repente todos os portugueses para a rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portugueses apenas navegaram mais uma vez para além do medo.&lt;br /&gt;Os portugueses vieram para a rua só para respirar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-5541226535258815160?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/5541226535258815160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=5541226535258815160&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5541226535258815160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/5541226535258815160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/04/to-tarde-pela-madrugada.html' title='Tão Tarde pela Madrugada'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_UQMpULqcI/AAAAAAAAALc/YNCuECEMXvU/s72-c/Explica%C3%A7%C3%A3o+do+25+de+Abril-%C3%B3leo+sobre+tela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-1008364623989790343</id><published>2008-04-05T00:13:00.026+01:00</published><updated>2008-04-29T21:46:32.405+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mueda hoje'/><title type='text'>Mueda Revisitada</title><content type='html'>As mil palavras que valem uma imagem ficam patentes aqui.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;É certo que estas imagens estão guardadas dentro de nós; não materializadas em linhas e em cores mas em sentimentos intensos e memórias que a morte, e antes da morte, só a senilidade, há-de apagar.&lt;br /&gt;Mueda das minas e das emboscadas. Mueda da saudade e da morte. Mueda do aldeamento, do China, da Águas… Mueda da nossa juventude.&lt;br /&gt;Na guerra demos todos os humores de que somos feitos: muito suor, algumas lágrimas... e tanto sangue, meu deus; mas demos sobretudo a vida. Quem não a deu toda de uma vez, deu pelo menos uma parte… a melhor. A parte da Juventude.&lt;br /&gt;Mueda não é nossa, se calhar nunca foi, mas nós somos de Mueda. Somos de Mueda não por termos nascido lá mas por lá termos conhecido a Morte, essa grande prostituta que nos seduz, nos domina e que nós vamos enganando como pudemos.&lt;br /&gt;É por isso que às vezes sentimos Mueda chamar.&lt;br /&gt;Alguns respondem a esse chamamento fechando o ciclo da memória, fechando o impossível arco do tempo. Obrigando-o a recuar até onde deixámos as nossas emoções, os nossos sentimentos, parte da nossa vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As fotos provam que Mueda existe. Não fossemos pensar que foi um sonho ou um pesadelo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A viagem fizeram-na &lt;strong&gt;João Azevedo&lt;/strong&gt; e um grupo de amigos. As imagens partilham-nas connosco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem hajam!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Manuel Bastos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;----------&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a2sZULqdI/AAAAAAAAALk/ySnt0OmexuM/s1600-h/Maputo+-+H._Polana.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185532894789741010" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a2sZULqdI/AAAAAAAAALk/ySnt0OmexuM/s400/Maputo+-+H._Polana.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maputo - Hotel Polana&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a3IJULqeI/AAAAAAAAALs/GVpWG34C2d4/s1600-h/Maputo+-+Museu.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185533371531110882" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a3IJULqeI/AAAAAAAAALs/GVpWG34C2d4/s400/Maputo+-+Museu.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maputo - Museu&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a3b5ULqfI/AAAAAAAAAL0/PbKnqEKO2XQ/s1600-h/Maputo+-+Namaacha.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185533710833527282" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a3b5ULqfI/AAAAAAAAAL0/PbKnqEKO2XQ/s400/Maputo+-+Namaacha.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maputo - Namaacha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a36JULqgI/AAAAAAAAAL8/BQCijvey39Q/s1600-h/Pemba+-+Baia.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185534230524570114" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a36JULqgI/AAAAAAAAAL8/BQCijvey39Q/s400/Pemba+-+Baia.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;P&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;emba - Baia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a4UJULqhI/AAAAAAAAAME/9gjI1aa4WvM/s1600-h/Mueda+-+Sagal.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185534677201168914" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a4UJULqhI/AAAAAAAAAME/9gjI1aa4WvM/s400/Mueda+-+Sagal.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sagal&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a4pZULqiI/AAAAAAAAAMM/A9QntoO435s/s1600-h/Mueda+-%C3%81guas+-+1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185535042273389090" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a4pZULqiI/AAAAAAAAAMM/A9QntoO435s/s400/Mueda+-%C3%81guas+-+1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a48ZULqjI/AAAAAAAAAMU/GeQp9G1ktvw/s1600-h/Mueda+-+%C3%81guas+-+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185535368690903602" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a48ZULqjI/AAAAAAAAAMU/GeQp9G1ktvw/s400/Mueda+-+%C3%81guas+-+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As Águas ( A estânia termal de Mueda)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a5WpULqlI/AAAAAAAAAMk/unRfQLYTUuk/s1600-h/Mueda+-+Picada+das+%C3%81guas+-+2.JPG"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185535819662469714" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a5WpULqlI/AAAAAAAAAMk/unRfQLYTUuk/s400/Mueda+-+Picada+das+%C3%81guas+-+2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a5L5ULqkI/AAAAAAAAAMc/jw8Q7dUYW7I/s1600-h/Mueda+-+Picada+das+%C3%81guas.JPG"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185535634978875970" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a5L5ULqkI/AAAAAAAAAMc/jw8Q7dUYW7I/s400/Mueda+-+Picada+das+%C3%81guas.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A Picada das Águas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a52JULqoI/AAAAAAAAAM8/fzkNC0Ag2ME/s1600-h/Mueda+-+Messe+de+Oficiais.JPG"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185536360828349058" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a52JULqoI/AAAAAAAAAM8/fzkNC0Ag2ME/s400/Mueda+-+Messe+de+Oficiais.JPG" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Mueda - Messe de Oficiais&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a585ULqpI/AAAAAAAAANE/05MWXQLY4hM/s1600-h/Mueda+-+Edif%C3%ADcio+do+Comando+_2.JPG"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185536476792466066" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a585ULqpI/AAAAAAAAANE/05MWXQLY4hM/s400/Mueda+-+Edif%C3%ADcio+do+Comando+_2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bCiZULqxI/AAAAAAAAAOE/i0L3PIz8Esg/s1600-h/Mueda+-+Edif%C3%ADcio+do+Comando_1.JPG"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185545917130582802" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bCiZULqxI/AAAAAAAAAOE/i0L3PIz8Esg/s400/Mueda+-+Edif%C3%ADcio+do+Comando_1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Edifício do Comando&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bA2pULqwI/AAAAAAAAAN8/Xib9w_ZAcPA/s1600-h/Mueda+-+Porta+de+Armas.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185544065999678210" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bA2pULqwI/AAAAAAAAAN8/Xib9w_ZAcPA/s400/Mueda+-+Porta+de+Armas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A Porta de Armas é hoje um memorial ao 2 de Setembro  e&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;uma homenagem ao artista maconde&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bAu5ULqvI/AAAAAAAAAN0/LZhDgClck_s/s1600-h/Mueda+-+Curva+da+Morte.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185543932855692018" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bAu5ULqvI/AAAAAAAAAN0/LZhDgClck_s/s400/Mueda+-+Curva+da+Morte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;A Curva da Morte... sinistra, o alcatrão a cobrir o sangue dos mortos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bAppULquI/AAAAAAAAANs/QKSEVGdEtZ0/s1600-h/Mueda+-+Chindorilho.JPG"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185543842661378786" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bAppULquI/AAAAAAAAANs/QKSEVGdEtZ0/s400/Mueda+-+Chindorilho.JPG" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;A Picada do Chindorilho - A roleta russa das minas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;(Foi aqui a última vez que apoiei os dois pés no chão)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bAg5ULqtI/AAAAAAAAANk/XwcpFtHGnHE/s1600-h/Mueda+-+China.JPG"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185543692337523410" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_bAg5ULqtI/AAAAAAAAANk/XwcpFtHGnHE/s400/Mueda+-+China.JPG" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;O China&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SBeIDRVW2LI/AAAAAAAAAOM/AqVEyhZ8Ctk/s1600-h/8.1+-+FILHA+CHINA+087.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194770284969121970" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/SBeIDRVW2LI/AAAAAAAAAOM/AqVEyhZ8Ctk/s400/8.1+-+FILHA+CHINA+087.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Miss Mueda 1972 - "A filha do China"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a9WpULqsI/AAAAAAAAANc/z5vR-WFsHr4/s1600-h/Mueda+-+Avenida+Principal%5D.JPG"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185540217708980930" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a9WpULqsI/AAAAAAAAANc/z5vR-WFsHr4/s400/Mueda+-+Avenida+Principal%5D.JPG" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;A "Avenida" principal de Mueda...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-----------&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Traduzir a felicidade deste regresso a terras moçambicanas é de difícil descrição e por isso deixamos em “O Combatente da Estrela” o nosso testemunho fotográfico de um percurso que aconselhamos a todos quantos sintam o mesmo desejo de um dia voltar a este longínquo país do Índico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Voltaremos? Pensamos que sim.&lt;br /&gt;África e Moçambique chamarão sempre por nós. Ali somos Benvindos.&lt;br /&gt;Kanimambo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Azevedo &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-1008364623989790343?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/1008364623989790343/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=1008364623989790343&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1008364623989790343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/1008364623989790343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/04/mueda-revisitada.html' title='Mueda Revisitada'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R_a2sZULqdI/AAAAAAAAALk/ySnt0OmexuM/s72-c/Maputo+-+H._Polana.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3676710844959635114</id><published>2008-03-21T19:36:00.001Z</published><updated>2008-03-21T19:36:50.980Z</updated><title type='text'>Merecer a Água que se Bebe</title><content type='html'>Texto de José Caseiro em &lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/03/merecer-gua-que-se-bebe.html"&gt;Histórias da CART 3503&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos no mês de Dezembro do ano 1972 em Mueda, quando nos foi dito a título sigiloso que a CART 3503 ia levar a cabo uma grande operação hélio transportada.&lt;br /&gt;Sendo uma actuação a nível de companhia o capitão não pode escapar e assim se viu em pleno mato, onde estivemos seis dias; e num desses dias fizemos um achado, que este senhor considerou como troféu de guerra, o que afinal não passava de algumas granadas e um grande número de munições de vários calibres.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UDX-jQxdGvk/R-KXGIogx8I/AAAAAAAAAAY/on5TbODN2tM/s1600-h/Caseiro+68-1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179868653081905090" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UDX-jQxdGvk/R-KXGIogx8I/AAAAAAAAAAY/on5TbODN2tM/s400/Caseiro+68-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler o texto completo do Caseiro em &lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2008/03/merecer-gua-que-se-bebe.html"&gt;Histórias da CART 3503&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-3676710844959635114?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/3676710844959635114/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=3676710844959635114&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3676710844959635114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/3676710844959635114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/03/merecer-gua-que-se-bebe.html' title='Merecer a Água que se Bebe'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UDX-jQxdGvk/R-KXGIogx8I/AAAAAAAAAAY/on5TbODN2tM/s72-c/Caseiro+68-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-6677915653567601647</id><published>2008-03-09T16:47:00.006Z</published><updated>2008-03-12T14:13:05.205Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aguim; Regresso a casa; Religião'/><title type='text'>A Incerteza do Sol Nascente</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler texto completo em &lt;a href="http://aguimemmim.blogspot.com/"&gt;Aguim em Mim&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ou na pág. 8 do &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.adfa-portugal.com/index.php"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Elo da ADFA&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R9QP3w3QcAI/AAAAAAAAALU/VFTPnZw8AZg/s1600-h/Incerteza+do+sol+nascente.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175779322439430146" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R9QP3w3QcAI/AAAAAAAAALU/VFTPnZw8AZg/s400/Incerteza+do+sol+nascente.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Havia dias, como hoje, em que o pôr-do-sol pintava tudo em cores quentes e do terraço eu olhava-o seguro de que Deus o haveria de fazer nascer no dia seguinte, e depois ia dormir sem remorsos. Mas hoje sei menos do que quando era criança; olho o sol e não acredito que Deus tenha as coisas sob controlo. Pode muito bem acontecer que se esqueça de o fazer nascer amanhã. Hoje não irei dormir sem remorsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos se a voz quase humana de um violoncelo acordasse o calor das vozes esquecidas; ou o som da chuva na vidraça, tão próximo da música, restituísse a alma a esta casa deserta; ou faltando tudo o mais, se ao menos um eco, que tivesse ficado reverberando por entre estas paredes dissesse o meu nome e perguntasse “Já viestes?” só para eu ter a certeza que regressei a casa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espreito pelo vidro sujo da janela para o pátio onde falta a velha figueira. Como morreu a velha figueira? Sinto uma dor imensa por não me lembrar; como se tivesse perdido a oportunidade de lhe dizer algo de muito importante e íntimo; como se tivesse remorsos de não ter vertido uma única lágrima pela sua morte. Até parece que uma música parou repentinamente dentro de mim. Talvez por isso a laranjeira se recuse a dar laranjas, ressentida pela minha ingratidão. Não sabe que as comíamos apenas por amizade, dado que eram um pouco azedas “São muito boas para acompanhar o leitão” desculpava-a o meu avô, que a conhecia desde pequenina… e nós sorriamos de ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também devo ter sido infeliz aqui, mas não me lembro.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ler texto completo em &lt;a href="http://aguimemmim.blogspot.com/"&gt;Aguim em Mim&lt;/a&gt; ou na pág. 8 do &lt;a href="http://www.adfa-portugal.com/index.php"&gt;Elo da ADFA&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9878460-6677915653567601647?l=cacimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cacimbo.blogspot.com/feeds/6677915653567601647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9878460&amp;postID=6677915653567601647&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6677915653567601647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9878460/posts/default/6677915653567601647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cacimbo.blogspot.com/2008/03/incerteza-do-sol-nascente.html' title='A Incerteza do Sol Nascente'/><author><name>Manuel Bastos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08931715969785497183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/TGVwNwmn4aI/AAAAAAAAAiU/KQqkluN1xbw/S220/PhotoContact3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HoddYLLd75o/R9QP3w3QcAI/AAAAAAAAALU/VFTPnZw8AZg/s72-c/Incerteza+do+sol+nascente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9878460.post-3997733009392306312</id><published>2008-02-27T23:37:00.001Z</published><updated>2008-02-27T23:40:57.460Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mueda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçambique'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Heróis?! - 2</title><content type='html'>Texto de António Almeida Comandante da CART 3503&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H2AY9jH32xo/R8XzaCqswBI/AAAAAAAAAAY/Y_EJ_acV8iI/s1600-h/Mueda+-+O+China.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171807375822995474" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H2AY9jH32xo/R8XzaCqswBI/AAAAAAAAAAY/Y_EJ_acV8iI/s400/Mueda+-+O+China.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cart3503.blogspot.com/2007/12/heris.html"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Continuaçã
